SPFW: Osklen faz back to the basics impecável
Ontem, sai direto do aeroporto para pegar a credencial para o SPFW. Um dia de descanso e no domingón estávamos todos de volta a ativa. Na sexta, um ataque de hackers no servidor deixou o blog fora do ar, mas agora está tudo normalizado. Então vamo que vamo!
Desde o Pense Moda, que a gente repete o jargão, “Osklen, um case de sucesso”. Sim, ela se firmou na moda streetwear, conseguiu ser uma marca desejada, e imediatamente reconhecemos uma peça quando deparamos alguém vestido com a marca. Nada mal, não é?
É um desfile sempre muito aguarddo e para o inverno, Oskar Metsavaht não decepciona. Uma das grandes linhas mestras da recession-chic (termo usado no hemisfério norte para a moda em tempos de crise) é o back-to-the-basics. Sempre bem antenado com o mood internacional, a Osklen faz uma verdadeira ode ao bom e velho moletom.
Deixando de lado um certo clima pretensioso do desfile, com uma imagem de um por-do-sol pixelizada no vídeo do fundo da passarela, na trilha melancólica e dramática e no piso preto que lembra carvão, a coleção é impecável ao reler as formas dos velhos agasalhos esportivos.
Numa conversa com Costanza Pascolato após o desfile comentamos sobre a excelência dos tecidos que ele empregou: “Oskar compra seus tecidos diretamente em fornecedores internacionais, ele tem a última palavra dentro da tecnologia têxtil“. Da Santa Contancia vem o nylon fininho usado em alguns looks. Assim, a releitura do moletom começa pela matéria-prima. Ele vem tricotado, resinado, texturizado com micro-esferas, nervurado, selado, dublado. Ou seja, esqueça do passado do tecido e contemple o futuro.
Esqueça das formas e shapes do passado, também. Mesmo com formas amplas e oversizes, nada é do tipo largadão. Oskar consegue partir de uma inspiração bem esportiva e chegar num resultado muito sofisticado. Não estou falando do já corriqueiro uso da alfaiataria com tecidos esportivos, é um passo além deste. A equipe de estilo da marca foi capaz de juntar um conhecimento sobre caimento de cada um dos tecidos para empregá-los ora com volumes mais armados, ora formando grandes pregueados que se transformam em um mega-hoodie.
Prender e soltar, armar e desarmar, sobrepor e simplificar, são operações tão corriqueiras na história da modelagem, mas que sempre admiramos quando muito bem empregadas. O pulo do gato da marca foi fazer isso sem perder aquilo que a fez um case de sucesso: a pegada streetwear. Em nenhum momento você vê roupas de festa, e sim, roupas com desejo de rua e conforto.






[...] tempo para conhecer a coleção comercial da Osklen de outono-inverno que chega às lojas em abril. Depois do excelente desfile no SPFW fiquei bastante curioso para conhecer a linha comercial e não tive dúvidas de aceitar o convite [...]
[...] vendo meninas? Como já pregou o profeta Oskar Metsavaht, não podemos desprezar nunca os tecidos mais humildes! [...]