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Fórum de Arte e Tecnologia: Giselle Beiguelman
Pós-feriado, a agenda cheia! O dia começou cedo com o Fórum de Arte e Tecnologia promovido pelo Instituto Sergio Motta. É uma programação intensa, mas concentrada em 2 dias.
Quem abriu os trabalhos hoje foi Giselle Beiguelman, Diretora Artística do Prêmio Sérgio Mota, do qual tive a honra de participar como jurado. Penso que a fala da Giselle representa uma síntese do status da produção da área neste momento.
No mais, dá para acompanhar tudo o que acontece via Twitter
A partir de um universo dos selecionados, finalistas e premiados na última edição do Prêmio, ela conseguiu traçar as grandes tendências, ou pelo menos, as questões comuns que perspassam pelas trajetórias apresentadas pelos artistas.
As principais características levantadas foram:
1. Tradição e Inovação, onde se busca a recuperação de saberes tradicionais com uma visão aliada aos meios tecnológicos
2. Hibridismo, combinação de mídias e procedimentos de diferentes saberes
3. Hi &Lo, uma estética da gambiarra aliado a softwares ou tecnologias de ponta
4. Micropolíticas, a inserção do trabalho em redes, ou ainda aos artistas que não cedem aos encantos seja da própria tecnologia ou da banalização de ícones fofinhos da Web
5. Relaboração do signos do cotidiano, sobre artistas que utilizam de elementos do cotidiano para a construção da poética dos seus trabalhos.
O que me chama atenção, é que estes procedimentos, excetuando o emprego tecnológico, de alguma forma tem profunda relação com o fazer artístico brasileiro, desde a década de 60. São características muito próximas ao que podemos observar na Arte Pop feita no Brasil, nos trabalhos de Helio Oiticica e Lygia Clark, e mesmo na produção da Geração 80 e que até hoje podemos observar claramente.
O que idiretamenta aponta Giselle Beiguelman ao comentar sobre a produção dos artistas que trabalham com diferentes mídias, é um traço comum com a produção contemporânea brasileira.
Outro ponto abordado pela artista e docente, que acho muito pertinente, é o emprego ultrapassado do termos “novas mídias”, como se o termo ainda fosse capaz de definir algo. De acordo com Beiguelman, o uso recorrente deste termo revela a incapacidade da Arte (ou dos críticos?) de incorporar a cultura de rede dentro do seu campo, o que acarreta ainda uma banalização ou generalização deste campo de ações artísticas.
Logo após a fala de Giselle, alguns convidados internacionais fizeram suas apresentações. Nesta parte, acho que houve um problema. As apresentações foram muito “institucionais”, do tipo meu midia center é assim, faz isso, etc etc. Não seria melhor, ou pelo menos mais objetivo, dizer a que veio? Por exemplo, tenho interesse na arte feita no Brasil, ou meu objetivo neste Fórum é conhecer as relações propostas aqui neste país, etc, etc.
Afinal de contas, todos os convidados internacionais vem de instituições importantes com sites muito bons, e não precisaríamos ouvir deles como funciona cada uma.
Apesar disso, uma das coisas mais importantes que este Fórum traz, é fazer com que o Instituto Sergio Motta, não seja um lugar somente de fomento a produção de Arte e Tecnologia, mas que consiga de fato de ser uma plataforma que propicie aos artistas brasileiros se integrarem numa rede de Mídias Centers, Universidades, Centros de Pesquisa.
Ao convidar um corpo invejável de professores e diretores tanto brasileiros, quanto internacionais, seria ótimos que estas relações se estreitassem cada vez mais.
Na época em que fui o Produtor Executivo do primeiro Emoção Art.ficial no Itaú Cultural, esta era uma das intenções. Ao convidar mídias centers do mundo todo, e a criação do Itaú Lab, seria criar esta rede e inserir o Brasil neste circuito. Infelizmente não foi isto o que aconteceu.
Temos mais uma chance. Giselle Beiguelman, com seu bom humor habitual, várias vezes citou, que os artistas presentes deveriam aproveitar os intervalos do Fórum para fazer suas conexões.
Amanhã, além da programação normal de palestras, haverá uma leitura de portifolios dos artistas premiados pelos convidados. É uma outra forma, bem importante, para que eles consigam entrar num circuito internacional, sem que dependam de concursos, editais, e afins.
Só por isso, o Fórum já teria valido a pena. Mas é só o começo. Para quem não pode ir pessoalmente lá, as palestras são transmitidas ao vivo e o Instituto grava tudo, e todo mundo terá acesso ao que foi dito e discutido, a partir de amanhã. Afinal, nem tudo o que acontece no mundo, temos que estar presentes, não é mesmo?
No mais, dá para acompanhar em tempo real, os micropost no Twitter e pelo blog, tem um monte de entrevistas bacanas com os convidados internacionais, como Jorge La Ferla, Susan Collins, Yukiko Shikata.
São Paulo sedia encontro internacional de Arte e Tecnologia
Eu tomei um mega susto com o email da Renata Motta porque o Fórum Internacional de Arte e Tecnologia, promovido pelo Instituto Sergio Motta vai acontecer entre 3 e 4 de novembro no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo. As datas coincidem com o Pense Moda, para o qual já estou credenciado também.
É sempre esta dicotomia que vivo há anos entre a Arte e a Moda. Por sorte, o Fórum é de manhã e a tarde enquanto o Pense Moda é de noite. Para quem não se inscreveu no Fórum, só tem lista de espera.
A programação é ótima e espero ter tempo para escrever aqui no blog.

Gerfried Stocker, diretor do Ars Electronica de Linz (Austria), local que estive por 2 vezes e é incrível.
PROGRAMAÇÃO
3 DE NOVEMBRO
Manhã
10:00 | 10:30 – Abertura Institucional
10:30 | 11:30 – Palestra: Perspectivas críticas da produção brasileira e apresentação dos artistas ganhadores do
Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia, Giselle Beiguelman (Prêmio Sergio Motta, Brasil)
11:30 | 12:30 – Apresentação dos críticos que efetuarão as leituras de portfólios e debate
Arlindo Machado (PUC-SP, Brasil), Bronac Ferran (Imperial College, Grã-Bretanha), Christine Mello (FAAP/Santa Marcelina, Brasil), Daniela Bousso (MIS-SP), Eduardo de Jesus (PUC-MG, Brasil), Fernando Oliva (CCSP/FAAP, Brasil), Gisela Domschke (Instituto Europeo de Design, Brasil), Karla Jasso (Laboratório Arte Alameda, México), Phillip Monk (York University, Canadá), Rosina Gómez-Baeza (LABoral Centro de Arte y Creación Industrial), Sabine Himmelsbach (Edith Russ Site for Media Art, Alemanha) e Zhang Ga (Tsinghua University/MIT Media Lab, China/EUA)
12:30 | 14:00 – Almoço
Tarde
14:00 | 15:00 – Apresentação do premiado hors concours Carlos Fadon Vicente
15:00 | 16:00 – Palestra: Perspectivas críticas da produção britânica, Susan Collins (University College London, Grã-Bretanha)
16:00 | 16:30 – Intervalo
16:30 | 17:30 – Palestra: Perspectivas críticas da produção latino-americana, Jorge La Ferla (Universidad de Buenos Aires, Argentina)
4 DE NOVEMBRO
Manhã
10:00 | 11:00 – Palestra: Perspectivas críticas da produção austríaca e alemã, Gerfried Stocker (Ars Electronica, Áustria)
11:00 | 11:15 – Intervalo
11:15 | 12:15 – Palestra: Perspectivas críticas da produção japonesa, Yukiko Shikata (NTT InterCommunication Center, Japão)
12:15 | 14:30 – Almoço
Tarde
14:30 | 16:30 – Análise dos portfólios dos 6 premiados por 12 críticos e curadores (sessões exclusivas para os artistas premiados)
2 dias imerso em Arte e Tecnologia!
Estou meio ausente, mas por bons motivos. Durante dois dias fui um dos jurados da 8a. edição do Premio Sergio Motta de Arte e Tecnologia. É uma experiência muito intensa analisar 34 indicados este ano entre os finalistas, ainda mais que houve uma mudança conceitual importante: não era um projeto ou obra realizada que estavam sendo analisadas e sim trajetórias.
Para a etapa final do Prêmio tive como companheiros Claudia Gianetti, Fernanda Takai, Moacir dos Anjos e Ronaldo Lemos. Tenho plena consciência que hoje em dia meu trabalho está muito mais ligado a moda do que a arte, mas tenho um certo conhecimento acumulado exatamente nesta área, por causa do Itau Cultural e da Base7.
A maioria dos nomes indicados eu conhecia e os que não recebemos links e biografias que dava para entender muito bem cada um.
É engraçado quando a gente muda de crachá. Para se ter uma idéia, num dos intervalos estávamos conversando sobre moda e sua posição num mundo tecnologizado, e não é que não me vinha o nome do Houssein Chalayan??? Tive que dar uma googada para lembrar!
O juri com toda sua diversidade teve discussões muitíssimo interessantes e as decisões foram todas muito bem embasadas e discutidas. Foi muito bom também contar com as informações da história do Premio, além de prestar quaisquer esclarecimentos, já que a Renata Motta (coordenadora), Giselle Beiguelman (direção artística), Camila Drupat Martins (coordenadora de projetos), Luciana Dacar (coordenação de produção), Aline Minharro Gambin (produção) e a Marina Gazire (editora do blog e Twitter) ficaram ao nosso lado o tempo todo. E teve também Marcus Bastos que fez parte do juri de seleção.
No final ainda teve direito a festa, já que a Renata Motta foi aprovada no seu doutorado ao mesmo tempo que estávamos na reta final de decisão.
Bom, eu não vou poder falar mais do que isso, já que o resultado só será anunciado em novembro. Mas dá para ver um pouco da discussão e do clima no Twitter do Prêmio.
Sair um pouco do mundo da moda, respirar novos ares, debater sobre outros assuntos, é sempre muito bom!
Que tal se inscrever no Premio Sergio Motta???
Fui convidado pelas mais-que-queridas Renata Motta, Giselle Beiguelman e Luciana Dacar para ser juri do 8o. Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia ao lado da Claudia Gianetti (crítica e curadora de arte digital e novas mídias), Fernanda Takai (vocalista da banda Pato Fu), Moacir dos Anjos (crítico e curador), e Ronaldo Lemos (coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito PFV-RJ e do projeto Creative Commons no Brasil). Chic, não?
Para quem me conhece só do mundo da moda, sim também tenho envolvimento com as artes plásticas, em especial arte e tecnologia no tempo que trabalhei no Itau Cultural, Base7 e Galeria Vermelho. Ah! Também fui um dos projetos finalistas na 4a. edição deste Prêmio. Então, estou em casa.
As inscrições devem ser feitas até 5 de julho no site do Instituto Sergio Motta. Esta edição contemplará obras em meios eletrônicos e digitais, incluindo as seguintes áreas:
-Artes Interativas (ambientes imersivos, instalações interativas, simulação computacional e games);
-Arte e Ciência (vida artificial, arte transgênica, bioarte, robótica, inteligência artificial, sistemas de visualização e nanoarte);
-Artes do Corpo (vídeo-dança, vídeo-performance, dança digital e performances ao vivo de DJs e VJs);
-Artes Sonoras (composições digitais, eletrônicas ou eletroacústicas, remixes e instalações sonoras);
-Imagem Digital e Animação Computacional (vídeo, videoinstalação, dispositivos, animação, efeitos e simulações computacionais);
-Visões de Rede (ciberliteratura, poesia visual e sonora, webarte, dispositivos móveis e mídias locativas).
No total, serão concedidos R$ 180.000,00 (cento e oitenta mil reais), distribuídos entre 7 (sete) prêmios: 4 (quatro) prêmios para Criadores em Meio de Carreira, 2 (dois) prêmios para Criadores em Início de Carreira e 1 (um) prêmio Hors Concours.
Vai lá e vê se anima para inscrever um projeto!!!
