Posts Tagged ‘Alexandre Herchcovitch’

postheadericon SPFW#2: Alexandre Herchcovitch e as mais lindas mangas do verão

Como disse uma vez o falecido crítico de moda Colin MacDowell: “O mundo da moda não tem meias medidas. O estilista tem que saber o que gosta e não gosta com profundidade, tem que saber analisar, saber desmembrar uma roupa. Entender a si mesmo e ao mercado e saber o que ele quer de você”. Alexandre Herchcovitch nesta temporada provou isto com louvor!

Iódice sobe5

Confirmou! Na temporada carioca cansei de repetir: simplifica que melhora! O preto e branco da Iódice ficou muito chique, discreto, sem grandes alardes. O vestido branco de Aline Weber com cintura marcada e saia godê é um ótimo exemplo. Os marrons entraram bem, mas o amarelo e o vestido de lenços da Vivi Orth poderiam ter ficado de fora, porque quebraram toda a história do balneário elegante que o Waldemar tanto busca e não é de hoje!

Ellus sobe5

A idéia da Ellus foi colocar o trabalho do backstage a vista de todos, estas coisa de vida real que todo mundo gosta de ver. O efeito ficou ótimo. Mas um bom desfile, não quer dizer uma boa coleção. Tivemos que esperar terminar o desfile feminino que não teve tantas novidades, sendo as melhores peças em jeans mesmo (tirando os lamentáveis rasgados) para ver uma ótima coleção masculina.

Como já vimos, a estampa floral é um dos hits da estação e a inspiração havaiana trouxe prints de flores em cores fortes usadas com caqui militar. Os jeans ganharam também cores fortes com o lindo azul royal, o bom delavê clarinho e até efeito tie-dye. As calças com gancho mais baixo, bem relax, foram também destaques. O debrum florido discreto usado nos casacos também demonstram cuidado extra na coleção.

Depois de um inverno sem nenhuma inspiração, só de ver o masculino deu um up bem forte para a marca, num verão onde as coleções masculinas estão muito boas.

Água de Coco namesma

Pela nossa excelencia em moda praia, parece que as marcas querem inventar mais do que precisa. Tudo bem Lenny e Rosa Chá fazerem dos seus desfiles uma vitrine para mostrar novas possibilidades para maios e biquinis. Agora marcas como Cia Marítima e a própria Agua de Coco deveriam se preocupar com a mulher real, que precisa de moda praia de verdade.

Me diga qual mulher iria usar uma alça tão larga? Ou tangas irregulares? Melhor quando ela aposta mesmo em detalhes como os cintos, bem charmosos, em maiõs e biquinis. Isto sim é uma evolução e pode ser usado sem medo.

Alexandre Herchcovitch sobe5

As mais belas mangas do verão!

Geometria é um tema caro para o estilista, que sempre se precupou com a modelagem de suas peças. No inverno de 2008 ele investiu forte nisso, naquilo que chamei de geometria da sedução. Se naquela coleção as partes geométricas não eram armadas, ao contrário da coleção inspirada no futebol americano do verão 2010 em que as mangas eram mais estruturadas, chegando no exagero daquelas meio orelhas de Mickey que encerrou desfile.

Agora, as mangas ganham pences, volumes que se soltam e se prendem, num exercício de vestidos até mais palatáveis e comerciais, no bom sentido, porque eram belos e  fortalecidos pelas estampas e cores inspiradas na arte abstrata de Mark Rothko, artista que se suicidou em 1970 e que costumava dizer que o silêncio era mais acertado.

Cori sobe5

Foi a melhor coleção até agora desenvolvida pela Gisele Nasser e Andrea Ribeiro, principalmente quando elas aplicam as flores inspiradas nas pinturas dos viajantes que vieram em expedições científicas ao Brasil no século XIX. A força do floral faz com que as formas sejam mais simples e menos complicados que os vestidos com plissados. Ainda assim, a Cori vai se tornando muito mais feminina nas mãos da talentosa dupla, especialmente Nasser que aos poucos vai incorporando sua técnica ao repertório da marca, como o lindo casaco cinza desfilado pela Bruna Tenório.

Osklen sobe5

Depois de um inverno bem conceitual em feltro e formas geométricas bem armadas, a Osklen volta as origens mais calmas que fez sua fama: malharia sofisticada com ar relax, sem deixar a elegãncia de lado. As peças foram tingidas com pigmento azul natural e no desfile vai começando bem clarinho, passando pelo ton sur ton até chegar num azul profundo.

Do passeio por estas águas calmas, tem espaço também para redes e nós de marinheiros, que dão bonito efeito em sobreposições tanto femininas quanto masculinas, assim como transparências. Bom ver a continuidade de um trabalho que não se cansa de mostrar quase as mesmas peças de sempre com um toque de renovação a cada temporada. Assim como aquela postura desnecessária do Oskar Metsavaht admirando a própria obra. Preguiçaaaaaa

Triton namesma2

Uma pergunta: Paris Hilton vende???? Afe, megapreguiça dela! Mas os vestidos, especialmente com franjas tem lá sua graça…

postheadericon Jovens estilistas: hora de buscar alternativas

O André Hidalgo me convidou para fazer parte de uma comissão que está analisando a trajetória dos estilistas participantes da Casa de Criadores para selecionar as 12 marcas que desfilarão no próximo evento. Ainda acho o número alto, já que somente 5 marcas cairão. Na minha opinião os cortes poderiam ser bem maiores.

manequins

Enquanto analiso 2 marcas que me couberam por sorteio, fiquei pensando uma questão. Muitas marcas que desfilam no evento não tem  produção suficiente para serem comercializadas, de acordo com uma fonte segura. Sem contar, as que nem tem moldes com as diferentes grades de numeração…

Ou seja, temos um problema grave que é anterior a Casa de Criadores e perspassa toda a estrutura da moda. É uma bola de neve sem fim. Ou seja, os jovens criadores fazem seus desfiles, a maioria com pouco apoio, e depois não têm dinheiro para produzir uma grade mínima para ser comercializada.

Resumo da ópera: o que estamos vendo são imagens de estilo, e não moda, porque só se torna moda aquilo que alcança as ruas.

A questão não é tão simples. Sei que se estes jovens não desfilarem, menos conhecidos serão e terão muito menos chances de conseguir apoio. Mas será que desfilar seria a melhor solução para eles?

Neste últimos 15 anos, vi muitos talentos incríveis que não conseguiram manter suas marcas. Não é fácil pensar o criativo x comercial e ter que lidar com questões como folha de pagamentos, negociação com fornecedores, aluguel, contas vencendo… é muita coisa. Coisas de gente grande.

A Fabia Bercsek, que encerrou sua marca recentemente, vendeu tudo e fechou sua loja. Só vai produzir sob encomenda algumas peças do seu último desfile. Ela é mais um destes talentos, agora sem marca.

Há algum tempo atrás, a agência Africa me procurou para fazer uma entrevista sobre Alexandre Herchcovitch. Eles estavam tentanto buscar subsídios para entender mais profundamente o produto Herchcovitch.

Curioso, que numa conversa com Nina Lemos, comentamos o fato que nem na liquidação estavamos podendo comprar roupas de uma de nossas marcas preferidas. Sim, o preço subiu e achavamos que ele corria o risco de perder grande parcela do seu público consumidor original e quais seriam as estratégias para alcançar um público com um poder aquisitivo maior.

Se já é difícil para gente conhecida, imagine para os desconhecidos? Mas temos que pensar sempre em alternativas.

Nas escolas de Administração, Engenharia, Publicidade, por exemplo, existem as incubadoras, que são empresas formadas por alunos e tem os professores como orientadores.

Penso, que faltam mais incubadoras, como o Ponto Zero e SCMC, ou uma linha de raciocínio como esta. Uma incubadora que conseguisse reunir outras áreas que não somente a criação de moda, mas gente jovem da área de Administração para formular um plano de negócios, gente jovem da área de Marketing, para divulgar a marca, e por aí vai.

Então, comecem a pensar vocês em alternativas, porque minha área é outra.

postheadericon SPFW: Sobe e desce do quinto dia

O quinto dia começou muito bem com a coleção masculina de Alexandre Herchcovitch, teve também um final inesperado com a Neon e as mais loucas fantasias com Lino Villaventura. O que a gente percebe nesta edição é que tiveram coleções com muitas peças boas, e pelo menos um desfile arrebatador por dia. Sim porque coleção é feita de roupas e desfile são feito de imagem, som e movimento.

Alexandre Herchcovitch (masc)

Leia a crítica

OESTUDIO down6

oestudio

Para o coletivo carioca, roupa nunca é somente roupa e eles gostam de colocar temas específicos junto do desfile, como foi a transfusão de sangue e a inclusão social nesta. Eles não desfilaram e mostraram um vídeo, formato que já foi utilizado com maestria nas apresentações masculinas de YSL, por exemplo. Aqui ficou preso a um formato de desfile comum, pouco criativo. Em poucas palavras, não precisava então usar este recurso, né? Pena, porque a alfaiataria deles avançou.

Jefferson Kulig same2

O Jorge Wakabara disse que se tornou uma diversão falar mal do Kulig e que ele era mais interessante do que a gente pensava. Eu pretendia dar o link para crítica dele, mas lá no blogsite da Lilian só tem as fotos. Então….

Neon up6

Não é fácil para uma marca como a Neon se superar a cada desfile. O Dudu Bertholini é um iclonocasta e adora imagens de moda, desfiles com modelos de atitude, pivôs, paradas dramáticas. Na moda, com muita mão da Rita Comparato, a marca liderou a volta aos anos 80. Só que não adianta ficar no mesmo lugar e época a vida inteira.

Há três coleções que a Neon está flertando com uma elegância menos estampada, mas ainda assim, com cores fortes. Neste desfile, dá para sentir uma forte imagem de divas como Katherine Hepburn e Lauren Bacall, ou de safáris que só podem acontecer no cinema, em que os cabelos e make estão sempre impecáveis.

Quando todas as modelos já estavam ao lado do imenso leão da passarela, e todo mundo já tinha guardados seus bloquinhos, entra um série de vestidos-bichos como coruja (que o Dudu ama), arraia, morcego, num delírio fashion ótimo. Podemos até dizer que o vestido-arraia é um momento minimalista (que voltou na moda com tudo) raro nas coleções da Neon.

Wilson Ranieri same2

O Wilson Ranieri fez um dos desfiles mais leves da temporada, com muitas looks  que tinham a frente de um jeito e as costas totalmente diferentes. Ele é muito talentoso, mas em algumas peças o caimento e acabamento não eram tão bons o quanto ele pode fazer. Nas peças mais simples, onde os detalhes são preciosos, isto é revelado.

Lino Villaventura up6

Ame ou deixe-o. Tem gente que acha que é uma eterna repetição e outros que são verdadeiras obras de arte. O estilo de Lino é imutável, mas os detalhes de suas roupas são modificados aqui e acolá com precisões milimétricas. O universo desta coleção são os pássaros e suas asas dão forma aos vestidos nervurados, diáfanos, com muito mais peças curtas e menos bordados do que em outras coleções. Assim, percebemos melhor os volumes, as amarrações, sobreposições, volumes sempre muito exuberantes na técnica e tecidos.

Os acessórios chamam atenção: os chapéus primorosos executados em seu ateliê e os sapatos todos bordados e rebordados a exaustão. Eu sou do time que gosta desta exuberância e delírio do Lino.

postheadericon SPFW: Alexandre Herchcovitch joga muito bem com a moda

Esta semana estávamos falando de releases, inspirações, e o quanto isto pode ser uma armadilha, porque a inspiração é apenas um ponto de partida e muito diferente no ponto de chegada. Quando as roupas chegam nas lojas, que diferença faz se a coleção foi inspirada nisto ou aquilo? Tanto que acabei pensando muito que a moda não precisa de texto.

No caso de Herchcovitch na sua coleção masculina, a referência ao filme Sétimo Selo, entre outras muitas, me fez pensar (novamente) sobre as relações entre a moda e outras linguagens.

A cena de abertura com a tela de cinema negra é iluminada por trovões e uma águia paira no céu. É ao mesmo tempo aterrador e deslumbrante. Na primeira entrada do desfile, não conseguimos nem ver a roupa direito, já que o make em forma de caveira feita pelo Celso Kamura é tão perfeita e forte, que domina tudo, aterradora e deslumbrante.

A trilha sonora feita pelo Max Blum, até traria algum conforto, pois está na memória: One Hundred Years do The Cure. Mas vai num crescendo de bateria e os modelos em um andamento mais rápido que mal dá para respirar.

A sucessão de looks muito inspirados, que assim como o feminino, e as trilhas, vai num crescendo de propostas até chegar na alfaiataria inovadora, com casacos de jacquard de lã, de um lado poncho, do outro trench, como ele tinha feito no inverno feminino.

Sem contar, que no meio do desfile tem um streetwear de primeira, como as peças em tricô com fios metalizados, chegando até um maxicasaco com capuz que parece um vestido.

Sem contar, que as leggings masculinas justas, que deram as caras em outros desfiles como Colcci, aqui são tão sexies e viris.

Sem contar, sem contar…Sim eram tantas peças ótimos e ao mesmo tempo atemporais, destas que a gente pode ter no guarda-roupa por muito tempo, sem datar, sem desfiar, sem acabar.

A sedução do desfile passa por aí. A técnica e o acabamento são impecáveis. Eu perguntei para o Herchcovitch se ele estar na InBrands tinha a ver com este momento de poder ter tecidos incríveis. Ele disse que não. Que a InBrands cuida da administração e ele continua investindo nisso: em bons tecidos, ao lado de outros bem baratinhos como a tela do começo do desfile.

Anyway, ele está em um grande momento. Mas se a gente puxar pela memória, quando ele não esteve?

postheadericon SPFW: Sobe e desce do segundo dia

Maria Bonita up6

A Dani Jenssen se inspirou em Lina Bo Bardi para fazer o inverno da Maria Bonita. A leitura centrou nos vazados, nas treliças de madeira, no concreto aparente para fazer um desfile elegantíssimo como sempre. Na época que cursei Arquitetura Lina foi minha inspiração do começo ao fim. Este diálogo que a moda faz com arquitetura que tem seu expoente máximo em Balenciaga, de certa forma, é sempre interessante aos meus olhos, porque talvez eu ainda enxergue a roupa a partir da estrutura como ela é construída.

O trabalho de Jenssen não é óbvio e talvez vá até o oposto do trabalho de Lina, que é mais vigoroso e seco e pouco delicado. Mas o obviedade é sempre burra. A estilista toma de empréstimo elementos da arquitetura para fazer moda e que seja coerente com a trajetória da marca.

Reinaldo Lourenço same2

Desfile fora da Bienal é um saco. Dois desfiles no mesmo dia, então, nem se fala. Como o atraso foi de uma hora, resolvi fazer outras coisas. A Camila Yahn fez um cálculo dizendo que por dia ficamos por volta de seis horas sentados nas salas esperando por menos de 15 minutos reais de desfile.

Anyway, Reinaldo procurou um caminho entre o material e espiritual para o inverno. O primeiro bloco é mais rígido com inspiração militar, Exército de Luz, de acordo com o estilista. Lá a gente vê a alfaiataria sempre ótima do estilista, as calças que ganham ziperes na barra, os tecidos e acabamentos impecáveis. No segundo bloco, vai me dando uma certa preguiça dos ombros pontudos e no último com os vestidos de festa que nunca gostei mesmo, então foi zzzzzzzzzzzzzzz.

Maria Garcia up6

Um desfile fofo e mais acertado desde a estréia no SPFW. Assumidamente um hip hop de boutique, mas com leitura esperta, misturando signos, embaralhando as regras, com um High & Low em que a cultura street serve de referência para uma coleção cheia de peças desejáveis, e muito longe de uma garota boba meio lolita sexy que vemos penkas nas passarelas.

Alexandre Herchcovitch

Leia aqui porque o desfile de Herchcovitch é o grande desfile da temporada

Cori same2

Eu acho Gisele Nasser e Andrea Ribeiro bem talentosas e melhoram  em relação a coleção de estréia. A questão é entender o que a Cori quer ser porque isso se reflete na alternancia de altos e baixos da coleção: tem momentos muito bons e outros tão irritantes com os ombros e saias arredondadas como vimos numa repetição sem fim no Fashion Rio.

Forum up6

A última coleção foi um desastre completo. Mas esta melhorou e muito. Por uma perversa coincidência, os anos 90 estão em alta na moda e foi o grande momento da Forum que depois se perdeu numa imagem sexy óbvia. Ao olhar para a própria história da marca, Eduardo Pombal fez um desfile bem interessante, sexy ainda, porém mais clean, com muitos acertos na silhueta, nos tecidose no jogo de tiras que sustentavam a parte de cima. Claro que houve muito investimento. Giovanni Bianco cuidou da direção do desfile e a incensada stylist Patti Wilson, e a supertop Lara Stone é a cara da coleção.

Samuel Cirnansck up6

Ironia fashion é sempre benvinda. McQueen já fez e muito bem quando releu os clássicos da moda. Samuel resolveu fazer a sua, não de clássicos, mas de gente absurda como o próprio McQueen, Viktor&Rolf, entre eles. É como aqueles filmes que citam outros e a gente se diverte lembrando qual. Numa temporada que tem tanto Guesquiere, foi muito melhor jogar com a memória e outras referências. No final, ele nos brinda com um mix surrealista de decor e moda. Tá ótimo!!!!

postheadericon SPFW: Saiba o que tocou na trilha do Herchcovitch

Eu gosto muito das trilhas do Max Blum há anos. Conheci o rapaz na pista dos clubes mesmo e fiquei fã dos sets deles que sempre traziam sempre novidades ótimas. Ele é um grande e incansável pesquisador de músicas e não fica só na música eletrônica, muito pelo contrário.

Vi suas primeiras trilhas, a dificuldade dele no começo, assim como seu crescimento. Ele brinca que fui o primeiro jornalista a reconhecer e falar do trabalho dele. Bobagem.

A cada temporada, a gente se reencontra nos corredores e backstages e sempre pergunto o que ele vai tocar, o que ele trouxe de fresco para as trilhas. Teve uma época que falei, não tem outra coisa que rock para trilha de desfile? Ele muito calmo respondeu: “A gente tem um repertório que imaginamos quando recebemos um briefing para um desfile, mas nem todos os estilistas acham que é o ideal”.

Isto era no começo. Agora ele tem mais experiência e um nome respeitado no meio para propor outras coisas. Suas parcerias com o Daniel Ueda na Redley ou Maurício Ianes no Herchcovitch ajudaram muito, fruto de parcerias constantes e de respeito mútuo.

Além do desfile emocionante do Herchcovitch, a trilha sonora foi muito importante para o impacto final. Momentos antes do desfile, encontrei com o Max e perguntei como sempre o que ele tinha preparado para trilha.

“É um canadense que tinha uma banda de um homem só chamada Final Fantasy. Mas ele foi processado pela empresa do game como esmo nome e agora ele assina seu trabalho como seu nome:  Owen Pallett”.

postheadericon SPFW: Alexandre, o Grande

Tem estes momentos raros na moda. Costanza Pascolato e Regina Guerreiro aplaudindo de pé um desfile. Isso quer dizer alguma coisa, não. As duas tem quilômetros de passarela, já viram de tudo, aqui e em Paris e se elas ainda se comovem com algo é preciso prestar atenção.

O início do desfile é simples com belos casacos em lã pesada espinha de peixe trabalhados com o rigor da alfaiataria, depois com vestidos em que o padrão espinha de peixe virava estampa. Esta operação já é um expediente que ele sempre usou, como numa coleção africana, em que os bordados, mais pesados e caros, se transformavam em prints, mais acessíveis e viáveis de produzir.

O segundo bloco mais reminiscências de outras coleções, como aquela em que numa única peça eram trabalhadas sobreposições num efeito interessante que pareciam na verdade looks completos. Agora isto é usado com menos exuberância que naquele momento.

Seguem as peças mais coloridas inspirados em padronagens do leste europeu em versão matelasse com efeito lindo e de execução primorosa. Depois, as rendas aparecem aplicadas em contraste com tecidos mais pesados como veludo, com cristais bordados, num luxo raro.

As peças com modelagem geométrica que também fazem parte das pesquisas do Herchcovitch agora ganham tecidos mais nobresque dão aspecto mais encorpado e rígido. Repare no bloco final. A pegada folk é elevada a enésima potencia com 2 preciosos vestidos de tricô complexo, looks negros com a alfaiataria com volumetria 3D, casting de tops experientes que sabem andar, trilha impecável e emocinante do Max Blum, styling perfeito do Mauricio Ianes.

O resultado é luxuoso? Sim. Mas não um luxo qualquer, ele nasce do desenvolvimento contínuo e apurado da técnica do estilista, em um momento em que ele pode ser dar o luxo de poder fazer o que ele sempre sonhou e agora tem estrutura para isso, através da InBrands.

Mas luxo mesmo foi um recado para o mercado em tempos de crise. É neste momento que você deve mostrar o seu melhor. É preferível correr o risco a ficar batendo na tecla morna e recozida de coisas que dão certo e que fazem a gente bocejar de tédio.

É lugar comum dizer que o Alexandre Herchcovitch é o grande nome da moda brasileira, mas fazer o que, se ele não se conforma em fazer coisas comuns e banais? Nisto seu espírito “rebelde” é imutável.

postheadericon Algumas notas sobre Oi Fashion Rocks

De tão ocupado esta semana, não vi o email-convite da organização do Oi Fashion Rocks. Tudo bem, não dá para ver e estar em tudo. Mas acabei sabendo de algumas coisas…

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Top make up artist Robert Estevão prepara a top Carol Trentine (Foto: Sergio Caddah/LatinContent/Getty Images)

Keith Batista – KCD Consultoria de Moda Internacional, responsável pelos makes do todos os desfiles, deu muito o que falar. E mal. Um dos gringos destratou bastante nossos profissionais, chegando ao cúmulo de um conhecido maquiador ter que ser defendido bravamente pela top Vivi Orth…Parabéns, Vivi!


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Momento help me de Mariah Carey ( Foto: Faya/LatinContent/Getty Images)

A frase ouvida em alto e bom som dita pela Mariah Carey no backstage: “I want more light in me more than anyone else in the stage!”

O que ela não percebeu foi que a luz só aumentou a sensação que ela não conseguia se mover com o vestido sereia-mega-justo que a fofa escolheu para cantar na apresentação da Calvin Klein e ainda por cima, esqueceu de apresentar Francisco Costa…

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Momento Victoria Secret by Lenny ( Foto: Faya/LatinContent/Getty Images)

A incensada stylist Katie Grand, ao meu ver, deu 2 escorregões: Lenny não precisava do efeito Victoria Secret, assim como misturar verão e inverno do Herchcovitch, nhé?

Em compensação, é sempre bonito ver amigos de longa data como a Geanine Marques (Stop Play Moon) vibrando muito com Alexandre:

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Momento Ueba de Geanine Marques ( Foto: Faya/LatinContent/Getty Images)

E o grande nome da noite foi mesmo da diva de 61 anos, Grace Jones. Vozeirão, presença de palco, incrível! Foi a atração que eu queria ver, ouvir, mesmo que somente 3 músicas: Slave to the rhythm, Pull up to the bumper, Williams Blood para o desfile do Marc Jacobs, que resolveu não dar as caras novamente por aqui…

A Marcelle gravou e fez a minha felicidade remota:

E sobre a performance de Grace Jones para Marc Jacobs e otras coisitas mas, vale ler o post do Vitor Angelo sobre o evento: Oi? Fashion Rocks. Resumão bom para refletir…

No mais, fico com a belíssima imagem da Samira Carvalho para Versace:

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( Foto: Faya/LatinContent/Getty Images)

postheadericon OI Fashion Rocks anuncia Grace Jones e Estelle

Desde que coloquei aqui no blog a notícia que a primeira atração internacional do OI Fashion Rocks era a Mariah Carey, choveram emails perguntando quando começariam a venda de ingressos, como eu poderia ajudar para um monte de gente a realizar seu sonho de ver a cantora, etc, etc. Bom, eu não posso fazer nada nem por mim, que dirá aos fãs dela…Eu não tenho esta grana toda para comprar o ingresso, sorry!!!


Agora, eles anunciaram mais três atrações: Grace Jones, Estelle (chic) e Daniela Mercury. Assim, o evento vai tomando forma e promete arrastar uma multidão no dia 24 de outubro para a megarena que vai ser montada no Jockey Club do Rio de Janeiro.

A Grace Jones, que está com mais de 60 anos,  faz parte do meu imaginário 80 , e é incrível como ela está muito bem obrigada! Ela fez seu retorno midiático com aquela aparição-surpresa  no desfile da Diesel em 2006, saindo da fila A e adentrando a passarela ao som de Rebel Rebel e foi bem aplaudida.

Funcionou bem como um prequel do que estava por vir. No final de 2008 ela lançou o album Hurricane, com o mesmo vozeirão de sempre,  bem recebido pela crítica e a fofa está em turnê este ano. Eu adoro, confesso.

O povo insider da moda nem tem falado tanto do evento, e alguns chegam a torcer o nariz, mas sabe que eu estou achando bem interessante observar o evento por um outro lado?

A moda no Brasil já passou por diferentes fases, mas ainda hoje ela é capaz de causar frisson em diferentes camadas da população, haja visto a quantidade de gente que ainda quer entrar num desfile que tenha uma Gisele Bündchen, por exemplo, ou nas “celebridades” que desfilam pelo Brasil a fora nos eventos de moda ligados a shoppings por exemplo.

Mesmo no SPFW sempre que tem uma cara mais conhecida, tanto na passarela, quanto na fila A, elas são capazes de formar verdadeiros furacões com fotógrafos, gente querendo autógrafos, etc. E o povo da moda, incluso eu, fica ali impassível com a famosa “cara de paisagem”, afinal, o que interessa são as coleções e não as pílulas douradas que cada marca pode oferecer.

Entretanto, o Fashion Rocks não tem a finalidade de lançar alguma coisa. É “popular”, feito para gente que até nem gosta tanto de moda, que nem sabe quem desenha Givenchy, mas que adora a Mariah Carey, por exemplo.  mas no final, acaba vendo o desfile e deve sair encantado com isso.

Com certeza vai ser um dos grandes eventos do ano, mesmo com os preços bem salgados. O mais barato custa R$ 400 (meia entrada nos setores C e G) e o mais caro R$ 1400 (ingresso inteiro para cadeiras em frente ao palco).

Mesmo com este apelo da moda que vai misturar desfiles de marcas internacionais consagradas como Marc Jacobs, Versace, Calvin Klein Collection e Givenchy, com as brazucas Lino Villaventura, André Lima, Lenny e Alexandre Herchcovitch, o que vai pegar mesmo são as atrações musicais.

Para quem já viu um Fashion Rocks a coisa é mais ou menos assim: uma estrela pop vestida com a roupa da grife canta uma ou duas músicas, enquanto um batalhão de modelos apresentam um pout-pourri de coleções na linha the-best-of das marcas. Sempre tem uma “ligação” entre as bandas e cantores e a marca, como por exemplo, Bjork e Alexander MacQueen, em 2003:

Faltando menos de um mes para o evento só falta uma atração para fechar o casting todo, afinal são 8 grifes e por enquanto 7 atrações musicais. Beyoncé? Justin Timberlake? Kanye West? Façam suas apostas!

postheadericon Alexandre Herchcovitch para MiCasa

A cidade ontem ferveu com muitos eventos de moda: inauguração da concept store da Cavalera, coleção Barbie para Melissa, lançamento de verão do Lorenzo Merlino e da linha de móveis do Herchcovitch para MiCasa. Foi um tal de encontrar gente que saía de um evento para o outro sem fim.

O mais curioso foi ver um clã muito especial dividido: Marcelona estava recebendo os convidados na Cavalera, Johnny Luxo foi o DJ da festa da Melissa e Geanine Marques fez DJ set na MiCasa.

Claro que deixei a MiCasa por último, já que além de ser perto de casa, ia poder ouvir (e dançar) os sets da Geanine, do Houssein (que está cada dia melhor!) e do Arthur Camargo, meu personal tatuador e também DJ.

A linha de móveis do Herchcovitch partiu de uma única idéia: pisos de tacos de madeira (parquet) das casas da mãe e das tias dele. É um universo que já rendeu muito pano para manga em suas coleções de moda e agora dão forma a tapetes, mesas, aparadores, bancos.

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Vista geral da instalação de Carla Ribeiro para lançamento da linha de Herchcovitch para MiCasa (foto Alisson Louback para Vogue RG)

A linha que eu adorei foram os tapetes, chamada de Rugs,  exatamente porque tem esta idéia bem-humorada e até um pouco subversiva de colocar uma imagem de parquets sobre parquets de verdade, dependendo do lugar que eles estiverem.

O nome de cada um dos padrões refere-se aos nomes das tias e da própria mãe, Dona Regina. A linha Golda Color é a que recebe interferência de cores ao estilo Herchcovitch, como a mistura de azuis, roxos e vermelhos. Já a Sara, apresenta um piso desgastado, assim como a Maria, que também tem versão preto e branco. Regina tem um padrão geométrico que forma um flor incrível.

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Linha Golda fotografada por Alisson Louback para Vogue RG

Os móveis são compostos dos mesmos padrões, em estrutura em aço carbono, madeira maciça de canela de remanejamento, e o revestimento que usou impressão digital em Formica.

Além da mesa de centro, dos bancos e mesas de jantar, boa peça é a mesa Golda DJ, do tamanho exato para colocar as pick ups dos DJs diletantes que querem receber os amigos em casa para chill ins e chill outs, caso do próprio Herchcovitch e do Houssein Jarouche.

Para o dia do lançamento, a Carla Ribeiro, diretora artística da MiCasa, concebeu um ambiente único no Volume B com todas as peças. Fiz um vídeo que dá para ver como ficou, já que hoje a loja volta ao normal.

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