Posts Tagged ‘Jorge La Ferla (Universidad de Buenos Aires’

postheadericon Fórum de Arte e Tecnologia: Giselle Beiguelman

Pós-feriado, a agenda cheia! O dia começou cedo com o Fórum de Arte e Tecnologia promovido pelo Instituto Sergio Motta. É uma programação intensa, mas concentrada em 2 dias.

Quem abriu os trabalhos hoje foi Giselle Beiguelman, Diretora Artística do Prêmio Sérgio Mota, do qual tive a honra de participar como jurado. Penso que a fala da Giselle representa uma síntese do status da produção da área neste momento.

No mais, dá para acompanhar tudo o que acontece via Twitter

A partir de um universo dos selecionados, finalistas e premiados na última edição do Prêmio, ela conseguiu traçar as grandes tendências, ou pelo menos, as questões comuns que perspassam pelas trajetórias apresentadas pelos artistas.

As principais características levantadas foram:

1. Tradição e Inovação, onde se busca a recuperação de saberes tradicionais com uma visão aliada aos meios tecnológicos

2. Hibridismo, combinação de mídias e procedimentos de diferentes saberes

3. Hi &Lo, uma estética da gambiarra  aliado a softwares ou tecnologias de ponta

4. Micropolíticas, a inserção do trabalho em redes, ou ainda aos artistas que não cedem aos encantos seja da própria tecnologia ou da banalização de ícones fofinhos da Web

5. Relaboração do signos do cotidiano, sobre artistas que utilizam de elementos do cotidiano para a construção da poética dos seus trabalhos.

O que me chama atenção, é que estes procedimentos, excetuando o emprego tecnológico, de alguma forma tem profunda relação com o fazer artístico brasileiro, desde a década de 60. São características muito próximas ao que podemos observar na Arte Pop feita no Brasil, nos trabalhos de Helio Oiticica e Lygia Clark, e mesmo na produção da Geração 80 e que até hoje podemos observar claramente.

O que idiretamenta aponta Giselle Beiguelman ao comentar sobre a produção dos artistas que trabalham com diferentes mídias, é um traço comum com a produção contemporânea brasileira.

Outro ponto abordado pela artista e docente, que acho muito pertinente, é o emprego ultrapassado do termos “novas mídias”, como se o termo ainda fosse capaz de definir algo. De acordo com Beiguelman, o uso recorrente deste termo revela a incapacidade da Arte (ou dos críticos?) de incorporar a cultura de rede dentro do seu campo, o que acarreta ainda uma banalização ou generalização deste campo de ações artísticas.

Logo após a fala de Giselle, alguns convidados internacionais fizeram suas apresentações. Nesta parte, acho que houve um problema. As apresentações foram muito “institucionais”, do tipo meu midia center é assim, faz isso, etc etc. Não seria melhor, ou pelo menos mais objetivo, dizer a que veio? Por exemplo, tenho interesse na arte feita no Brasil, ou meu objetivo neste Fórum é conhecer as relações propostas aqui neste país, etc, etc.

Afinal de contas, todos os convidados internacionais vem de instituições importantes com sites muito bons, e não precisaríamos ouvir deles como funciona cada uma.

Apesar disso, uma das coisas mais importantes que este Fórum traz, é fazer com que o Instituto Sergio Motta, não seja um lugar somente de fomento a produção de Arte e Tecnologia, mas que consiga de fato de ser uma plataforma que propicie aos artistas brasileiros se integrarem numa rede de Mídias Centers, Universidades, Centros de Pesquisa.

Ao convidar um corpo invejável de professores e diretores tanto brasileiros, quanto internacionais, seria ótimos que estas relações se estreitassem cada vez mais.

Na época em que fui o Produtor Executivo do primeiro Emoção Art.ficial no Itaú Cultural, esta era uma das intenções. Ao convidar mídias centers do mundo todo, e a criação do Itaú Lab, seria criar esta rede e inserir o Brasil neste circuito. Infelizmente não foi isto o que aconteceu.

Temos mais uma chance. Giselle Beiguelman, com seu bom humor habitual, várias vezes citou, que os artistas presentes deveriam aproveitar os intervalos do Fórum para fazer suas conexões.

Amanhã, além da programação normal de palestras, haverá uma leitura de portifolios dos artistas premiados pelos convidados. É uma outra forma, bem importante, para que eles consigam entrar num circuito internacional, sem que dependam de concursos, editais, e afins.

Só por isso, o Fórum já teria valido a pena. Mas é só o começo. Para quem não pode ir pessoalmente lá, as palestras são transmitidas ao vivo e o Instituto grava tudo, e todo mundo terá acesso ao que foi dito e discutido, a partir de amanhã. Afinal, nem tudo o que acontece no mundo, temos que estar presentes, não é mesmo?

No mais, dá para acompanhar em tempo real, os micropost no Twitter e pelo blog, tem um monte de entrevistas bacanas com os convidados internacionais, como Jorge La Ferla, Susan Collins, Yukiko Shikata.

postheadericon São Paulo sedia encontro internacional de Arte e Tecnologia

Eu tomei um mega susto com o email da Renata Motta porque o Fórum Internacional de Arte e Tecnologia, promovido pelo Instituto Sergio Motta vai acontecer entre 3 e 4 de novembro no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo. As datas coincidem com o Pense Moda, para o qual já estou credenciado também.

É sempre esta dicotomia que vivo há anos entre a Arte e a Moda. Por sorte, o Fórum é de manhã e a tarde enquanto o Pense Moda é de noite. Para quem não se inscreveu no Fórum, só tem lista de espera.

A programação é ótima e espero ter tempo para escrever aqui no blog.

gerfried-stockler

Gerfried Stocker, diretor do Ars Electronica de Linz (Austria), local que estive por 2 vezes e é incrível.

PROGRAMAÇÃO

3 DE NOVEMBRO

Manhã

10:00 | 10:30 – Abertura Institucional

10:30 | 11:30 – Palestra: Perspectivas críticas da produção brasileira e apresentação dos artistas ganhadores do 8O Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia, Giselle Beiguelman (Prêmio Sergio Motta, Brasil)

11:30 | 12:30 – Apresentação dos críticos que efetuarão as leituras de portfólios e debate

Arlindo Machado (PUC-SP, Brasil), Bronac Ferran (Imperial College, Grã-Bretanha), Christine Mello (FAAP/Santa Marcelina, Brasil), Daniela Bousso (MIS-SP), Eduardo de Jesus (PUC-MG, Brasil), Fernando Oliva (CCSP/FAAP, Brasil), Gisela Domschke (Instituto Europeo de Design, Brasil), Karla Jasso (Laboratório Arte Alameda, México), Phillip Monk (York University, Canadá), Rosina Gómez-Baeza (LABoral Centro de Arte y Creación Industrial), Sabine Himmelsbach (Edith Russ Site for Media Art, Alemanha) e Zhang Ga (Tsinghua University/MIT Media Lab, China/EUA)

12:30 | 14:00 – Almoço

Tarde

14:00 | 15:00 – Apresentação do premiado hors concours Carlos Fadon Vicente

15:00 | 16:00 – Palestra: Perspectivas críticas da produção britânica, Susan Collins (University College London, Grã-Bretanha)

16:00 | 16:30 – Intervalo

16:30 | 17:30 – Palestra: Perspectivas críticas da produção latino-americana, Jorge La Ferla (Universidad de Buenos Aires, Argentina)

4 DE NOVEMBRO

Manhã

10:00 | 11:00 – Palestra: Perspectivas críticas da produção austríaca e alemã, Gerfried Stocker (Ars Electronica, Áustria)

11:00 | 11:15 – Intervalo

11:15 | 12:15 – Palestra: Perspectivas críticas da produção japonesa, Yukiko Shikata (NTT InterCommunication Center, Japão)

12:15 | 14:30 – Almoço

Tarde

14:30 | 16:30 – Análise dos portfólios dos 6 premiados por 12 críticos e curadores (sessões exclusivas para os artistas premiados)

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