Archive for May, 2010
FR:: sobe e desce do segundo dia. Simplifica que melhora!
No segundo dia teve a Lenny, que por sí só valeria a ida para o Rio de Janeiro. Mas nem só de moda praia, por enquanto, vive o Fashion Rio. Teve também moda jovem, moda noite, moda mulher…(rs) Meu mantra fashion nesta temporada é: simplifica que melhora!
Redley ![]()
Pelo menos pra mim, a expectativa era grande sobre o desfile da Redley pós saída do Jurgen Oeltjenbruns. O grande efeito sentido foi manter o respeito pelo legado deixado pelo diretor criativo alemão com os acabamentos. Desta vez a inovação veio das peças que não são costuradas e sim prensadas.
O grande problema: a simplificação do masculino, que já viveu dias melhores. Não é ruim, mas faltou aquele punch certeiro de antes, com mais ousadia e peças mais elaboradas.
A grande sacada: um feminino mais ousado! Ou seja, deu supercerto minha querida Emilene Galende na equipe de criação, assim como Julia Valle, que desfila no Rio Moda Hype. O feminino da marca é notícia, o que começou no Inverno e confirma no Verão.
Agora é esperar pelo equilíbrio novamente.

Claudia Simões ![]()
Veio menos pesada que o Inverno, ainda assim, não provoca nenhum Ahhhhhhh! É um tipo de desfile que fica melhor em showroom ou lançamento tipo chá chique para as amigas, para sua inspiração fast fashion de luxo!

Totem ![]()
Sai Amapô, entra Simone Nunes e a Totem parece quase imutável. A novidade são as amarrações, que já vão se transformando no tem-que-ter da estação. Muita estampa, muito roupa confortável, ultracolorida…nada de mais, nada de menos.

Graça Ottoni ![]()
Prova do que escrevo muito por aqui às vezes é certo. Uma coisa que estou repetindo ad nauseam é: simplifica que melhora. No caso da marca mineira, então nem se fala. Tudo ficou menos pretensioso, tudo ficou mais leve, e por isso, anos-luz mais sofisticado.
Tem ainda algumas complicações ottonianas, mas quando ela olhar seu desfile completo, vai ver que quando a construção da peça é mais importante que certos barroquismos, seu caminho não terá mais volta!

Lenny ![]()
O grande must da coleção de Lenny Niemeyer foi mesmo sua união com a Patrícia Vieira, nossa grande expert em couro de plantão. Neste quesito, Patrícia mostra para Lenny a possíbilidade de uma camurça sintética que vem do Japão, mas com cara de couro e pode ir para água sem medo.
Desta reunião bem feliz na moda brasileira, é que pode ter saído o tom do desfile que teve muitos tons de areia, claros e escuros. Lenny é a rainha da modelagem de maiôs chiques e o destaque agora são os efeitos de babados invertidos para cima, como barbatanas. São lindas as peças. No mais, uma sucessão de detalhes e recortes sofisticados que ficam muito bem longe das praias. Couture beachwear! Mas com Lenny, PODE!

FR:Sobe e desce do primeiro dia
Como já havia escrito, o Walter Rodrigues abriu bem a semana de moda do Rio de Janeiro. Mas tiveram outros destaques, mesmo que não tão grandes. O sobe e desce, só para lembrar, é uma forma mais rápida de comentar um desfile e leva em conta os avanços que fez da sua última coleção para cá. e não quer dizer que um sobe é uma excelente coleção, e vice-versa.
Nica Kessler ![]()
No seu primeiro desfile era tanta vontade de mostrar serviço que ela pegou um pouco pesado. Agora ficou mais leve, mesmo em que algumas horas a malha grossa não funcione tão bem quando usada em contraponto com tecidos mais leves em peças inspiradas no art deco de Miami.
Olha vou dizer, para quê ir tão longe, se o Rio, naquela parte do Flamengo, tem tantos prédios do período? Tudo bem que inspiraçao colonizada nem é tanto problema em época de globalização, mas indica que no caso da Nica, merece um alerta: simplifica mais ainda que tudo vai dar certo, ok?
Mara Mac ![]()
Como algumas marcas, Mara Mac é imutável. No caso da marca carioca, acrescenta um tecido novo aqui, uma estampa diferente acolá, mas o shape confortável e a pegada esportiva-chic está lá intacta e com o sempre amassadinho de plantão. Se ela vende e não está afogada em dívidas, é sinal que está tudo certo, não é mesmo?
Salinas ![]()
Na temporada de verão passada, eu comentei ao vivo o desfile das Salinas ao vivo para o GNT Fashion. Fui nos bastidores fazer uma entrevista com a Jacqueline de Biase, e ela sabe o que está fazendo. Ela faz moda praia pra vida real, mas dá um up grade na silhueta, faz uma certa graça ali, neste caso com as amarrações (em alta, já!) e mistura Cuba e Salvador. Não dá pra querer mais. Espero que os lançamentos desta estação façam como a Salinas e apresentem de fato moda praia, porque se fossem pelos desfiles do verão passado, te digo, só ia dar moda iate e piscina do Copa!
RGroove ![]()
Quando alguém diz alfaiataria desconstruída, quer dizer que é um excelente alfaiate e agora que sabe fazer bem e quer mudar algumas questões técnicas? Claro que no caso da RGroove, não! Então, o que ele chama de alfaiataria é um corte mais apurado com algumas misturas de tecidos em blazeres, que não gosto tanto, que se estende também em shorts e no macacão que mistura blazer e bermuda.
É curioso observar que o povo do masculino tem investido mesmo este ano na camisaria. Isso é um bom sinal, porque no verão, o homem tem poucas opçóes além do básico e com novas formas de camisas, já dá um up grade rápido, né?Rique Gonçalves teve pontos altos exatamente neste quesito.
A RGroove além disto, tem uma cartela de cores bem jovem, colorida, tem também estampa floral que já está confirmando como tendência.
Acquastudio ![]()
Eu gosto das complicações que a Acquaestudio promove a cada estação, mesmo com os efeitos over que sempre aparecem. Pelo menos Esther Bauman sai da mesmice dos vestidos de festa, sem muito esvoaçantes que sempre vemos e propõe perigosos volumes em cima da história das mil folhas, que aparecem como camadas ora mais fluídas como os babados, ora mais rígidos, ora bufantes na forma de suspiros.
Nesta onda festiva, outra direção começa aparecer com muito branco, creme e cores clarinhas. Não poderia ser mais óbvio que usar esta palheta de cores no verão, mas nem sempre na moda noite isto acontece.
FR:: Blackpower de luxo de Walter Rodrigues
Walter Rodrigues ![]()
Há duas temporadas que Walter Rodrigues retomou sua excelente mão e vem fazendo desfiles como nos tempos do SPFW. Mas agora ele se superou, depois de tempos explorando sua forte veia oriental. agora ele olha para África e Brasil e faz um desfile que já está entre os melhores da temporada.

Com um casting só de lindas modelos negras, seu blackpower é chic e ao mesmo tempo despojado. O começo é bem look safari cáqui, mas levinho com direito as faixas amarradas na cintura, evoluindo para os terninhos chiques em azul marinho e que chega para anunciar o que vem de melhor quando coloca os geométricos em ação.

Aí temos a imagem síntese como a sequencia de belos vestidos feitos com trecê de tecido. A construção aparentemente simples, é uma trama de tiras de tecidos que se intercalam, formando padrões geométricos como nos Kentes, tecido tradicional africano feito no tear.

Os detalhes de cabeça feitos pelo talentoso Eduardo Laurindo com chapéus-turbantes também merecem destaque, não a parte, mas um bem grande. Ele já colaborou com o estilista em outras temporadas, sempre respondendo muito bem ao que Walter precisa como complemento.
Porém. o toque mais lindo foram as sombrinhas floridas todas abertas pelas modelos no final num grande jardim multicolorido em movimento.

CdC 3: evento termina em clima de festa de Walério Araújo
Promessa cumprida: Walério Araújo festeja seus 40 anos com direito a Go Go Boys, globos de espelhos, trilha sonora de boite e amigos sentados nos “queijos” espalhados no meio da passarela.
Gustavo Silvestre ![]()

Ao olhar para o carnaval de Olinda, Gustavo dá uma outra direção para o seu trabalho, antes marcado pela exuberância dos bordados artesanais e uso de diferentes tecidos num mesmo look. Isso tudo continua, mas agora numa versão festa mais pé no chão e nem tanto voltada para um apelo mais glamuroso. Lindos os macacões ultracoloridos, o vestido solto com poncho sobreposto em preto transparente. No final modelos pretos com bordados dourados nos fazem lembrar da trajetória do Gustavo, mas digo, o começo é muito melhor e indica um ótimo caminho para a marca.
Arnaldo Ventura ![]()

Depois de três desfiles pelo Projeto LAB, Arnaldo Ventura fez sua estréia no line up oficial da Casa de Criadores. Para a surpresa, ele apresentou 12 looks masculinos, fortemente calcados no seu feminino,o que quer dizer, muita transparência, corselets, calças mais justas e curtas, numa referência a tendência dandi que está no ar e que o estilista declara que é nos pescadores sua inspiração. Acho que pode ter uma inversão e as mulheres quererem muitas das peças, viu? Já que seus esvoaçantes não empolgam tanto assim.
Danilo Costa ![]()

Parece que mudar de gênero é tendência nesta estação. Danilo que ficou conhecido pelos seus meninos ingênuos, meio bobinhos, mostra 4 looks femininos no seu desfile de verão. Quem sabe não é uma saída também pra ele?
Karin Feller ![]()

Na sua quarta apresentação no evento, Karin mostra que está cada vez mais madura e seguindo seu próprio caminho, ficando cada vez mais distante de sua “chefa” Juliana Jabour. O gênero menininha, sem muito artifícios sexy, além do comprimento curto, já fez muito sucesso nas mãos da Andrea Marques, na sua época de Maria Bonita Extra, e se ela conseguir um bom preço, pode ocupar esta vaga! E esquecer também um pouco do balonê e de algumas complicações desnecessárias , por favor! Verão todo mundo quer coisas mais simples e fáceis de usar, por favor!
Walério Araújo ![]()

Se ele é uma festa em si, imagine completando 40 anos? Foi isso que ele fez. Ao invés das roupas de festas que ele sempre fez com maestria, investiu na temática infantil e cobriu seus maiôs sensuais de jujubas, de brigadeiro, cabeça com caixa de presente, uma profusão de coisas, misturadas ao clima de club gay fervido, com os amigos sentados no meio da passarela, como o André Almada da The Week e Sabrina Sato do Pânico.
Terminar pra cima um evento, todo mundo sabe que é importante. André Hidalgo tem muito para comemorar também. Enxugou o evento, seu Projeto LAB foi um dos melhores dos últimos tempos e promete para a próxima temporada mais um Fashion Mob, o desfile mais anárquico do planeta que descobriu o Luiz Leite, uma das muitas revelações da temporada!
CdC 2: sobe e desce com olhos bem puxados
Teve muita estréia no Projeto Lab, muita moda masculina sem grandes riscos, mas muito bem feita, revelando uma nova faceta da nova geração. Os olhos puxados mostraram que estão de olhos bem abertos para mudanças! Equanto isso, veterenos dão um jeito de se reinventar.
Luiz Leite ![]()

Ele ganhou o Fashion Mob, trabalha numa fábrica de jeans, então com este apoio, mostrou uma coleção bacana toda em jeans orgânico(que não agride o meio ambiente) delavê bem clarinho, exercitando as formas da jardineira. Tudo é muito bem feito, nada de ousadias, pronto-pra-usar. Mas provoca desejos de compra: adorei o macacão curto com hoodie!
Gabriela Sakate ![]()

Esta menina é chic, não? Foi a primeira do time de olhos puxados a desfilar. Mesmo quando usa o dourado, ela não perde a linha e fica elegante e não com cara de perua. Tá na zona de conforto? Está! Não ousa muito? Não! Mas é bom ver um talento pronto-pra-usar tão novinha assim! O vestido branco da abertura é um luxo de simples com detalhes nada bobos de modelagem.
Juss ![]()

Ela reza pela cartilha internacional em seu masculino correto para uma estréia. Tem o blazer usado com shortinho, uma cartela de cores boa e não muito usuais, modelagem sequinha, minimalismo e um certo ar dandy. Mas precisa ficar atenta as pequena ondas que a moda masculina pede agora no verão, o conforto e o shape mais larguinho é a pedida, ok? Mas é um nome pra prestar atenção, sim!
Cynthia Hayashi ![]()

Segunda de olhos puxados do dia e mostrou muita delicadeza no seu desfile. Seu vestido de abertura dá um show de construção com drapeados se entrelaçando. A delicadeza da lingerie, a mistura de estampas que só os orientais sabem fazer tão bem. Ela já tinha faturado o Ponto Zero e está pronta para o casting principal!
Yoon Hee Lee ![]()

Sabe aquela história dos melhores perfumes virem nos frascos menores? É sob medida para a pequena Yoon Hee Lee, mas muito grande no talento e criatividade. Nada do que vimos na passarela parece ter sido visto antes e mesmo a inspiração transcedental é coisa rara na moda.
É isto que sempre esperamos num projeto voltado aos novos talentos. Gente disposta a mostrar que não tem medo de errar, de colocar a cara tapa, de mostrar a moda pela moda e sair vitoriosa. Sua coleção tem partes intrigantes que saltam dos looks num exercício delirante de modelagem criativa com suas armaduras. Amei!
Rober Dognani![]()

Ao olhar para sua história, sua infância onde começa sua paixão pela moda, tem muito espaço também para memórias recentes. Tem as referências internacionais, tem muita moulage, cartela de cores estranhas, mas uma exuberância até mais contida, em termos de Dognani. Sobra algum espaço pra o humor que é sempre bem-vindo!
Gêmeas ![]()

Elas deixaram de lado um pouco seu lado roqueiro e mostraram outra faceta, que aparecia aqui e acolá nas coleções anteriores. Elas partiram da mesma modelagem para exercitar formas de trabalhar diferentes. Tem um quê de roupa de festa, com bordados, brilhos e franjas de espelhos, que elas já fizeram de forma mais contida anteriormente.
Mas tem também, uma mistura de materiais e tecidos que dá uma desconstruída nos modelos que poderiam ficar literais demais sem estes recursos. Toda transformação ou busca de novos caminhos tem isso, um começo que depois se desdobra e vai encontrando mais equilíbrio.
Fotos : Marcelo Soubhia / Agência Fotosite
CdC:: sobe e desce do primeiro dia – House of Xtravaganza
Sim, fazia tempo que eu não fazia um sobe e desce aqui no blog. O primeiro dia da Casa de Criadores foi um festival de vestidões de festa, travestismos em doses altas, viagens, muitas viagens…
Der Metropol ![]()

Foi no Egito, deu uma derrapada, se acertou, simplificou e arrasou! Leia mais
RRosner ![]()

Vestidões, clima de festão, volumões,bordadões! Tudo é superlativo no desfile de RRosner. Tem momento McQueen e outro Viktor & Rolf. Bem melhor o começo em branco pq suaviza o excesso!
Purpure ![]()

O que poderíamos esperar de uma inspiração em Amanda Leporace? Muita peça absurda, muitas peças pensadas em modificações do corpo como próteses, peças infladas, peitos de silicones. O escapismo faz bem para alguns mesmo em doses letais.
Jadson Ranieri ![]()

O menino tem talento, viu? Depois de passar pelo projeto LAB, dá uma reviravolta e acerta na coleção andrógina, apresenta peças muito interessantes, brincando com masculino/feminino, com coragem e deixa de lado um aspecto meio de figurino do passado! Vai em frente!
Geraldo Couto ![]()

Já falei na vida de vestidos esvoaçantes? Já falei na vida de vestidos de um ombro só, meio gregos? Já falei de vestidos com metros e metros e metros de tecido? De bom mesmo, só a Talitha Pugliese e a Marina Dias. Divas a qualquer prova de fogo, se estivessem no documentário Paris is Burning seriam da House of Xtravaganza!
Fotos : Marcelo Soubhia / Agência Fotosite
Casa de Criadores: Der Metropol é destaque no primeiro dia
Olha não é tarefa fácil ver um desfile pela internet. Requer dar uma geral nas fotos em baixa, depois baixar as imagens em alta para perceber os detalhes de construções e acabamentos, num ir e vir que me acostumei quando era editor assistente da Regina Guerreiro.
Mesmo vendo todos os desfiles munido de anotações, a Legendária, gostava de olhar todas as fotos reveladas em sua mesa branca. Com isso íamos revendo os temas, as possíbilidades de edição, num jogo que só ela conseguiu até hoje editar com maestria.
Me vejo hoje assim, vendo e revendo fotos, tentando armar o texto, como comecei no Senac Rio Fashion Business. Mas lá também tinha os vídeos, que possibilitavam uma leitura dos looks em movimento, aqui na Casa de Criadores não tem, então, como se diz no twitter: #ficaadica!

Coube ao talentoso Mario Francisco com sua Der Metropol abrir o primeiro dia da 27a. edição da Casa de Criadores. Sua inspiração foi no Egito e de lá ele trouxe a estamparia e detalhes interessantes que acabaram por driblar o tema perigoso, resultando numa coleção com uma pegada mais comercial.

Já faz parte da curta história da marca a mistura de esportivo com toques de alfaiataria. Do terreno esportivo aparece uma malha telada tanto trabalhada com forro virando uma textura, quanto sem forro provocando transparências. Da alfaiataria, as calças com grandes pregas e bermudas na versão mais folgada, bem confortável são excelentes opções pra comprar já. Bonito o detalhe que fecham os bolsos das calças.

Para minha surpresa, a Der Metropol que sempre foi boa em estampas, poderia ter pesquisado uma forma mais inteligente de dispô-las, principalmente a de penas. Usadas uma a uma, lado a lado, não formam um conjunto muito bonito, Mario poderia ter estudado formas de juntá-las e usar em pontos estratégicos ou deixá-las mais abstratas e não tão literais.

Mas é na camisaria que vem seu grande avanço na temporada. Antes Mario Francisco tinha uma modelagem sofisticada cheia de patchworks de construção. Agora ele simplifica e mostra uma camisaria cheia de bossa, como na que mistura camisa com colete acoplado e em outra, muito chic, que ganha lapela e bolso de smoking. É muito boa a imagem delas usadas com bermudas, porque é uma dica ótima e não fica parecendo a eterna onda de blazer com shorts que muitos estilistas mostram e nunca pega.

Gosto da idéia das faixas que se cruzam sobre o peito da camisa lembrando os braços cruzados dos faraós e dos detalhes de sobreposição de tecidos em outra camisa que remete a Horus. Num dia de muita extravagância, a aparente simplicidade da Der Metropol foi o grande destaque.
Fotos : Marcelo Soubhia / Agência Fotosite
Rio Moda Hype: “veteranas” dominam segundo dia
Se no primeiro dia foi da moda masculina, no segundo dia, as “veteranas” Stefania de Brasília e Julia Valle de Minas Gerais, foram o destaque com sua moda feminina bem acabada no Rio Moda Hype. E pelo menos mais um nome para pretar atenção: Wagner Kallieno.
Coube a Stefania abrir o segundo dia, com sua modelagem especial vista na edição anterior. Bom não é para menos, ela é professora de modelagem tridimensional do curso de moda da IESB (DF).
O começo é melhor e mais próximo a elegância que ela apresentou na coleção anterior, que era mais forte e concisa. Seus vestidos e macacões recebem uma boa estampa que cria interessante efeito trompe-l’oeil que se mistura as pequenas dobraduras como detalhe. Linda calça pantalona do quinto look e muito bom o short meio de surfista da década de 80 do quarto look.
Este trabalho de feminino esportivo mais delicado vai ganhando contornos mais pesados tanto na cartela de cores, quanto nos tecidos e aí parece uma outra coleção. As delicadas dobraduras dão lugar a uma série mais esportiva com direito até a maiô preto, vestido vermelho com dobraduras em excesso, e até um exercício de manga meio desnecessário no último look. Tempos de balenciagismos, como disse no primeiro dia.
Todavia, Stefania tem talento, é só não se perder. 12 looks são poucos para exibir mais de uma idéia de forma clara e convincente.
A CLASH de Pernanbuco ainda está presa numa década de 80 que já deu também! Que me desculpem os oitentistas de plantão, mas esta estética é melhor em brechó mesmo. como bem provou o Freakstyle, e aí cada um se torna o stylist de si mesmo e está tudo certo.
Quando alguém fala que vai se inspirar em Niemeyer me dá até calafrios, mas não é que o Wagner Kallieno de Natal acertou a mão? Conseguiu ao mesmo tempo ter um acabamento muito bom, com dobraduras complicadas e sem cair no balenciaguismo que o tema poderia sugerir, arquitetura e moda, sabe como?

Ele consegue reunir o sexy numa maneira elegante graças a suas dobraduras e apuro técnico na construção de cada vestido. A cintura é bem marcada, o comprimento é justo, mas a escolha de uma cartela de cores bem clarinhas, deu um resultado fresco e mais leve, coisa que os dourados finais não conseguem. Perua demais, brilho demais!

E um nome que surpreendeu nesta edição do PRMH. Ficar de olho nele!
Gente o que está acontecendo com o pessoal de Recife? Tanta gente bacana por lá, mas não foi nesta edição que o Pernambuco se saiu bem. Manoel Ozi também reza pela cartilha dos anos 80, num masculino complicado, sem peças de desejo, só exercícios estilísticos e nada mais.
Julia Valle fechou a noite do segundo dia de desfiles. Ela já desfilou com uma das estilistas da Pure, depois numa coleção solo be elogiada, e agora confirma seu talento.

Adoro quem vai na contra corrente e faz o que acredita. Na loja pode até ter outras opções de cores, mas na passarela toda a coleção é preta. Preto no verão, dirão alguns? Sim, porque não?
Mas não importa.Seus vestidos tem apuro técnico, acabamento, caimento, tem frescor, são fluídos, elegantes, simples mas com detalhes que valorizam o pretinho que toda mulher precisa ter no guarda-roupa.

Lembra um pouquinho a Huis Clos, com toda esta elegância despojada e por isso muito chic. Mesmo quando ela trabalha com brilhos, tem a transparência usada tanto na camisa quanto num lindo cardigã longo.
Talento confirmadíssimo pronta-pra-usar!
Rio Moda Hype: masculino é destaque do primeiro dia
A 12a. edição do Prêmio Rio Moda Hype teve como destaque no primeiro dia de desfiles a moda masculina fora dos grandes eixos de moda: Social Club do Paraná e Akihito Hira de Brasília. Os dois apresentaram coleções usáveis e acessíveis ao homem, apresentando aqui e ali inovações que estão nos detalhes.
Quem abriu o décimo segundo Prêmio Rio Moda Hype, agora de casa nova, dentro do Senac Rio Fashion Business, foi Martins Paulo do Piauí. Sim, o menino é talentoso, e mostrou isso quando saiu vencedor da última edição do evento com uma coleção hipercolorida com referência as mulheres do cineasta espanhol Pedro Almodóvar.
Para esta coleção, ele manteve o domínio da mistura de cores mesmo com um tema futurista, inspirado no romance Duna de Frank Herbert de 1965, que virou filme anos mais tarde, 1984, nas mãos do diretor David Lynch.
O futurismo de Martins Paulo aparece nos tecidos sintéticos, na geometria que é formada pelos recortes e junções de tecidos. O jovem estilista, como muita gente, parece adorar o trabalho Nicolas Ghesquière, estilista da Balenciaga, que apareceu bem forte na silhueta e nos ombros e que de certa maneira enfraquece um pouco o trabalho dele.
Como é jovem, merece um grande desconto, e prova que a moda globalizada está aí para quem quiser ver e pesquisar. O que penso, é que ele pode ter um ponto de partida como este, mas precisa se desvenvilhar destes modismos e deixar sua mão mais solta como fez no seu desfile anterior. Retome seu humor, por favor!
A estréia do Estúdio Frame, da estilista Patrícia Brito, mostrou muitos acertos no feminino até discreto e um masculino arrojado, mas um pouco mais complicado. Ela tem um currículo bem interessante, se formou na Santa Marcelina, trabalhou com a Érika Ikezili, faz produção de figurino para teatro e cinema, foi freelancer da Adidas e tem a marca desde 2008, que abriu em conjunto com a Lívia de Paula e segue agora em carreira solo.
Sempre me pergunto se não é um gasto de energia e dinheiro fazer moda masculina e feminina para quem está no começo? Deixa esta tarefa para marcas jovens que podem bancar isso!
Se feminino não arranca suspiros, tem peças acertadas, bem cortadas, comerciais e podem atender a gama de clientela bem ampla, desde jovens que gostam de detalhes moderninhos, como as mangas diferenciadas do quinto look, até mulheres mais maduras que podem querer seus casacos leves e saias mais compridas.
O masculino tem ousadia, mas o resultado das camisas de cintura alta são meio estranhas até para mim que gosta de uma novidade na área. Ela se dá melhor na finalização das peças nas costas, onde as mesmas camisas tem acabamento de casaco, como no último look.
#FICAADICA: Seria melhor escolher entre um terreno mais confortável do feminino ou mais complicado da sua investigação sobre o masculino.
Outra estréia no PRMH é a da grife N.O.A.H de Brasília, da estilista Natália Ayres. A inspiração em Alice no País das Maravilhas, já nasce datada nesta temporada. Depois de tanta gente pegando carona no sucesso do excepcional filme do Tim Burton, vamos combinar que a gente não aguenta mais o tema.
Mas como tema de coleção só interessa aos estilistas, stylists e jornalistas, já que na loja ninguém compra inspiração, vamos ao que interessa. Se Alice já deu, saia balonê então, nem se fala. É melhor passar alguma estações até alguém querer de novo. Ombros muito marcados também.
Mas é com três peças do desfile que dá para vislumbrar um caminho para Natália. Seu maiô retrô é interessante, se a forma do Palácio da Alvorada já rendeu melhores frutos em outras mãos, mas o top que encerra o desfile, mostra que é por aí que ela deveria investir mais: beachwear.
Moda masculina vinda do Paraná. É a Social Club do estilista Alisson Rodrigues. Como sempre digo, moda masculina é feita de detalhes. Na primeira vista, só por vídeo, o todo da coleção é harmoniosa, com peças desejáveis, um homem elegante, ao mesmo tempo, despojado e leve como pede o verão. Algo próximo que a marca Reserva faz.

Depois, resolvi dar uma olhada nas fotos em alta, para ver os detalhes da coleção, com referências as flores e pássaros. Bonito o terceiro look, com a estampa de flores estilizadas, o casaco com a leve acinturada, o jogo de listras da bermuda feita com recortes muito acertados na modelagem.

Alías toda a estamparia da coleção merece os parabéns! As flores muito bem empregadas, fugindo do estilo Liberty é um dos trunfos da camisaria e poderia – a la Igor de Barros faz na VROM – ter invadido as área das bermudas e calças também, principalmente dos modelos cargos, que mesmo em linho, não apresentam muitas novidades. Assim como poderia já ter blazer de um ou dois botões, que seria mais apropriado para o ar descontraído que ele imprimiu a coleção.
De qualquer forma, Alisson Rodrigues é um bom nome que surge na moda masculina e merece que fiquemos de olho nele!
Carola Coruja, da estilista Caroline Santos, é uma das crias do SCMC, onde apresentou junto com suas colegas de curso na época, uma surpreendente coleção infantil para Marisol. Seu talento foi reconhecido e até hoje colabora com a marca.
Mesmo não gostando muito da imagem do desfile que ficou um pouco carregada e óbvia demais com os turbantes maiores, fruto a inspiração da coleção em mulheres lavadeiras, Caroline apresenta um trabalho muito bacana de amarrações que dão resultados muito bons como no vestido azul (terceiro look) e no outro também azul com estampa, o oitavo a entrar na passarela.
Mas ela ou o stylist devem tomar cuidado com a silhueta que ficou péssima no nono look. Num desfile que temos apenas 12 chances de impressionar, qualquer deslize é perigoso, não é mesmo?
Para encerrar o primeiro dia, Akihito Hira, que tinha apostado que seria a revelação do PRMH. Pelos aplausos efusivos ao final e passar pelo crivo hipercrítico do Sylvain Justum e inaugurou a sessão No Back do Lula Rodrigues.
Na passarela todo o cuidado em cada detalhe que fazem de Hira o talento que ele é. Nesta coleção inspirada nos trabalhadores das salinas, traz calça com cordões de ajustes nos tornozelos, bermudas de alfaiataria usadas com long-johns, num acerto ótimo do stylist Rogério S., camisetas drapeadas e outras modernidades como o uso da transparência do gazar de seda visto em colete e num blazer, que merece uma outra leitura, num tecido menos brilhante.

Mas é na camisaria que ele dá um salto nesta coleção. São lindos os vivos de cetim que dão acabamento nas golas e barras, assim como fenomenal a camisa rosa do look 6, que tem uma interessante mistura entre a camisa tradicional e o kimono, no seu transpasse arrematado com elástico.

A alfaiataria dos blazeres e os seus forros especiais continuam ali firmes e fortes como na sua coleção de estréia. Ele agora visto por um público maior, só tem a crescer e se firmar como um dos mais interessantes nome da moda masculina no Brasil.
FOTOS: Marcio Madeira
Fashion Business cresce também em vendas
O Fashion Business cresceu, ganhou desfiles de peso como Carlos Miele, Patricia Vieira, Sta. Ephigênia e Victor Dzenk, maior área e melhor infraestrutura, o Senac como megapatrocinador, mas acima de tudo vendeu mais, e é isso o que importa no final das contas. Eloysa Simão e Orlando Diniz anunciaram o balanço final do evento, em coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira.

Orlando Diniz (Fecomércio-RJ) e Eloysa Simão da Dupla Assessoria(foto: divulgação)
Com volume de vendas 40% maior do que o registrado na última edição do evento, em janeiro, o 16º Senac Rio Fashion Business que terminou na noite desta sexta-feira, 21 de maio, na Marina da Glória, movimentou R$ 770 milhões em negócio e US$30 milhões em exportações.
Foram cerca de 50 mil pessoas que circularam pela Marina da Glória, entre eles 20 mil lojistas de vestuários e 800 compradores VIPs. Com investimento de R$ 11,5 milhões, o Senac Rio Fashion Business contou com 280 expositores – 230 no salão principal e 50 no salão Tech – e gerou 4.500 empregos diretos e indiretos.
“Além de contarmos com mais 80 grifes participantes, elas também mostraram uma melhor capacidade de distribuição no atacado, fator determinante para o sucesso dessa edição”, explica Eloysa Simão. Entre as campeãs de venda, Botswana, Afghan, Maria Filó, Shop 126 e M. Officer.
O Salão Tech, em sua segunda edição, movimentou R$ 80 milhões em negócios. Foram 50 expositores, que apresentaram soluções tecnológicas inovadoras para facilitar e modernizar a operação dos lojistas. Entre as novidades, manequins para vitrines, iluminação, marketing sensorial, sinalização digital, monitores interativos, e soluções de segurança e logística para as lojas.
De acordo com Orlando Diniz, presidente do Sistema Fecomércio-RJ, os resultados acima das expectativas reforçam o posicionamento do evento como a principal bolsa de negócios e moda do país.
“Nesta edição reunimos todos os elementos necessários para criar um ambiente propício para a realização de bons negócios e entretenimento. Esse sucesso pode ser comprovado pelo número expressivo de pessoas circulando no evento e, principalmente, pelas vendas. Por isso, temos motivos de sobra para comemorar”, declara Diniz.