Posts Tagged ‘Galeria Vermelho’
Verbo estréia sua sexta edição de performances
Hoje começa a sexta edição da Verbo da Galeria Vermelho e vai até 31 de julho. É uma semana bem bacana onde podemos ver artistas nacionais e estrangeiros fazendo performances das mais variadas. A abertura começa bem e tem O Nome, novo trabalho de Maurício Ianês, que sempre é muito bom de ver.
No dia 28 desembarco às 15h no Centro Cultural Vergueiro para discutir as relações de Moda e Performance ao lado do Mario Ramiro e da Paula Braga, dentro da programação Verbo Conjugado.Tem também a participação em outros dias de Paulo Bruscky e Mauricio Ianês.
Confira abaixo a programação integral da Verbo:

PH Neutro cobre de cinza a Vermelho
Depois das semanas de moda é preciso ver outras coisas, arejar, se distanciar da moda para retomar tudo com nossas pautas. Como sabem, as artes plásticas são meu refúgio preferido e a Galeria Vermelho, minha segunda casa.
Por causa do desfile da Camargo Alfaiataria não consegui ir na abertura da exposição coletiva PH Neutro. Na quinta, estava almoçando com Walter Gianini da PBW (ele também muito amigo de Eduardo Brandão) decidimos que a sobremesa seria uma visita à exposição.
Claro que uma vernissage é um momento bem especial. A gente encontra com os artistas, ganha visita guiada, explicações, conversa com os amigos, troca impressões. Por outro lado, mal vemos as obras com o devido tempo que cada uma demanda. Claro que com o passar dos anos, vamos desenvolvendo técnicas para conseguir ver uma exposição mesmo com todo burburinho da abertura. É como ver um desfile e conseguir mentalmente separar as peças do styling proposto.
A comparação não é gratuita. Passei semanas vendo muitas peças em branco, preto e cinza. Quando cheguei na exposição todas as obras eram…cinzas. Guardei esta informação e vi peça por peça. Depois vi a instalação Pic Nic do Marco Paulo Rolla que só tinha visto por fotos, já que ela permaneceu fora do país por muito tempo por conta de um imbroglio que não vem ao caso.
A questão da cor ficou ainda martelando na minha cabeça. Apelei para São Google para saber mais do significado do ^ cinza: “É a cor neutra mais perfeita, pois sempre destaca as outras cores sem influir nelas“, foi a primeira definição que li. Pense, se o branco é a reunião de todas as cores e o preto a ausência de luz, o cinza é exatamente a faixa intermediária entre as duas não-cores. Assim como o PH neutro está entre o alcalino e o ácido.
As artes plásticas não precisam exatamente destas justificativas. A gente pode ir numa exposição e simplesmente ser tocado emocionalmente pela diferentes reações que o conjunto dos trabalhos nos provocam e tudo bem. Eu que gosto de ficar pensando sobre o significado das coisas.
Continuando com minhas googadas: “A cinza é a cor da evasão, independentemente que seja uma cinza clara ou uma cinza escura. Isto se relaciona com separar-se de tudo, permanecer à margem de tudo, e fugir de compromissos impostos“.
Conheço bem os artistas que estão na exposição: Héctor Zamora, Lia Chaia, Marcelo Cidade, Chiara Banfi, Angela Detanico e Rafael Lain, Fabio Morais, Odires Mlászho. Acompanho por diferentes razões a trajetória de cada um. É interessante ver como cada um se apropria de um meio para quase uma subversão dele.
Zamora, que conheci na Bienal da Lisette Lagnado, Como Viver Juntos. Lá o interesse pelas estruturas e construções já era muito claro. Com sua permanência no Brasil e na Galeria Vermelho, ele fez uma “reforma” na casa ao lado da galeria e que hoje é um espaço de residências artísticas. A arquitetura é uma das linguagens que ele emprega no seu fazer artístico.
Em Topografias Simuladas descubro que aquelas peças não estão exatamente a venda. Você compra um CD com o desenho em CAD e pode escolher a escala de reprodução. A versão que está na Vermelho é em papel cartão que me lembro bem da época da FAUS que fazia maquetes no mesmo material. Existem outras versões aramadas ou de concreto desta série de “torres” e “coberturas”.
“Inevitavelmente, esta cor lhe leva a ser demasiado crítico consigo mesmo. Não obstante se consegue aprender da auto-crítica e tomar medidas, poderá conseguir resultados positivos tanto desde o ponto de vista de organização como em sua capacidade de compromisso com os demais”, foi outra definição sobre o cinza.
No SPFW encontrei com o Rafael Assef e ele já tinha falado da exposição. Bom aqui tenho que pegar a explicação do release, porque eu não saberia explicar os termos técnicos envolvidos. O trabalho dele é uma série de 6 fotos de “uma tatuagem captada em RAW, que na fotografia digital, equivale ao negativo na fotografia analógica, ou seja, matéria bruta que ainda não passou por tratamento.
Com o advento e total implantação da fotografia digital foram criados diversos programas de computador para tratamento de imagem. O Capture One PRO é um desses programas que funciona como um laboratório fotográfico onde a imagem bruta (raw) pode ser manipulada. Este programa consiste basicamente em uma série de escalas numéricas baseadas na fotografia analógica, como Exposure Compensation (EC), Contrast Compensation (CC), Saturation Compensation (Sat), Color Temperature ou Tint e Focus Tool.
Cada uma dessas escalas tem um papel na manipulação da fotografia digital. De posse de um cinza neutro específico, Assef criou tabelas com cada uma das funções mencionadas acima. Cada tabela gerou uma escala distinta de cinza estabelecendo assim sistemas organizados de manipulação da imagem digital. A obra reflete, portanto, acerca do próprio suporte da fotografia”.
Marcelo Cidade tem uma linha de trabalhos onde a crítica é sempre presente. ^ Mercado Neutro (2008) é composta por 375 embalagens de plástico embutido cinza, dispostas de forma semelhante às estantes de supermercado.
Não é a primeira vez que ele retoma elementos de supermercados na sua obra. Em tjolos de concreto ficam empilhados num carrinho de compras. Além da crítica ao consumo, produção em série, também tem uma visão interessante sobre relação do artista em geral com o mercado de artes, a produção de múltiplos. O que chama a atenção nos últimos trabalhos deles é o rigor plástico cada vez maior.
“A cor é algo que nos é tão familiar que se torna para nós difícil compreender que ela não corresponde a propriedades físicas do mundo mas sim à sua representação interna. Ou seja, os objetos não têm cor; a cor corresponde a uma sensação interna provocada por estímulos físicos de natureza muito diferente que dão origem à percepção da mesma cor por um ser humano”.
Temos aqui uma questão chave das artes e da cor: uma dupla camada de representação. Ao retirar a cor dos objetos representados, ou nivelá-los a uma única cor, o cérebro tem que se adaptar a nova situação. Esta simples operação, esta mudança da observação (ou contemplação) muda nossa percepção do mundo. Voltam os sentimentos que tenho em relação a ela, diferente das citações do Google.
Silêncio, sobriedade, melancolia. Estes sentimentos voltaram a tona com a exposição. Na moda, lembrei que há anos atrás era uma cor bem masculina e não valorizava muito as mulheres. Depois, com tantos empréstimos do guarda-roupa masculino pelas mulheres, pelos novos papéis de poder que a mulher exerce, nossa percepção desta cor na moda mudou também.
Vale olhar, além das ultracores realistas do v PIC NIC de porcelana do Rolla, do espaço Tijuana. Várias obras dos mesmos artistas e de outros, ajudam a fazer um delicado contraponto com PH Neutro. Certas obras que estão lá, iluminam o cinza que está ao lado.








