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Vencedores do 8o. Prêmio Sergio Motta e algumas breves reflexões
Saiu a lista dos vencedores do 8o. Prêmio Sérgio Motta do qual fiz parte do corpo de jurados, que contou ainda com a Claudia Gianetti, Fernada Takai, Moacir dos Anjos, Ronaldo Lemos. Há anos atrás eu participei como produtor executivo do Prêmio Transmidia do Itau Cultural, então sabia como era reunir profissionais de diferentes áreas para discutir.

Para minha surpresa, foi um juri bastante civilizado, não teve nenhuma discussão mais acalorada, que digo são bem comuns. Isso não quer dizer que o debate não tenha sido bom. Foi e muito. A primeira coisa que saltou aos nosso olhos foi a quantidade de inscritos com portifolios ruins.
A mudança neste ano, é que não estava premiando projetos ou obras, e sim trajetórias. Isso pesou muito na decisão. Como vamos avaliar trajetórias quando não temos como avaliar? Fizemos um esforço conjunto, para procurar mais informações, dividir nossas experiências sobre o conhecimentos de determinados artistas, para ver como resolver a questão. Uma prova de fogo!
Eu não vou entender e nem quero me esforçar muito para isso, mas como um artista que está no meio tecnológico, não tem nem um site que se proponha a apresentar minimamente decente seu trabalho??????? Eu por mim, gongaria de cara! Mas o juri era bem mais polido do que eu, com certeza.
A segunda questão, mais grave ainda, é o próprio artista não saber em que categoria se inscrever. Eram duas: início de carreira e meio de carreira, ou seja, artistas com mais de 10 anos de experiência. Vamos combinar que participar de uma coletiva obscura há dez anos atrás, não pode ser considerado um marco na vida de um artista.
Baseados nisto, chegamos a dividir um prêmio entre 2 artistas: Camila Sposati/ Fernando Velázquez. Sobre isto está escrito de forma bem educada no statement do juri: “Por outro lado, considerou propício conceder um prêmio ex aequo como uma forma de incentivo a dois artistas que, estando no limiar da construção de seu próprio discurso, demonstram competência para consolidar, no futuro, suas trajetórias artísticas”.
Junto com o prêmio devia vir um puxão de orelha e para desenvolverem uma capacidade de autocrítica. Considera-se 10 anos de carreira como um processo de amadurecimento artístico, de proposições e pesquisas, numa área que não é muito fácil, em que pese os avanços tecnológiocos e a maior acessibilidade de meios para realizar uma obra.
O terceiro ponto, eram artistas que já foram contemplados em anos anteriores e um certo comentário no meio que sempre são os mesmos premiados, que teria uma certa ”panelinha”, etc, etc, etc. Bom, até tentamos num primeiro momento deixar de fora os anteriormente premiados, só para análise de todos os artistas que foram finalistas e não como um critério de exclusão.
Numa segunda rodada, começamos a pensar que de fato, se estávamos ali para premiar trajetórias artísticas, tinham alguns nomes que não dava para não dar o prêmio. Afinal, além de terem bons trabalhos, apresentaram um amadurecimento desde que foram premiados.
Agora, o que penso no fim das contas, que a própria noção das relações de arte e tecnologia devem ser revistas. Eu acho que há uma diferença entre a “arte plugada”, ou mais popularmente uma arte que está diretamente ligada na tomada e uma arte que só pode ser pensada depois do advento tecnológico.
Ao meu ver, e sem ainda ter conseguido formular um pensamento completo para isso, porque eu teria que parar, pesquisar, e me aprofundar sobre o assunto, e como não penso em fazer doutorado, mas existe uma parcela significativa de artistas, e não estou falando apenas de jovens, que sua arte só é possível depois de certos avanços tecnológicos, que mudaram a visão do mundo que estamos vivendo hoje.
Mas isso é outra questão. No final das contas, foi ótimo participar do juri, rever amigos muito queridos, tanto entre os jurados, quanto dentro do Instituto Sergio Motta, voltar a discutir arte, já que estou cada vez mais bissexto na área, e ver a quantas anda a produção nacional. O saldo foi superpositivo. Segue a lista dos contemplados:
Início de Carreira (dois prêmios de R$ 10 mil cada)
Fernando Rabelo
Jarbas Jácome
Meio de Carreira (quatro prêmios de R$ 30 mil cada)
Arthur Omar
Leandro Lima e Gisela Motta
Rejane Cantoni
Camila Sposati/ Fernando Velázquez (prêmio dividido entre os artistas,
por decisão do júri)
Hors Concours (R$ 40 mil)
Carlos Fadon Vicente
Os prêmios serão entregues no dias 3 e 4 de novembro de 2009, durante o fórum A&T-Perspectivas Críticas em Arte e Tecnologia, em São Paulo.
Para quem quer saber mais sobre o prêmio pode ver aqui, e tem uma galeria online dos artistas premiados, ok?
Este é o vídeo com os artistas premiados:
2 dias imerso em Arte e Tecnologia!
Estou meio ausente, mas por bons motivos. Durante dois dias fui um dos jurados da 8a. edição do Premio Sergio Motta de Arte e Tecnologia. É uma experiência muito intensa analisar 34 indicados este ano entre os finalistas, ainda mais que houve uma mudança conceitual importante: não era um projeto ou obra realizada que estavam sendo analisadas e sim trajetórias.
Para a etapa final do Prêmio tive como companheiros Claudia Gianetti, Fernanda Takai, Moacir dos Anjos e Ronaldo Lemos. Tenho plena consciência que hoje em dia meu trabalho está muito mais ligado a moda do que a arte, mas tenho um certo conhecimento acumulado exatamente nesta área, por causa do Itau Cultural e da Base7.
A maioria dos nomes indicados eu conhecia e os que não recebemos links e biografias que dava para entender muito bem cada um.
É engraçado quando a gente muda de crachá. Para se ter uma idéia, num dos intervalos estávamos conversando sobre moda e sua posição num mundo tecnologizado, e não é que não me vinha o nome do Houssein Chalayan??? Tive que dar uma googada para lembrar!
O juri com toda sua diversidade teve discussões muitíssimo interessantes e as decisões foram todas muito bem embasadas e discutidas. Foi muito bom também contar com as informações da história do Premio, além de prestar quaisquer esclarecimentos, já que a Renata Motta (coordenadora), Giselle Beiguelman (direção artística), Camila Drupat Martins (coordenadora de projetos), Luciana Dacar (coordenação de produção), Aline Minharro Gambin (produção) e a Marina Gazire (editora do blog e Twitter) ficaram ao nosso lado o tempo todo. E teve também Marcus Bastos que fez parte do juri de seleção.
No final ainda teve direito a festa, já que a Renata Motta foi aprovada no seu doutorado ao mesmo tempo que estávamos na reta final de decisão.
Bom, eu não vou poder falar mais do que isso, já que o resultado só será anunciado em novembro. Mas dá para ver um pouco da discussão e do clima no Twitter do Prêmio.
Sair um pouco do mundo da moda, respirar novos ares, debater sobre outros assuntos, é sempre muito bom!
Que tal se inscrever no Premio Sergio Motta???
Fui convidado pelas mais-que-queridas Renata Motta, Giselle Beiguelman e Luciana Dacar para ser juri do 8o. Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia ao lado da Claudia Gianetti (crítica e curadora de arte digital e novas mídias), Fernanda Takai (vocalista da banda Pato Fu), Moacir dos Anjos (crítico e curador), e Ronaldo Lemos (coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito PFV-RJ e do projeto Creative Commons no Brasil). Chic, não?
Para quem me conhece só do mundo da moda, sim também tenho envolvimento com as artes plásticas, em especial arte e tecnologia no tempo que trabalhei no Itau Cultural, Base7 e Galeria Vermelho. Ah! Também fui um dos projetos finalistas na 4a. edição deste Prêmio. Então, estou em casa.
As inscrições devem ser feitas até 5 de julho no site do Instituto Sergio Motta. Esta edição contemplará obras em meios eletrônicos e digitais, incluindo as seguintes áreas:
-Artes Interativas (ambientes imersivos, instalações interativas, simulação computacional e games);
-Arte e Ciência (vida artificial, arte transgênica, bioarte, robótica, inteligência artificial, sistemas de visualização e nanoarte);
-Artes do Corpo (vídeo-dança, vídeo-performance, dança digital e performances ao vivo de DJs e VJs);
-Artes Sonoras (composições digitais, eletrônicas ou eletroacústicas, remixes e instalações sonoras);
-Imagem Digital e Animação Computacional (vídeo, videoinstalação, dispositivos, animação, efeitos e simulações computacionais);
-Visões de Rede (ciberliteratura, poesia visual e sonora, webarte, dispositivos móveis e mídias locativas).
No total, serão concedidos R$ 180.000,00 (cento e oitenta mil reais), distribuídos entre 7 (sete) prêmios: 4 (quatro) prêmios para Criadores em Meio de Carreira, 2 (dois) prêmios para Criadores em Início de Carreira e 1 (um) prêmio Hors Concours.
Vai lá e vê se anima para inscrever um projeto!!!
