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Costanza Pascolato no UOL
Costanza Pascolato, a maior pensadora de moda do Brasil segundo Vitor Angelo e Alcino Leite esteva ontem no Bate Papo do UOL para falar sobre o lançamento do seu terceiro livro “Confidencial”, no dia 06 de julho.

Foto: Vitor Angelo Scippe
Claro que o furo de reportagem é do Vitor Angelo para o Virgula, numa matéria que só ele na sua intimidade com ela poderia fazer:
No Bate Papo ela definiu o livro desta forma:
“Ele não é exatamente uma biografia, mas como todo me perguntam o que faço para continuar sendo ativa e elegante, eu na verdade nem me acho tão elegante assim. Depois que lido com muita cor na fábrica e fico no aprefeiçoamento do que virá e parece que quando estou usando uma cor já estou ultrapassada. A edição foi da Marcia Cabral
Eu sou uma pessoa esforçada, disciplinada. Como neste livro tem bastante coisa falando sobre disciplina achei que iriam me achar uma chata, mas ao longo do tempo esta disciplina é uma grande vantagem.
Foi um trabalo muito amoroso, porque foi editado como sou. Então é uma mistura do que aprendi ao longo do tempo, se sou assim é porque aprendi um monte de coisas e tomei cuidado de ficar somando tudo isto. E não sei por que alguém gostaria de ser eu, pois ela pode ser ela no melhor dos mundo. Eu tentei colocar eu mesma, o que é um produto, então vou trabalhar este produto como se fosse um bolo com ingredientes legais, batendo a massa até ficar legal. Então cada pessoa pode pegar o que tem de melhor e de pior e ir corrigindo ou ir olhando para o que é melhor”.
Perguntaram se o brasileiro é elegante ou copia muito:
“A mulher brasileira tenta mais do que o homem na idade adulta. Ela é muito mais cuidada do que o homem, não pára diante de nada, se for para fazer ginástica ela faz, o cabelo é impecável. Em poucos povos do mundo a mulher é tão bem tratada como a brasileira. O homem está começando a se tratar mais. Hoje vemos casais em que a mulher está muito elegante, bonita e bem tratada e o homem de camisa e calça branca… Então o homem ainda precisa fazer uma forcinha. Hoje não tem uma moda que não seja um pouco bastarda, uma mistura de tudo, porque a informação é universal. O que estou sendo como produtora de matéria-prima para roupas é que o Brasil está rapidamente alcançando uma espécie de autonomia não só nas cores e tendências, mas também disso. No Brasil peças conhecidas lá fora e são copiadas no mundo inteiro, tem tanga asa-delta americana ou francesa, mas vieram do Brasil. E como vivemos uma vida muito menos formal do que em outros países do mundo, usam menos roupa, são menos formais”.
Uma ótima pergunta foi: há tanto tempo se dedicando à moda, como a senhora vê o atual momento da moda brasileira? acredita, como disse Didier Grumbach em palestra recente no brasil, q não existe mais moda local?
“Está errado, ou seja, tem que distinguir as coisas. Claro que não fazemos uma moda “tucano” e “coqueiro”, o que é uma bobagem mutio grande. E nunca fizemos artesanatos, tem tímidos artesanatos pelo Brasil afora. O ideal seria a integração da indústria com o artesanato. Poderia haver mais integração. Mas existe uma preferência nacional por certos modelos, certos tipos de roupas _falando ao que se usa na realidade, não falo de passarela. Mas estamos em um processo avançado no estilo de moda. O brasileiro gosta de moda, se interessa, é uma coisa a flor da pele. A mulher é muito feminina neste país, então é a que puxa este cordão”.
Em outra parte do chat, ela continua a falar sobre identidade da moda brasileira, que também comentou na entrevista do Vitor:
“Precisamos assumir com mais coragem. Somente um país com bastante cultura e segurança de moda, que não tenha medo de ousar em ser diferente. O que achei mais legal da semana de moda foi a ousadia de alguns estilistas que brincaram com algumas coisas que poderiam ser bregas, que fossem mal-interpretadas. Nós nos emocionamos com coisas bem feitas. Não somos preconceituosos com a nossa regionalidade. O que falta é dinheiro e ter coragem. Temos que nos estruturar mais, ter mais poder para podermos fazer as coisas melhores e arriscarmos mais. Uma coisa é a imagem de passarela e outra é a escolha do que se vai colocar na loja”.
Esta eu já sabia, pois ela me comentou certa vez que como se sentia meio isolada do mundo na fábrica Santa Constanza, ela adorava ler os blogues:
“É impossível acompanhar todos, mas adoro blogs. Eu fiz uma coluna na Vogue em 1995 sobre blogs. Daí os brasileiros começaram e foi muito rápido. É difícil saber onde estão todos os blogs, não acompanho todos. Blogs de moda em português eu conheço quase todos”.
Sobre moda x grana:
“No livro “Confidencial” tem capítulos que diz que a falta de dinheiro te deixa muito mais criativa. Eu já estive falida, rica, vivi todos os lados. Tinha o conhecimento, o olhar e lembro que nas época em que tive menos dinheiro, sem ser palpérrima, eu via que tinha muito mais imaginação, procurava com mais afinco o que eu gostava e em qualquer lugar. Para nós que somos da moda fomos as primeiras a comprar nas Lojas Marisa, C&A etc. que estão muito melhores do que já estiveram, cresceram muito. Então temos uma moda muito mais democrática, está ao alcance de todos. Temos brechó etc. há infinitas possibilidades”.
Ela não é mesmo incrível???
A Geovanna Morcelli do UOL acabou de me passar o código do vídeo com a entrevista completa!!! Tks a lot!!!
Novidades da segunda edição do Premio Moda Brasil
Ano passado fiz uma crítica bem dura sobre a primeira edição do Prêmio Moda Brasil, organizado pelo José Mauricio Machline e Tininha Kós. Soube recentemente (de fonte segura) que este post foi lido pela própria Tininha e que ela acabou concordando com os pontos que eu descrevi na época.
Gloria Kalil a grande vencedora da primeira edição do Premio Moda Brasil
Em março, a produção do Prêmio solicitou meu material para as categorias de Jornalista de Moda e de Blog. Fiquei em dúvida na época, mas como tinha até 05 de setembro para entrega do material, deixei de lado a história.
Semana passada, eis que recebi o convite para ser um dos jurados este ano. Explicando melhor. Além do Conselho formado por Carlos Jereissati Filho, Presidente do Iguatemi, José Mauricio Machline, Tininha Kós, Paulo Borges, Costanza Pascolato, Flávia Lafer, Regina Guerreiro, Patrícia Carta, Bob Wolfenson e Patrícia Veiga, haverá um Conselho Seletivo que indicará os pré-selecionados aos jurados não apenas pela inscrição voluntária dos concorrentes, mas também através de uma ampla pesquisa realizada pela produção do evento em todo o país em busca de potenciais candidatos.
O Prêmio Moda Brasil contará com um corpo de jurados de cerca de 100 pessoas com expertise no mundo da moda, indicadas pelo Conselho. Serão profissionais da área que residem em todo o território nacional. Cada jurado acessará o sistema de votação através de um site, pelo computador. No sistema será possível
visualizar todos os concorrentes e suas criações por categoria. A nota deverá ser dada no momento da visualização de cada apresentação.
Caberá ao júri apontar três finalistas em cada categoria entre os candidatos selecionados. Serão anuladas as notas dadas pelo jurado que tiver qualquer tipo de envolvimento profissional ou pessoal com a categoria a ser julgada.
Respondi para a produção que aceitava ser um dos jurados, mas que por esta razão, não enviaria meu material para nenhuma das duas categorias por uma questão ética. Mesmo sabendo que nas categorias em que eu concorresse meu voto não seria válido, sou do tempo em que membros do juri não deveriam se inscrever. Ponto de vista pessoal e intransferível.
A grande novidade este ano é que na categoria Veículo – Mídia Eletrônica: Serão considerados veículos
eletrônicos: TV, blogs e sites. A apresentação para os jurados será feita através de uma mostra do trabalho de cada concorrente. Esta categoria será subdividida em três, serão entregues três prêmios:
a)Programa de Tv
b)Site
c)Blog
Então, minha gente blogueira, vamos lá! É a hora de fazer a diferença, não é mesmo. A ficha de inscrição e o regulamento estão no site. Boa sorte a todos! Como disse, vocês tem até o dia 5 de setembro para enviar o material de vocês.
Regina Guerreiro, Gloria Kalil e Costanza Pascolato falam do começo da moda da Abril
Ontem começou a Semana de Moda da Abril, evento fechado voltado aos profissionais da área da editora. Para dar a largada nada melhor do que falar dos tempos heróicos do comecinho da sua história. Para tanto convidaram para compor a primeira mesa: Regina Guerreiro, Gloria Kalil e Costanza Pascolato.
É um momento raro ver as 3 juntas falando sobre a história da moda. Foi um bate papo bem divertido, cheio de histórias ótimas. O mediador foi o Thomaz Souto Correia, que começou como redator-chefe da Claudia aos 25 anos na década de 60 e hoje é diretor editorial da Abril, deu o tom da conversa: “Estou nesta mesa que é impossível de controlar”, se referindo as “feras” que estavam lá.
Sabiam que a Costanza Pascolato já teve um programa de TV???
Ele apresentou cada uma delas, dizendo que a Regina Guerreiro começou na Abril em 1964 e foi a que mais tempo esteve pela editora. A Gloria Kalil foi para lá em 1968, primeiro na Claudia e depois no Departamento de Moda. Costanza Pascolato começou em 1970 fazendo decoração, moda e até gastronomia. Ou seja, a gente estava diante do início do que chamamos de moda no Brasil, da descoberta de como fazer editoriais.
Regina foi a primeira a falar. Fez questão de dizer que era jornalista formada e tinha desprezo pela moda porque achava uma questão menor. A mudança veio quando percebeu que a moda era muito mais do que roupas. Era a época que o homem pisava na Lua e Courreges e Pierre Cardim estavam fazendo uma revolução na moda e comportamento.
“Eu fui fazer uma matéria sobre a chegada de Pierre Cardim no Brasil e usava um tailleur cinza. Quando fui no aeroporto vi 10 modelos descendo todas vestidas com aquelas roupas geométricas e futuristas. Nunca me senti tão fora do meu tempo com aquela roupa que eu estava”.
Nas imagens que eram apresentadas de seu trabalho tanto na Manequim quanto na Elle, já dava para perceber as características principais da Regina: o texto afiado, a edição de imagens impactantes, o apuro da notícia de moda:
“Eu sempre me preocupei com os títulos das matérias e com as fotos. Uma matéria de moda tem que comunicar o que voce está querendo mostrar. As fotos dos anos 90 trouxeram muita atitude, mas algumas não mostram aquilo que é notícia. Você via por exemplo uma foto numa matéria com o rosto deslumbrante de uma modelo e só um pedacinho da roupa”, explica Regina.
Ela diz que o problema hoje é que tudo é uma grande reprise do que já foi feito. Não existem grandes vôos. “É preciso retomar a força da notícia. Os produtores de moda hoje viraram office boys de luxo. Tem uma matéria e eles mandam o tema para as assessorias e recebem um monte de sacolas. É necessário ir ver pessoalmente as coleções”, alfineta a editora.
O incrível é que o que vimos e ouvimos da “Legendária”, como a chamo, é de uma atualidade ímpar. As imagens apresentadas mostram um cuidado, uma elaboração, numa época em que nao haviam agências de modelos, tratamento de photoshop. Era tudo feito na raça, como bem lembrou Souto Correia: “Muitas vezes eram as amigas ou mesmo as jornalistas mais bonitas que ilustravam as matérias. A Manequim foi a primeira revista a ter um time de modelos exclusivas”.
Gloria Kalil teve uma passagem curta pela Abril. Ela foi convidada para integrar o Departamento de Moda da Abril que reunia todas a produção de moda da editora: “Na verdade a gente produzia para 3 revistas”, conta Gloria, Depois ela passou para a redação por onde ficou por 3 anos até que ela se tornou empresária de moda e lançou a Fiorucci no Brasil. Depois ela lançou livros, sendo que a primeira edição do Chic está fazendo 12 anos, fez o primeiro site de moda do Brasil, o Chic, e é consultora de moda.
A história da Costanza Pascolato também não deixa por menos. Sem o menor pudor ela começa dizendo que depois da separação de seu primeiro marido, ficou sem dinheiro ela teve que trabalhar e foi bater na porta pedindo emprego: “Eu era uma dondoca e não sabia fazer muita coisa e ninguém queria me contratar. Fui falar com a Regina Guerreiro, porque admirava o trabalho dela e disse que trabalharia de graça e ela me respondeu: Eu não contrato gente que usa Saint Laurent”, que provocou muitos risos na platéia.
Regina e Gloria comentam sobre elegancia da Costanza
Regina respondeu: “Mas é claro, a vida de produtora de moda não era fácil. A Costanza era uma visão. Mas não dava para imaginar ela como uma produtora de moda”.
Mesmo assim, Costanza foi trabalhar na Abril e sua primeira produção foi de móveis na Teodoro Sampaio. “Eu fui lá e vi um monte de móveis do tipo colonial e resolvi pegar uns tapetes persas lá de casa. O Atilio Baschera me disse: “Você acha que a leitora vai poder comprar estes tapetes, Costanza?”
Ela continua suas histórias divertidissimas: “Eu fui para Itália produzir um editorial e fui no Armani. Eu estava com uma roupa do Kenzo e acho que ele foi com minha cara. Contratei fotógrafo, umas modelos e fomos fotografar em um parque. Um policial disse que sem autorização eu não poderia fotografar com tripé. Perguntei, em italiano se eu poderia fotografar sem tripé, e ele respondeu que sim. E foi assim que fizemos o editorial. Eu pensava que ia ser a Diana Vreeland brasileira”, disse rindo.
Todas foram unanimes em dizer que nós precisamos sair da burocracia que estamos mergulhados no mundo da moda atual. “Precisamos fazer editoriais e matérias que tenham mais ressonãncia com o mundo atual. É preciso ter mais curiosidade e cultura de moda. Porque muita gente acaba fazendo coisas que já foram feitas e acha que está reinventando a moda. Saber para quem está se falando, qual o público alvo”.
Costanza afirma que a gente tem que ser mais especulativo nas matérias de moda, ou seja, dentro do formato que cada um tem, dá para ir mais longe. Ela fez uma declaração super legal sobre os blogues diizendo que somos a coisa mais interessante como material de pesquisa hoje
Amanhã estarei ao lado do Alcino Leite e da Renata Piza para discutir blogues de moda, mesa mediada pela Elaine Sanches.
Moda no Brasil (ainda) é uma profissão de fé…ainda bem!
Ontem no lançamento do programa sobre Ronaldo Fraga, dentro da série Nomes da Moda, teve muito de celebração, reencontros, conversas, longe da correria das semanas de moda. Tem uma coisa dentro do circo que se arma 2 vezes por ano, que tem gente que só encontramos neste momento, como bem lembrou Ronaldo no seu brevíssimo discurso, antes da exibição do programa.
(Eu depois que li este texto confesso que parecia algo como quem-ele-pensa-que-é-contando-sobre-uma-noite-e-suas-conversinhas…Mas é que saí do evento com uma sensação boa, e compartilhar coisas boas, nunca é pouco, nunca é demais)
Fui com minha amiga-vizinha-colega de profissão Denise Dahdah e o stylist Rodrigo Polack. Já no caminho atualização de conversa e matança de saudades, já que nem sempre e nem pelo MSN conseguimos conversar. Lá, recebendo na porta, Vicente Negrão, amigo íntimo e que não víamos desde o carnaval. De cara, o Lao de Andrade, diretor do programa, estava entrando e já emendamos um outro assunto.
Rodrigo Polack, Denise Dahdah e Douglas de Souza
No lindo jardim do Museu da Casa Brasileira, nos juntamos a Marcia Matsuno e ao Douglas de Souza e mais conversa boa. Chega os Chics Milene Chaves e o Eduardo Viveiros. Ou seja, aos poucos, todos nós que ralamos tanto, antes, durante e depois de cada temporada, temos esta cumplicidade de gente que sabe que o glamour está só na imagem, comentário também feito pelo Alberto Renault há certa altura do campeonato.
Cami Yahn e Alberto Renault
Aliás, ele é o criador desta série, e por dirigir vários desfiles, sabe muito bem disso. Ao revelar o que há de humano, o que aproxima todos nós da criação particular de cada estilista, ele além de fazer um trabalho exemplar para nossa recente história que está sendo aos poucos documentada, convida o público que assiste a conhecer um pouco mais sobre um universo que muitas vezes é feita de admiração ou consumo.
Como é bom ver a esposa e companheira do Ronaldo, a querida Ivana, falando dele, ou saber da boca da própria Nilza Vilela, sua costureira mor que ela não queria vir de jeito nenhum no desfile que foi feito todo em sua homenagem. Descobri hoje, que o sotaque mineiro transforma tudo em caseiro, simples e convidativo. Ao final, ela diz “não teve jeito, tinha que ser”.
Ronaldo fala disso também. Que mineiro sempre dá um jeito para se juntar, de dar este tom de família para as coisas. E eu intrometido que sou, já me sinto muito próximo desta família de tantos amigos queridos de lá. Eu demorei a cumprimentar o estilista, porque como sempre ele está cercado de muita gente.
Há certa altura, ele veio me abraçar e dizer que ele estava esperando o momento para agradecer ao vivo meu texto sobre seu desfile. Ele disse que ficou comovido por eu ter dividido uma coisa tão pessoal que o desfile me trouxe. Respondi que eu é que tinha que agradecer por ele me trazer a tona uma lembrança tão importante.
Nesta hora, encontrei com a Costanza Pascolato que se recuperava (muito bem, por sinal) de uma cirurgia, que a deixou de fora pela primeira vez em 30 anos da temporada de Milão e Paris. É sempre tão bom conversar com alguém tão sábia, bem humorada quanto ela. No meio de tanta gente, falamos de assuntos tão diversos quanto o desfile da Jil Sander e a criação de Raf Simons, de como andam bons os textos de Nelson Motta, os deep v necks que vi no Rio, numa conversa que eu adoraria ter durado mais, muito mais. Nas semanas de moda, agradeço a cada assessoria que me coloca sentado ao lado dela. A espera por cada desfile fica tão mais leve…
Teve uns revivals ótimos, como quando encontrei as Namidias Mercedes Tristão e a Marcia Fonseca. Há muitos anos atrás, eu tinha me ausentado do mundo da moda para me dedicar às artes plásticas e Itaú Cultural. Numa spfw encontrei o Vicente Negrão e perguntei se ele tinha um convite para ver o desfile do Ronaldo. Ao lado dele estava a Mercedes e disse: se tem uma pessoa que pode conseguir isso é a Mercedes. Eu não a conhecia e ela delicadamente tirou um convite e me deu. A mesma delicadeza que ela conserva até hoje.
Maria Prata e Sylvain Justum
Tem coisas engraçadas nestes encontros. Por diversas vezes vi o Sylvain Justum e também não conseguia nem dizer oi. Teve uma hora que até rimos da situação. Depois, falei com a Maria Prata e ela disse que estava finalmente estreando hoje na Fashion TV. E depois vi ela conversando com o Horacio Martin, produtor executivo da Fashion TV e me lembrei dos tempos que ambos tocavam a PISTA, revista de comportamento. Tempo passa e acontece tanta coisa…
Lao de Andrade e Thais Mol
E a Thais Mol? Linda com sua nova franjona e feliz da vida porque vai fazer um curso de chapéus em Londres! Christiane Mesquita falando do carnaval em Recife. Carol Garcia que deu só para falar oi, assim como o João Cury que deu para falar tchau?
Ronaldo Fraga
Saí de lá renovado, achando a moda é um lugar bom de se trabalhar, porque também me permite conhecer e conviver com tanta gente que eu gosto e que infelizmente dá para ver tão pouco. Mais uma vez, Ronaldo consegue juntar todo mundo da forma que ele gosta: bem familiar
Eu (com uma camisa do Ronaldo, claro) já combinando com o chef Demian Figueiredo a ida no primeiro Les Amis de Portas Fechadas de 2009. O evento mais charmoso de gastronomia da cidade. Hummmmmmmmmm
P.S.: As fotos são do queridón Alisson Louback para o site da VOGUE RG
Ronaldo Fraga é o próximo “Nomes da Moda” na Fashion TV
Tem uma história que eu adoro. Eu sempre gostei de moda e ver desfiles mesmo antes de trabalhar com isso. Eu fazia críticas de exposições e teatro para o extinto Supersite e a editora da época, Suzy Capó me perguntou se eu queria cobrir uma Casa de Criadores.
Eu já tinha trabalhado como produtor no site do Morumbi Fashion (sim, antes de virar SPFW), feito algumas notas e assisitido todos os desfiles porque uma das minhas tarefas era tirar a Costanza Pascolato da sala de desfiles e levá-la para o estúdio gravar seus comentários.
Seria minha primeira cobertura oficial. Era para fazer só reportagem, mas acabei me empolgando e a Suzy decidiu publicar meus comentários para lá de pessoais. Tanto que acabei assinando as matérias. Uma delas foi um relato bem emocionado de um desfile em que Ronaldo Fraga homenageava Jum Nakao e vice-versa. Um olhando para o universo do outro. Era uma visão muito generosa de moda e criação, fato que eu nunca esqueci.
No dia seguinte voltei no evento e para minha surpresa, tanto Jum quanto Fraga queriam me conhecer por causa do texto. Desde então nunca mais perdi um desfile deles. No caso do Jum até seu derradeiro e poético das roupas de papel, no qual fiz o release fantasma para imprensa.
Eu não me canso de ouvir e ver as histórias desfiladas pelo Fraga. No último dos velhinhos chorei muito. É um dos momentos no SPFW que aguardo com ansiedade. Tem gente no meio que não gosta, torce o nariz, mas sorry, ele é tão autêntico, tão fora das tendências, que é difícil mesmo classificá-lo no meio de 100 desfiles.
Na quarta-feira, dia 12, a trajetória do estilista será contada dentro da série NOMES DA MODA, “projeto documental que traz para a televisão os principais estilistas brasileiros que, em cada episódio, mostram sua estética e características. A produção é da Pindorama, produção executiva de Estevão Ciavatta, direção de Lao de Andrade e a direção de criação de Alberto Renault”, de acordo com o texto que recebi da assessoria da Fashion TV.
Amigos, familiares e profissionais de moda e arte que sempre acompanharam o seu trabalho também contam sobre o universo fascinante desse criador-poeta, como sua esposa e gerente de produto da marca, Ivana Nunes; as jornalistas Alexandra Farah e Camila Yahn; a leal costureira Nilza Vilela – para quem Fraga dedicou uma coleção –; a fundadora do Instituto Cultural Aletria, Rosana Mont´Alverne, e a produtora cultural Simone Yunes.
Hoje tem o lançamento do programa, depois ele passa na quinta-feira, dia 12 de março, às 22h30, com reapresentações na sexta-feira, dia 13, às 18h, no domingo, dia 15, às 11h, na terça-feira, dia 17, às 13h30, e na quinta-feira, dia 19, às 19h30. A Fashion TV é uma rede por assinatura. Mas aproveitando que eu vou estar lá hoje, uma boa idéia era lançar estes programas no mercado, assim como a TV Cultura faz, não acham?
SPFW: o catwalk masculino fora das passarelas
Já de pé e mais bem disposto, o último dia começou com o telefone bombando. Redação da PLAYBOY pedindo ajustes num texto, Joana Mendes do GNT Fashion me convidando para fazer o balanço geral do evento com a Lilian Pacce, junto da Gloria Kalil e da Leda Carderari da Gloss e o Felipe Vazques da TV UOL pedindo também uma entrevista. Uia, o modelón branco da sexta foi trocado, afinal branco na tela não fica bem e sentar ao lado das editoras poderosas, sendo o único homem e antecipando que elas sabiamente preferem roupas escuras que terminam bem melhores ao fim de uma maratona que começa cedo.
No mundo da moda a imagem é bem importante. Ah! Que conclusão brilhante, hein? Explicando melhor. Desde que troquei meu CPF pelo CNPJ da Playboy que não me sinto confortável para sentar na fila A com os modelos absurdos e divertidos de outrora. Estou lá representando um veículo, portanto, tem mudança de figurino sim.
Tem gente que acha tudo isso uma bobagem e talvez seja mesmo. Porém se no mundo corporativo a roupa faz parte do marketing pessoal. Aparência, postura, network, também contam pontos além da competência pessoal. Imagine então quando seu business é moda?
Costanza Pascolato é a uma iluminação fashion como diria Adriano Costa. Aqui no desfile da Amapô, sim ele adora ver jovens estilistas. Sim, o casaco é Prada e ela diz com a naturalidade de sempre que comprou porque a peça é histórica. Sim, a gente vai ter que reencarnar muitas vezes para se chegar com a elegância, humor e o olhar que ela tem da moda
Claro que no mundo masculino da moda isso conta menos do que no feminino. As editoras de moda estão lá sinalizando muito melhor com suas infinitas possibilidades os hits da estação, a it bag do momento, o novo corte de cabelo, aquilo que lhe cai melhor e por aí vai. Costanza Pascolato é o topo e a síntese do refinamento que a Fila A pode chegar no Brasil
Alcino Leite (foto: Midori De Lucca/Vogue RG)
Mas os homens que cobrem moda, com pequenas sutilezas, e menos atenções também vão dando seus recadinhos. Numa matéria feita pela Mariana Weickert no Rio para o GNT Fashion descobrimos que o Alcino Leite leva sempre um terno para compromissos e entrevistas mais formais e que o Paulo Martinez tem seu guarda-roupa de viagem todo editado por cores.
Paulo Martinez (foto: Midori De Lucca/Vogue RG)
O Lula Rodrigues expert em moda masculina e em especial em streetwear, tem uma coleção invejável de chapéus bem bacanas e sempre está tem um item de cor no seu outfit. Sylvain Justum é a própria personificação da palavra cool, tem uma coleção de pólos coloridas, malhas bacanas, uma bolsa masculina de tamanho exato, um sapato preto de bico fino de cortar os pulsos e calças de shape seco e usou até saruoel de cavalo bem baixo nesta temporada. Outro na linha cool e sempre com toques atuais, como um chapéu aqui, um colete acolá, com shape fit e casual, sem nenhum exagero, está Jeff Ares da Vogue RG.
Lula Rodrigues (foto: Midori De Lucca/Vogue RG)
Os mais jovens e modernos, como o Eduardo Viveiros, Glauco Rodrigues, Luigi Torres, Jorge Wakabara podem ser mais ousados nos seus looks. Viveiros mistura macacão e gravata, calças mais curtas, e tem peças de jovens estilistas com peças de brechós. Glauco Sabino usa macacão, óculos wayfare coloridos, peças de jovens estilistas e às vezes pode estar bem simples, mas sempre com algum item bom para levantar o look, afinal estar muito montado atrapalha no corre-corre interminável. Lugi Torre que tem um pouco de medo de parecer fashionista demais, acertou em cheio ao usar camisa-saia do Alexandre Herchcovitch.
Jorge Wakabara para Casa de Narcisa
Pesando prós e contras do que usar, já que por dois dias já tinha usado gravata-borboleta, camisa social com calça pantalona de alfaiataria, conjunto de jaqueta e calça de linho terra com colete de linha cinza e tatuagem a mostra, tinha deixado o look branco total para o último dia: jaqueta militar com bermuda de alfaiataria. Como parecer bem e ao mesmo tempo informado, sem ir além e sem ficar aquém, era a equação para ser resolvida.
Gravata-borboleta (foto: Midori De Lucca/Vogue RG)
Entre o macacão bege com blazer de linho, calça de montaria com paletó azul de dois botões, fiquei com a mais tradicional escolha possível: costume azul-marinho. Não tem erro. De imediato dá a sensação de solidez e responsabilidade para quem te olha. É um clássico que veio numa versão mais fit e com 2 botões. O toque fashionista ficou por conta da camisa com estampa liberty usado com gravata xadrez, lenço branco no bolso do paletó, além da barra enrolada da calça com meias de padrão argyle preto e cinza com boots de couro preto italiano no lugar do sapato de bico fino que tinha massacrado meus pés dois dias antes.
O look escolhido (foto: Midori De Lucca/Vogue RG)
A prova dos nove veio com a porção de elogios do povo da moda, pouco acostumados a me ver de costume e gravata. O look aguentou bem até o jantar na casa do Houssein Jarouche com direito a pista de dança até ao amanhacer.
O resultado pode ser visto hoje (sábado) na edição especial do GNT Fashion. Eu continuo achando que sou grande demais para o vídeo, porém o figurino ajudou bastante para amenizar o efeito engordativo da câmera!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk















