FR: TNG faz roupas reais para crise real
Antes que o Cauã Reymond causasse um tumulto no backstage da TNG, resolvi passar por lá para conversar com a Legendária Regina Guerreiro antes do desfile. Quem me acompanhou até lá, foi o Luca Lauri, responsável pela trilha do desfile.
Antes de conversar com ela, encontrei meu mais que querido e talentoso beauty-artist Ricardo dos Anjos, responsável pela beleza do desfile. Ele contou que para este inverno escolheu uma maquiagem e cabelos aparentemente muito simples. “Trabalhei com poucos elementos, onde fazemos e depois quase que apagamos a maquiagem. A boca tem um tom natural, as bochechas são levemente rosadas, os olhos são marcados e depois apagados. É quase um efeito blur sobre o make. Só que sobre a luz da passarela estes poucos elementos vão ser ressaltados”. Todo um visagismo, não?
Depois ele contou que foi bookado para a nova campanha da C&A. A surpresa é que sai Daniela Sarhayba e entra um trio de super tops poderosas, entre elas, Carol Trentini.
Encontei Regina Guerreiro logo depois. Foi um papo longo, particular, com muitas revelações, confissões, sob medida para matar as saudades. Ou seja, a maior parte é impublicável sim. Sorry!
Claro que falamos sobre a coleção. Foi mais uma daquelas “aulas” delícias que tive quando trabalhei com ela. Comentamos sobre esta questão do novo da moda. Este é um tema que tem rondado as mentes-fashions ao redor do mundo. O Luigi Torres fez um ótimo post sobre isso. Entre um desfile e outro, encontrei com a Gloria Kalil e retomamos o assunto do seu primeiro editorial do ano.
No final, Regina não teve medo de assumir que não está re-inventando a roda e que pela sua análise da TNG e do público que ela atinge, ela propõe um bom básico, que seja acessível ao jovem consumidor, e que ele se sinta bem vestido sem que ter que pagar alto por isso.
Ela falou sobre o amadurecimento do seu papel de consultora dentro da marca, fruto de uma parceria que está na sua terceira edição: “Claro que para efeito de passarela em alguns looks uso tecidos mais nobres como veludo de seda pura ou pelica muito macia em alguns casacos. Mas isso não quer dizer que estamos enganando ninguém. Fiz uma lista de tecidos mais baratos para cada um destes looks que tem um caimento próximo”.
Muito digna e coerente esta postura, já que tenho me debatido com esta questão entre imagem e produto. Concordo que a imagem de uma marca deve ser forte suficiente para chamar atenção da mídia e dos seus pontenciais consumidores, mas não pode ser enganosa. A imagem deve estar refletida no que chega às lojas, afinal, tirando algumas peças revolucionárias de Chalayan, ninguém veste imagens.
Regina Guerreiro, mesmo usando uma bengala, fruto de um acidente na saída do avião da Air France, mostra que está com os dois pés muito firmes no chão!
Na passarela, a coleção foi apresentada em 2 blocos principais: o primeiro vários com vários tons de azuis caminhando para o branco e cinza, para ir acrescentando pequenas pinceladas de cores como o roxo, marrom, laranja. Já falei várias vezes que ela é a mestra de passagens, e com ela aprendi a fazer isso. Não só eu, mas muitos editores de moda importantes que já passaram pelas mãos delas. Veja a sequencia de fotos para entender um pouco isso:
Como é uma marca jovem, o jeans é o carro-chefe da coleção, que vem num cardápio bem variado de opções, desde os mais lavados quase brancos aos mais profundo azul. Assim, como os shapes que variam do mais sequinho até a mais folgada pantalona.
Todos nós sabemos (ou deveríamos saber) que um look total jeans é bem perigoso. Mas com sua mistura de jeans e alfaiataria ele cria ternos e costumes masculinos e femininos que estão muito bem na fita.
Um outro destaque vai para a calça de cintura alta, na medida certa de uma nova bag: ela não engorda tanto como as versões oitentistas. O efeito é muito bom.
No mais, Cauã Reymond fez três entradas, muito aplaudido, já que é lindo, simpático e muito educado de verdade. Tem uma coisa que eu não sabia, é que nos tempos de modelo, ele participou de uma campanha da TNG.
Na minha opinião, esta é a melhor coleção que a Regina fez para TNG. Feita sob medida para uma moda casual e desprentenciosa, cheia de peças úteis, que todo precisa. Ainda, encontrei com ela no lobby do hotel e pude dar mais um beijo nela. Não tão forte como o Cauã fez na passarela, of course. Ui, ui, ui, tá periguete, hein, Regina!!!!











Brilhante post sobre a TNG,Ricardo. Eu,particularmente adorei essa coleção - nem tanto pelo fato da Regina prestar consultoria - mas sim, pelo fato de ser “realista”,fiel ao publico que a consome e sem ficar “pirando” na tentativa de reinventar o seu produto principal,o jeans.
PS. Estava com a pulga atrás da orelha pois entrava aqui todo dia e nada de seus posts sobre o FashionRio,agora sim,vou voltar ainda mais.
gde abç, Stuart
Parabéns, isso sim é jornalismo de moda!