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SPFW#6 Brasil e moda masculina dominam último dia
Ronaldo Fraga vai viajar com Mario de Andrade, Herchcovitch vem com Laranja Mecânica e VROM pára no xadrez e nas listras. No mais a mesma Glória Coelho de sempre. André Lima exuberante como se espera, Fernanda Yamamoto mais paulistana do que nunca.
Glória Coelho ![]()
Como toda a crítica notou esta é a terceira temporada que a estilista traz as construções a partir de fitas para formar rígidas e delicadas armaduras femininas. Sempre com aquele corte impecável, sempre com caimento perfeito, mas como disse Gloria Kalil, quem vai comprar o mesmo vestido mais de uma vez? Hora de mudar, mesmo em time que está ganhando.
Alexandre Herchcovitch ( masculino) ![]()
Como diria Paulo Martinez no Twitter: AH! Muleeeeekkk! A melhor coleção feminina da temporada; a intrigante coleção para Rosa Chá e agora um masculino que mostra uma evolução constante a partir de um repertório que é seu e se renova a cada estação. Sim, ao contrário de Glória Coelho, os temas e os tecidos de AH estão muito próximos de suas últimas coleções masculinas, mas ele consegue mostrar que as idéias amadurecem e coisas que estavam no passado, podem voltar melhor agora.
O look de abertura toda em dourado no nylon, na luva e no taco, referência ao filme Laranja Mecânica (além de René Margrite e Charlie Chaplin ou todo um time do chapéu coco) já é um tapa na cara. O nylon bem fininho já vem vindo muito bem em 4 coleções e agora ele aparece ótimo no jogo de revelar e esconder com as transparências. Jogo que também aparece na top Shirley Malmann que alcançou sua fama numa época em que a androginia era o forte e ela aparecia de marinheiro na propaganda de perfume do Jean Paul Gaultier. Sim, nesta temporada, o feminino apareceu bem forte nos desfiles masculinos.
Mas o feminino é um detalhe que aparece em algumas peças mais acinturadas, no brilho de alguns tecidos, no comprimento mais longo de algumas camisas e casacos sem mangas. Ele tem interesse mesmo é na alfaiataria e como ele pode renová-la. Não é de hoje que ele tem transformado os códigos rígidos do ternos em algo mais esportivo.
Não é só cortando mangas que ele consegue e sim dando novos encaixes centrais que se casam com pences nas diagonais na parte de baixo, que dão abertura evasê de caimento impecável. Ou nos recortes arredondos que partem do ombro dos blazeres. Além de usar tecidos encorpados para dar a forma arredondada nas calças de barra curta.
Desejo de ter tudo, de usar tudo! Se coubesse no meu bolso, claro!
Ronaldo Fraga é sempre uma viagem pra dentro de nós ![]()
Eu já perdi as contas para quantos lugares Ronaldo já levou a gente. Agora a gente está em excelente companhia, Mario de Andrade e suas duas expedições etnográficas que resultaram no livro Turista Aprendiz.
Mario é um dos nossos mais importantes pensadores e é através dele que podemos entender como o Brasil se tornou moderno e diferente de qualquer outro lugar do mundo, nossa modernidade não é de ruptura, mas de caráter mestiço. Nós nascemos modernos, como está no Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade. Por exemplo, a arquitetura moderna brasileira faz forte referência a simplicidade das casas coloniais.
Ronaldo Fraga sabe bem disso e faz um mix muito interessante entre seu estilo que começou a tomar forma na inglesa Saint Martin e a matéria prima que veio das bordadeiras da cidade de Passira, no Agreste de Pernambuco. Sem contar com a parceria nipo-brasileira do stylist Daniel Ueda.
É dentro deste caldeirão cultural tão miscigenado, e por isso tão brasileiro, que nasce a moda universal e acima de tudo atemporal de Fraga e que serve para qualquer idade, como já provou muito bem em seu desfile de velhinhos lindos.
A moda que é sempre tão urgente nas suas mudanças, tem em Ronaldo este poder de estancar o tempo, de se distanciar das tendências, de provar que a delicadeza do trabalho de bordadeiras é tão importante quanto seu trabalho de estilista. E que se ele continuasse em Londres, muita gente (aqui) ia dar mais valor do que dão para ele!
VROM ![]()
Mesmo assumindo o masculino da Cavalera, é na VROM que Igor de Barros pode mostrar com mais precisão seu precioso talento na moda masculina. Na temporada passada, a marca deixou de desfilar, o que deixou muita gente, entre eles eu, apreensivo quanto o seu futuro.
Mas ela voltou e com sempre fez bonito. Destaque para o uso de fivelas que acinturavam casacos, prediam panos formando camisas-capas, e fechamento de camisões. Bonitos recortes de coletes e camisetas que fazem jogo de sobreposição sofisticados e ao mesmo tempo frescos. As grandes golas assimétricas também fizeram parte do jogo onde os diferentes xadrezes fizeram par às listras e estampas de digitais de bolhas e até print de onça apareceu escondido aqui e ali.
Por último e não menos importante, os tênis sem cadarço de cano alto desenvolvidos em parceria com a Rainha, deram o toque mais jovem ainda usados com as excelentes bermudas largonas com barra italiana e calças não tão curtas como vimos nesta temporada.
O único senão é que na passarela a imagem ficou mais próxima de um inverno leve do que um verão como nosso, mas dá para ver que as peças em separado vaõ funcionar melhor.
Fernanda Yamamoto ![]()
Depois de quatro vezes desfilando no Rio Moda Hype, Fernanda Yamamoto faz sua estréia no SPFW. Ela tem esta coisa de japones de ir a fundo numa coisa até a exaustão. Foi assim com as estampas do verão 2010, e agora com lã que ela trabalha junto com a gaze para fazer o jogo de desenhos baseados nas fotografias aéreas da cidade de São Paulo.
Talvez se ela tivesse trabalhado com linha o resultado fosse mais verão, porque não sei vcs, mas eu tenho uma certa aflição desta textura no calor. Mas ao contrário de muita gente, eu gostei do resultado da coleção que tem muitos mais altos do que baixos.
O trabalho de modelagem e detalhes dela são bem interessantes, e temos que vê-la como uma jovem estilistas, que mesmo no maior evento de moda, é uma marca que não tem tantos anos de estrada como tanta gente e que nem fez questão de experimentar tanto quanto ela.
André Lima ![]()
Aqui não tem minimalismo certo, não! Apotéotico, superlativo, bem humorado, com muito vestidão, caldas, babados e flores. Tem quem ame, tem quem não, mas é impossível ficar indiferente a festa de André Lima. Agora ele diz que sua inspiração é o corpo e através de algumas construções ele forma um outro corpo, com mais volume e mais curvas que nao existem no mundo real.
Gosto do momento das misturas dos xadrezes que se transformam em flores tanto nos apliques, quanto nas formas dos vestidos. É bom ver esta experimentação em grau máximo, mesmo que algumas vezes tenha um toque quase kitsch, meio bolerão, sabe como?
Nesta temporada tivemos um quê a mais de informação sobre a coleção de André Lima, Ele aderiu com tudo ao Twitter (além de Herchcovitch e Paulo Borges) e pudemos acompanhar as agruras e felicidades da sua coleção até momentos finais dos bastidores como a história dos paetês do Ronaldo Fraga que ficaram no camarim, ou a barra que tinha que ser feita num vestido enorme, ou quando ele ia comer um bolinho e a Marcelle Bittar apareceu.
Novos tempos, em que um dia, assim como eu neste momento, podemos acompanhar tudo de longe e não se sentir literalmente fora de moda!
SPFW # 5: Como eu queria estar lá!
O único dia que eu realmente lamentei profundamente de não estar no SPFW foi domingo e na segunda. Muitos amigos queridos que acompanho desde o começo brilharam e muito. A começar pela Neon do Dudu Bertholini e Rita Comparato, depois pela Pitty e Carô da Amapô, pelo Sommer, e acima de tudo, pelo João Pimenta. São eles responsáveis pelo o que a gente sempre espera e nem sempre alcança: desfiles que emocionam, que fazem um espetáculo, que faz com que a gente ainda fique viciado nesta história toda que é a moda.
Do Estilista ![]()
Depois de fazer seus amigos andarem com dificuldade sobre carvão no inverno passado, no verão faz que todos virem ciganos imaginários. Sommer anda vagando muito, revirando os baús, refazendo suas viagens, como as peças de cowboys que já vimos nos jardins do Ibirapuera.Eu sempre acho que uma viagem por mais distante que seja é sempre um retorno a si mesmo. E nestes eternos retornos do Sommer espero que ele reencontre tudo de novo de novo.
Neon ![]()
Pelo twitter, mesmo que os comentários sejam vagos, a gente nota que quem está ao vivo dá o tom da coisa toda. Os aplausos para o desfile da Neon ecoaram cedo direto da piscina do Conjunto Baby Marione. Como tuitou @maria_prata: Moda não eh soh sobre a roupa. Eh sobre o show, o espectáculo. E a Neon sabe disso!
Concordo em gênero, número e grau. Ao som do Supertramp e numa pisciuna pública, o bom humor, os anos 80 (que a dupla ama de verdade) e uma forma de usar o neoprene que finalmente deu certo!
Para quem não acompanha a moda tão de perto, o neoprene é o tecido que muita gente está usando, mas que quando a gente olha parecem bons para editoral de moda e não na vida real. Agora as calças, os maios e vestidos com o tecido de mergulho e surf funcionam de verdade. E a tanga asa delta? E os plastificados? Ah sim! Porque no Verão, chove e muito!
E a dupla mais uma vez foi ovaconada.Pela crítica, pelo público e principalmente pelos amigos, porque os amigos (sempre) estão lá! Ai, desta vez eu não estava! Tudo bem, cada escolha implica em outras mil renuncias.
João Pimenta ![]()
Eu estava ansioso por este desfile. João, além de amigo muito querido, é de um talento ímpar. Ele persegue a exaustão uma imagem de homem contemporâneo e apela sem pudor há várias coleções pelo encontro de todas as suas raízes. Seja a do menino que viu o Congado pelos olhos e mãos do pai, seja pelo rapaz que um dia desenhou roupas de noivas, seja pelo sucesso que fez com a crítica no tempo da Casa de Criadores.
Porque não usar o que aprendeu no atelier por onde passaram mil mulheres a busca do vestido dos seus sonhos nas roupas masculinas? Afinal, as mulheres já emprestam do nosso guardar-roupa tantas peças e porque não podemos, nós homens, que um dia fomos Rei Sol, usar de novo,coisas como camisolões e rendas? Onde está escrito que não pode? Quem disse que homem não pode usar pantalonas de cintura alta e largas?
Meu Deus! Em pleno século XXI se a gente não puder usar, quando poderemos? Eu uso tudo o que João Pimenta cria. Causa estranheza? Deve causar, mas não em mim! Estou bem seguro do que eu posso, e nunca liguei para o que não possor.
Vida longa, João! A moda masculina precisa de você e muito.
Paola Robba ![]()
Tá com o corpo bem em dia? Se matou o ano inteira na “acadimia’? Fez lipo com 3 meses de antecedencia? Tá pronta pra enfrentar os corpos mais perfeitos na Praia do Pepe? Então, fia, corre para Paola Robba, porque as menores tangas, os biquinis de verdade estão lá te esperando! Finalmente, vc vai ter onde comprar, porque iate e piscina do Copacabana são para outro tipo de mulher!
Amapô ![]()
Se no Fashion Rio, a África deu sua cara nas estampas, no SPFW depois do belo desfile da Maria Bonita, e hoje com Amapô,o Nordeste brasileiro mostra que continua ótimo como fonte de inspiração.Sem falar no Brasil Colonia do João Pimenta.
A dupla Caro e Pitty mostram mais afiadas do que nunca. Mesmo partindo de um tema folclórico como o Maracatu.nem tem nada de ingênuo ou naif na moda da Amapô. Pense numa jovem urbana, mas co cores vibrantes, com franjas malemolentes, com lingeries transpantes com sobreposições que ganham ares de lolita tropical. Pense num menino meio andrógino, com decotes nas camisas também ultracoloridas ou transpassadas, bermudas e calças bem folgadas, franjas assimétricas… Tem isto que eles detectaram no Maracatu muito bem. Já viu um Lanceiro, com um volume de franjas brilhantes que balançam e brilham? Pois é, no viril Nordeste tem espaço para isso!
Tudo isso embalado pela alfaitaria desconstruída que a Amapô exercita muito bem há anos. Este contraste de rural e urbano, sexy e ingenuo, masculino e feminino, regional e global, faz com que as peças tenham apelo extra extra de desejos. Porque as coisas belas ou que nos fazem belos e jovens, não tem quem não queira! Undosar uma Amapô desta coleção em qualquer lugar do mundo, vai fazer você ser notado e todo mundo perguntar, de quem é? Quer coisa mais deliciosa do que isso?
Mario Queiroz ![]()
Depois de uma Londres nem tão feliz, Mario volta seus olhos e tesouras para Istambul e deu bem certo. As túnicas tradicionais ganharam ares de camisa de smoking longas, as claças gancos baixos e barras mais curtas, que poderiam ter sido enroladas, paletós com lapelas desestruturadas num bom efeito barbatana ou no transpassado que ficou jovem e com ótimo caimento, além da acertada e calma cartela de cores com branco, azul, off white. Poderiam ter ficado de fora os microshorts, mas tudo bem, num Verão em que os limites da roupa masculina estão em cheque, não é tão ruim assim.
Colcci ![]()
O desfile do Colcci renderam as melhores piadas do dia. O release falava em “look total da cabeça aos pés é um resumo do que a Colcci propõe para o Verão”. Oi? A dupla Gisele Bündchen e Reynaldo Gianecchini, virou Gi e Giane. @alvaroleme da Veja tuitou: Então quer dizer que Gianecchini quer ser Gisele… E por aí vai. Fora o cabelo da Gisele que tava de matar de ruim.
Mas tenho que admitir que a coleção está bem. Não sei o que aconteceu por lá, que há duas temporadas o equilíbrio tomou conta da Jessica Lengyel e ela tem feito um bom trabalho. As estampas de listras e bolinhas funcionam, os comprimentos estão curtos como se espera, tudo é jovem e colorido e o masculino ganha pitadas de ousadias (dentro dos limites que a marca propõe) e está tudo certo. Informação de moda para as massas.
SPFW#4: Reinaldo e Lino o começo e o fim que valeram o dia
2 veteranos da moda brasileira dão um show de idéias, acabamentos, cores e flores, sem nenhuma mesmice, se reinventando sempre: Reinaldo Lourenço e Lino Villaventura. Geniais!
Reinaldo Lourenço ![]()
Eu sempre fui um Glorista, que nos bastidores da moda se refere áqueles que preferem a Glória Coelho e Reinaldistas, os que acham o Reinaldo Lourenço melhor.Mas confesso que nas últimas temporadas, Lourenço tem se superado na criação de vestidos elegantíssimos e atemporais.
Para o verão ele porpõem um encontro inusitado entre o futurismo da década de 60 com design de automóveis. Inusitado, mas nem de longe antagônicos, já que estamos falando de um design de construção geométrica típica de Courreges e Pierre Cardin com aerodinâmica, que é um dos pontos chaves do projeto de um carro.
A tradução deste universo pelo estilista se deu através de peças com acabamento arredondados, muitas curvas, contrastes gemométricos em cores fortes, efeitos vazados, numa mistura feliz de esportivo com “chiqueria no úrtimo”. Impressionante como ele e Herchcovitch conseguiram traduzir os desejos da estação de forma tão pessoal.
Jefferson Kulig ![]()
Coleção irregular. As estampas de pássaros ou da banndeira do Brasil são muito óbvias, mas o trabalho que ele fez com com elástico e metal são muito bacanas. Se concentrasse o esforço nisso já teria ganho muitos pontos! Teria o lado conceitual que ele tanto ama e um aspecto comercial desejável.
Animale ![]()
A Priscilla Darolt com certeza conseguiu impor um estilo bem específico para Animale: mulheres fortes com armaduras que mudam a cada estação, recortes e construções preciosas, tecidos de última geração,numa imagem que com certeza cabe muito bem na Rachel Zimmermann.
Mas a questão é que existem 2 Animales: a da passarela e campanha e o que vai para as lojas. A coisa é tão gritante que um dia o Herchcovitch comentando ao vivo para o GNT Fashion declarou que tinha visto o desfile e se interessou por um tecido e foi na loja e cadê? Nada, nada! Hummmmmmmmmmmm
Adriana Degreas ![]()
Era uma estréia bem aguardada, já que a estilista de moda praia é bem queridinha de várias editoras de moda, porque seus maiôs sempre dão um up em muitos editoriais.
Assim como está acontecendo na Copa do Mundo, onde muitas seleções estreiaram com empates, o mesmo efeito ocorreu com Degreas. Tem momentos incríveis com biquinis e maiôs em cor nude feitos com rolotês ou com a beach lingerie que está em alta, alternando com outros chatíssimo como as flores 3D no bustiê, que eram de chorar de ruim.
Vamos esperar pelo segundo jogo dela!
Lino Villaventura ![]()
Eu amo o Lino! Acho uma das coisas mais sensacionais que a moda brasileira tem. Nada é comum, nada é banal. É como uma viagem lisérgica que as formas vão tomando contornos únicos. Agora ele traz efeitos sanfonados em várias peças que explodem em mil cores e fazem com que as modelos se esforcem para que tudo tenha muito balanço.
É sempre o Lino de sempre, mas com diferenças que ele consegue imprimir a cada estação. Esta é uma coleção menos diáfana que as duas últimas, mais solta, mais decotada, mais alegre e nunca menos absurda que o habitual.
Eu queria ter uma visão de mundo destas!
SPFW#3: Cavalera e Maria Bonita fazem festa para os olhos
Cavalera em festa pelos seus 15 anos. Maria Bonita investindo com sucesso mais uma vez em tema brasileiro. Wilson Ranieri voltando a sua grande forma. Pontos altos de uma sexta-feira fashion.
Cavalera ![]()
15 anojeos de moda no Brasil é uma data para se comemorar e muito. A história da Cavalera se confunde com tantos estilistas talentosos como André Lima, Thais Losso, Marcelo Sommer, Emilene Galende, JPig, Igor de Barros, entre tantos outros, sempre sob o comando do Alberto Hiar.
15 anos de desfiles memoráveis como o do Museu do Ipiranga, Rio Tietê, Minhocão, Galeria do Rock. Esta relação com a cidade, música e moda sempre estiveram presentes na marca, já qie o próprio nome vem dos irmãos Cavalera, né?
E foi no clima de baile de debutantes na Casa Panamericana que a marca resolveu comemorar a data. As meninas apareceram bem arrumadinhas com vestidos florais, alguns com camadas de tule negro, e ainda a renda negra, conservando o espírito rock´n´roll da marca.Acerto grande do stylist David Pollak foi usar bermuda jeans com vestidos de renda com saias godês bem armadas.
Mas quem brilhou mais uma vez foi o Igor de Barros com sua silhueta enxuta, alfaiataria renovada de primeira, que confirma seu nome como um dos mais importantes da moda masculina jovem do país. As calças mais curtas, os blazeres com colete aplicados ou os sem mangas são puro objeto de desejo para qualquer banda de rock fazer bem bonito no palco e aqueles jovens que gostam de se arrumar vão arrasar corações de qualquer groupie por aí.
Delícia, delícia!
Maria Bonita ![]()
Conheço pouca gente da moda que é tão letrada e inteligente como a Dani Jenssen. Há algum tempo ele vem fazendo um trabalho ímpar de pesqujsa de coisas bem brasileiras que nos fizeram ir para feiras destas de rua, para praias de pescadores, fez muita gente conhecer a obra de Lina Bo Bardi, arquiteto (ela não gostava de ser chamada de arquiteta) italiana com alma mais brasileira, e agora vem com a fotógrafa Anna Mariani e as fachada das casas populares, daquelas bem simples, com colorido alegre e geometria perfeita: tipo duas janelas e uma porta.
O impressionante desta vez é o tecido de madeira inacreditavelmente e todo articulado. Esta articulação com peças para formar uma roupa já tinha aparecido no Inverno da marca. Tudo é muito simples, com calças amassadas e curtas de cintura alta, vestidos que ganham textura de barro e construções co aberturas que lembram rasgos na junção das casas caiadas.
É lindo, é simples. Como dizia Cristina Franco na década de 80, é muito chic, e se é chic, eu gosto!
Wilson Ranieri ![]()
Nas últimas coleções não achei tão genial, ainda mais conhecendo o talento impar do Wilson Ranieri. Ele andou flertando com muito com o sexy, mas (na minha opinião) a mão não tinha acertado por completo. Eis que agora ele ressurge como nos bons e velhos tempos e apresenta o melhor que ele sabe fazer. Peças impecáveis, com pregas aqui, torcidos acolá, pences para dar uma quebrada ali. Moulage, meu bem, moulage. Tem até tranparências, mas desta vez, o sexy é muito elegante e bem trabalhdo.
Bom ver gente talentosa de volta em grande forma, e este ano, tivemos vários exemplos disso de contemporâneos do estilista.
Movimento ![]()
Assim como o cinto de couro da Água de Coco, a Movimento conseguiu também muitos pontos com os bolsinhos nas tangas. É prático, bacana e a marca conseguiu inserir de uma maneira que integra sem que pareça fora da ordem. Além das estampas coloridas que fazem alegria para os olhos, afinal verão no Brasil é também temporada de cor e felicidade!
Simone Nunes ![]()
A esta altura do campeonato já sabemos que sem flores não teremos verão. Simone aposta em muitas e grandes e coloridas. Muito boa a percepção da estilista quando mistura várias padronagens floridas com listras, que ficam melhores quando o comprimento é curto. Já vimos muitas longuetes no Rio, mas quando vejo, não acho que funcione tão bem, ainda mais na altura das brasileiras. E já pelo nome, já vem com uma carga cafona junto. Se não fosse por isso, o desfile teria sido ótimo. Mas a moda tem isso, comprimentos contam muito.
Samuel Cirnansck ![]()
Depois do desfile absurdo com roupas-mobiliário, agora o estilista de volta para o Halloween. Mas se esquecermos o começo meio óbvio, tudo começa a melhorar com o lado bourdoir-fetichista que ele sempre dominou muito bem. Aí entram em cena os vestidos-corselets, os maiôs tipo dominatrix futurista em negro. Estética meio Lady Gaga, mas cheio de coragem e atitude.
FH por Fause Haten ![]()
Não é fácil querer virar do avesso a moda. E mais difícil ainda construir roupas a partir de outras peças, que no caso de Fause Haten, nem sempre casam bem uma com a outra. Todo kitsch a la Marc Jacobs que funcionou superbem no Inverno, agora ficou fora do tom. Over, over, over! Volte duas casas e fique uma vez sem jogar!
SPFW#2: Alexandre Herchcovitch e as mais lindas mangas do verão
Como disse uma vez o falecido crítico de moda Colin MacDowell: “O mundo da moda não tem meias medidas. O estilista tem que saber o que gosta e não gosta com profundidade, tem que saber analisar, saber desmembrar uma roupa. Entender a si mesmo e ao mercado e saber o que ele quer de você”. Alexandre Herchcovitch nesta temporada provou isto com louvor!
Iódice ![]()
Confirmou! Na temporada carioca cansei de repetir: simplifica que melhora! O preto e branco da Iódice ficou muito chique, discreto, sem grandes alardes. O vestido branco de Aline Weber com cintura marcada e saia godê é um ótimo exemplo. Os marrons entraram bem, mas o amarelo e o vestido de lenços da Vivi Orth poderiam ter ficado de fora, porque quebraram toda a história do balneário elegante que o Waldemar tanto busca e não é de hoje!
Ellus ![]()
A idéia da Ellus foi colocar o trabalho do backstage a vista de todos, estas coisa de vida real que todo mundo gosta de ver. O efeito ficou ótimo. Mas um bom desfile, não quer dizer uma boa coleção. Tivemos que esperar terminar o desfile feminino que não teve tantas novidades, sendo as melhores peças em jeans mesmo (tirando os lamentáveis rasgados) para ver uma ótima coleção masculina.
Como já vimos, a estampa floral é um dos hits da estação e a inspiração havaiana trouxe prints de flores em cores fortes usadas com caqui militar. Os jeans ganharam também cores fortes com o lindo azul royal, o bom delavê clarinho e até efeito tie-dye. As calças com gancho mais baixo, bem relax, foram também destaques. O debrum florido discreto usado nos casacos também demonstram cuidado extra na coleção.
Depois de um inverno sem nenhuma inspiração, só de ver o masculino deu um up bem forte para a marca, num verão onde as coleções masculinas estão muito boas.
Água de Coco ![]()
Pela nossa excelencia em moda praia, parece que as marcas querem inventar mais do que precisa. Tudo bem Lenny e Rosa Chá fazerem dos seus desfiles uma vitrine para mostrar novas possibilidades para maios e biquinis. Agora marcas como Cia Marítima e a própria Agua de Coco deveriam se preocupar com a mulher real, que precisa de moda praia de verdade.
Me diga qual mulher iria usar uma alça tão larga? Ou tangas irregulares? Melhor quando ela aposta mesmo em detalhes como os cintos, bem charmosos, em maiõs e biquinis. Isto sim é uma evolução e pode ser usado sem medo.
Alexandre Herchcovitch ![]()
As mais belas mangas do verão!
Geometria é um tema caro para o estilista, que sempre se precupou com a modelagem de suas peças. No inverno de 2008 ele investiu forte nisso, naquilo que chamei de geometria da sedução. Se naquela coleção as partes geométricas não eram armadas, ao contrário da coleção inspirada no futebol americano do verão 2010 em que as mangas eram mais estruturadas, chegando no exagero daquelas meio orelhas de Mickey que encerrou desfile.
Agora, as mangas ganham pences, volumes que se soltam e se prendem, num exercício de vestidos até mais palatáveis e comerciais, no bom sentido, porque eram belos e fortalecidos pelas estampas e cores inspiradas na arte abstrata de Mark Rothko, artista que se suicidou em 1970 e que costumava dizer que o silêncio era mais acertado.
Cori ![]()
Foi a melhor coleção até agora desenvolvida pela Gisele Nasser e Andrea Ribeiro, principalmente quando elas aplicam as flores inspiradas nas pinturas dos viajantes que vieram em expedições científicas ao Brasil no século XIX. A força do floral faz com que as formas sejam mais simples e menos complicados que os vestidos com plissados. Ainda assim, a Cori vai se tornando muito mais feminina nas mãos da talentosa dupla, especialmente Nasser que aos poucos vai incorporando sua técnica ao repertório da marca, como o lindo casaco cinza desfilado pela Bruna Tenório.
Osklen ![]()
Depois de um inverno bem conceitual em feltro e formas geométricas bem armadas, a Osklen volta as origens mais calmas que fez sua fama: malharia sofisticada com ar relax, sem deixar a elegãncia de lado. As peças foram tingidas com pigmento azul natural e no desfile vai começando bem clarinho, passando pelo ton sur ton até chegar num azul profundo.
Do passeio por estas águas calmas, tem espaço também para redes e nós de marinheiros, que dão bonito efeito em sobreposições tanto femininas quanto masculinas, assim como transparências. Bom ver a continuidade de um trabalho que não se cansa de mostrar quase as mesmas peças de sempre com um toque de renovação a cada temporada. Assim como aquela postura desnecessária do Oskar Metsavaht admirando a própria obra. Preguiçaaaaaa
Triton ![]()
Uma pergunta: Paris Hilton vende???? Afe, megapreguiça dela! Mas os vestidos, especialmente com franjas tem lá sua graça…
SPFW #1: Rosa Chá é o grande destaque com beach couture
Tufi Duek ![]()
Depois de um inverno minimalista em que Eduardo Pombal acertou a mão, agora no Verão, ele dá uma derrapada. Me diga qual mulher em sã consciência vai querer usar roupas com aspecto plástico ou de papel celofane em pleno Verão??? Só se for para queimar as gorduras correndo (escondida) em alguma esteira ou bicicleta ergonométrica!!!
Erika Ikezili ![]()
Ela nunca foi uma estilista fácil. Tem sempre uma construção complexaque desta vez teve além dos plissados que já estamos bem acostumados, uma mistura inusitada de estampas que aparecem num patchwork intenso tanto de diferentes tecidos quanto de diferentes formas de costuras num mesmo vestido. Acho admirável a coerência da trajetória da Erika, mas confesso que os últimos looks mais calmos podemos perceber ainda mais sua técnica única.
Priscilla Darolt ![]()
Da mesma geração da Erika Ikezili, Priscilla Darolt é também uma estilista da modelagem complexa, da busca por uma moda autoral, o que por si só seria um ponto a mais na sua carreira. Desta vez, ela apresenta vestidos menos complicados do que inverno, mesmo assim consegue tirar força de detalhes baseados no Art Deco e no jogo de cores e texturas. Seus barrados geométricos são muito bem empregados desenhando de forma exemplar seus vestidos curtos. Ao contrário de muitas marcas onde o branco foi um bom aliado na hora h, na Priscilla além de funcionar nesta cor e no preto também, seus coloridos vibrantes em nenhum momento deixaram a desejar.
Rosa Chá ![]()
Eu confesso que não curti muito o último desfile da Rosa Chá. Tem uma certa continuidade formal que vem do inverno com a mistura de moda praia e lingerie, mas desta vez penso que as idéias estão mais bem resolvidas. Seantes a renda era o ponto forte, agora os corsets dão forma estruturadíssima a parte de cima dos maiôs com jogos de transparência fazendo com que a parte de baixo se pareça com calcinhas.
A grande jogada é pensar para além das praias mesmo. Tem até biquinis e maiôs prontos para ir para praia, mas tem uma linha completa com microshorts (ou hotpants, como queiram), vestidinhos, vestidões, camisas, que não são saídas de praia e sim roupas para serem usadas por mulheres fortes.Aqui o babado é forte, não é nem um pouco ingênuo. Lindo desfile e um dos pontos altos da temporada!
Reserva ![]()
Humor a marca carioca sempre teve, mas desta vez funcionou melhor do que uma piada bem contada. Ao olhar o surf da década de 70 acertou em cheio com o comprimento dos shorts mais curtos, lembrando um OP (Ocean Pacific, marca bem famosa daquela época) numa versão atualizada. São muito bacanas também as calças com a boca mais larga sem chegar a ser uma boca de sino original. Suas marcas registradas como as camisetas mais decotadas e os tricôs sempre muito bacanas estavam lá para dar continuidade a um trabalho de moda masculina muito bem sacada.
Cia Maritima ![]()
Só por ter apresentado as menores tangas da temporada, merecia 10 pontos de vantagem, afinal quando chegamos no Posto 9, 10 ou na Prainha é isto o que a gente vê. Boa idéia também é estampa croco que realmente lembra couro de crocodilo, Com tudo isso, poderia assim ter esquecido dos caftans manjadíssimos, sarueis cafonas, alguns recortes de maiôs que não precisariam entrar na passarela, né?
FR: sobe e desce do último dia e a confirmação de Lucas Nascimento
A grande questão para Lucas Nascimento era provar que tricô também dá pra ser usado no verão. Mas mais do que isso, confirmou seu talento com um desfile elegantérrimo, onde suas agulhas mostraram afiadas com shapes contemporâneos com perfume retrô. Mas o último dia também teve uma revelação: Triya.
Triya ![]()
Na ausência bem sentida da Luiza Bonadiman, coube a Triya dar um refresh no conceito de moda praia. Recortes, vazados, rasgados, assimetrias, estampas que gritam e saltam em cm2…tudo que nenhuma mulher quer usar na praia. Mas desde que a Lenny – e de uma certa forma a Neon- mostraram que a cultura de beachwear não quer dizer só areia, está tudo certo, desde que seja inspirador-renovador. E não é que a Triya conseguiu a difícil missão de renovar um repertório que usa o menor cobertura de pano na moda?
Lucas Nascimento ![]()
Segundo desfile do talentoso estilista do tricô que tem residência na maior parte do tempo em Londres. Se o inverno foi um assombro, no verão ele conseguiu o que até então só a Conven poderia fazer por estas bandas.
Fazer com que a matéria-prima rendesse o máximo: desde a leveza com que ele conseguiu imprimir na lã, da forma justa e retrô meio década de 50 sem que ficasse vulgar, mesmo com as transparências muito bem colocadas, dos plissados delicados, das texturas suaves, da cartela de cores pra lá de elegante.
E um dos top 5 da temporada carioca.
Andrea Marques ![]()
No Brasil sinônimo de elegancia na moda é a Huis Clos, sem dúvida nenhuma. Mas aos poucos, Andrea Marques vai mostrando que existem outras possibilidades, sem ter que recorrer a moulage, e podendo ser mais colorida e vibrante que a marca paulista. O bom é que ela não deixou se repetir nas fórmulas que ela produziu de forma muito hábil nos tempos de Maria Bonita Extra.
Exemplo ótimo que caminhos novos sempre são bem vindos!
Teca ![]()
Sucesso no meio da moda é medido também pelas escolhas que um seleto grupo que frequenta as semanas de moda faz. É um índice interessante, porque dá a entender que tem um tom a mais do banal e não é arrogante demais quando se usa.
Há duas temporadas, a Teca tem conseguido este feito. Muitas jovens editoras, produtoras de moda e afins usam as roupas da marca. E elas fazem sucesso por onde passam e são bem fotografadas.
Se isso funciona no povo de moda e causa este efeito, pode também funciona na vida real, já que pelo que se diz, ela vende muito bem! É uma fórmula que a Maria Bonita Extra tinha e que agora ganhou uma boa concorrente!
New Order ![]()
Desfilar somente acessórios numa passarela não é tarefa fácil. Pela segunda vez consecutiva a New Order provou que isto é possível. Destaque na temporada passada, conquistou a maioria das editoras de moda, e ainda provocou desejos das roupas que foram feitas somente para o desfile.
Ela é uma marca voltada para meninas espertas, jovens, que sabem que um bom acessório é capaz de um up grade instantâneo em qualquer produção. Em tempos de roupas caras, nada melhor que esta lição. Se não vai comprar aquele vestido florido ou com toque étnico, print de animal, com certeza vai dar para comprar uma mochila daqui, um monte de pulseiras acolá e está feita a magia da atualização.
Isabela Capeto ![]()
A boa filha a casa torna. Carioquíssima, Isabela Capeto foi convocada na esperança de dar mais conteúdo ao Fashion Rio. Eu juro que achava que ela ia fazer uma daquelas feijoadas com samba na loja dela na Dias Ferreira, mas não!
Fez desfile de passarela mesmo, foi a encarregada de fechar o evento, que como sabemos deve ser pra cima, para que na memória fique a impressão que tudo foi muito bem.
E no verão que pede florais, etnias, leveza e colorido, Isabela está mais em casa. Melhor que isso, ela deu até um refresh nela mesma. Doses altas de ritalina com melatonina, sabe como?
FR:: sobe e desce do quinto dia: Maxime é o máximo!
Penúltimo dia do Fashion Rio e o retorno triunfal com uma elegãncia minimalista cheia de bossa e geometria. British Colony é o grande destaque do dia e um dos pontos mais altos do verão. A moda masculina agradece!
Giulia Borges ![]()
Sua coleção de inverno foi um dos pontos altos da temporada carioca. Eu gosto da estranheza que ela propõe, um feminino nada óbvio. Se no inverno ela tirou leite de pedra com o tema infância, ela repete a dose, agora trabalhando com o surf, tema bastante explorado no hemisfério norte e por aqui também. Ela conseguiu mostrar novidades como neoprene – tecido tecnológico em alta, mas que ainda não vi ninguém usando além de jaquetas esportivas – numa versão perfurada que foi utilizada no meio do desfile em vestidos com recortes estranhos. A cartela de cores é meio esquisitinha.com, mas tudo certo. Melhor arriscar do que ficar na mesmice.
Patachou ![]()
É tudo o que se quer neste verão, tipo lista de tendências: cardigãs levinhos, saias de cintura alta, boa estampa, feminino mais rente ao corpo e curto e ainda assim chique. Sem esquecer os tricôs que fizeram a fama da marca mineira. Mesmo assim, é um desfile típico de show room.
British Colony ![]()
A volta de Maxime Perelmuter às passarelas tem que ser comemorada em alto e bom som! Ele mostra um homem contemporâneo, elegante, pronto para ser usado, sem ter que apelar para os recursos femininos, muito em alta, como sabemos.
Maxime nunca escondeu a herança paterna vinda do estilista George Henri, muito pelo contrário, ele se orgulha disso e assume a influência. Desta vez isto veio através da cartela de cores, a simplicidade elegante, o despojamento das formas limpas.
O estilista carioca tinha deixado as passarelas para cuidar um pouco mais da marca e deixar a pressão entre agradar os críticos – que sempre adoraram a forma com que ele tratava seus desfiles com muitas ousadias – e o público que compra sua marca, nada afeito estas modernidades.
Este meio tempo serviu para a maturidade da marca. Tem um equilíbrio muito forte entre looks que nós adoramos ver e peças em separado que vão garantir as vendas. O que não mudou foi a qualidade do corte e do acabamento. Seja moderno, seja conservador, roupa bonita e bem feita todo mundo quer!
Juliana Jabour ![]()
Minha mais que querida estilista sempre que me encontra, não importa se é dois dias ou dois meses, acaba reclamando das críticas que faço às suas coleções. Acabo explicando os motivos, coloco claramente os pontos altos e baixos e acabamos sempre rindo e se abraçando.
Não é para menos, acompanho seus passos desde quando ela desfilava na Casa de Criadores. Eu sempre comentei que tinha um certo exagero nas formas que não era necessário, e agora ela simplificou bastante as formas, e mesmo quando tem vontade, ela dá uma segurada numa manga, num volume que poderia ficar demais numa saia ou short.
Bons os casacos soltos com lapelas molengas, a cartela de cores, a maior consciência entre do jogo amplo-em-cima e justo-embaixo (e vice-e-versa). Tem as peças chaves da estação e vai continuar vendendo bem como sempre.
Mas agora, suas clientes vão ter opções de uma estilista muito mais madura.
Carlos Tufvesson ![]()
Como militante gay sua trajetória é admirável, mas como estilista não consigo gostar. Agora ele partiu de uma boa premissa – o minimalismo – o que poderia sugerir uma reviravolta no seu estilo tão-tão. Mas não foi desta fez. Não existe elegância em pirigueti. Posso estar errado, porque elas existem aos montes e não estão nem aí pra mim!
Espaço Fashion ![]()
Nem um dos maiores talentos de styling deste país, Dani Ueda, conseguiu salvar do desastre na BR 101!
FR:: sobe e desce quarto dia: Blue Man e Melk Z-Da salvam domingo
Quando a gente assiste a um bom desfile e ainda tem uns 4 pela frente, a fala mais comum é: já pode ir embora. A Blue Man teve este efeito. Ainda bem que o incrível Melk Z-Da desfilou para valer a pena, e não ficar com imagens chatas, que já nascem datadas. Efeito WGSN forte!
Blue Man ![]()
A Blue Man já fez desfiles memoráveis como aquele gigantesco nos Arcos da Lapa, quase uma ópera. Volta agora em grande estilo participando da reforma do Teatro Glaucio Gil e com Ney Matogrosso e Yamandu Costa em show do tipo íntimo.
Mas longe de ser poeira nos olhos, foi o palco perfeito para um show de maiôs e biquinis para vida real! A herança de David Azulay está lá toda intacta. Eu já falei isso uma vez e repito: meu verão só começa quando eu entro na loja da Blue Man e compro uma sunga. São muitos anos nesta história e não tenho outra marca no guarda-roupa. Agora então morando em Ubatuba, vou ter que comprar muito mais!
Filhas de Gaia ![]()
Mantra fashion: simplifica que melhora! Mais criação e menos repetição, POFAVO!
Cavendish ![]()
No paraíso não vamos usar roupas, né?
Melk Z-Da ![]()
Este menino é sempre genial! De uma idéia que poderia ser um perigo nas mãos erradas, as danças populares que estão em extinção no Brasil como o reisado e o congado, ele faz um desfile de grandes e delicados contrastes.
Ao optar pelo branco, todo o minucioso trabalho dele não tem artifícios como estampas étnicas, vestidos esvoaçantes ou florais que invadiram as passarelas wgsnianas.
Transparências, tramados armados, barrados bordados, cortes assimétricos e ainda assim plenos de equilíbrio, pregas gigantes formando babados surreais, tecido rico e tecido barato… Criação pura! Delírio pleno! Vale a pena ver os detalhes no FFW do desfile para entender um pouco o que isso quer dizer.
Com tudo isso, não tinha salto alto, era tudo pé no chão. O que deu um toque de elegância, num mundo que só quer saber do glamour!
OESTUDIO ![]()
Será que os criativos cariocas tem medo da moda? Te digo, a moda não precisa de muletas, ela se basta por si e pode ser mais encantadora do que muita coisa dita artística, viu?
TNG ![]()
A marca vem alegrinha, colorida, com estampa de bolas, listras, losângos, um rosa bonito aqui, outro azul acolá. O problema é um certo didatismo no desfile, onde tudo veio tudo muito blocadinho, monótono, o que acabou deixando a excelente coleção de inverno com saudades!
FR:: sobe e desce terceiro dia: pra que mesmo?
Eita diazinho viu! Poderia não ter existido. Cantão e Maria Bonita Extra responsáveis por bons momentos no passado, não conseguiram realizar desfiles completamente bons. E no final das contas, nenhuma marca conseguiu se superar neste dia. Tudo do mesmo!
Cantão ![]()
Depois de tantas (excelentes) viagens feitas pela Yamê Reis, num verão em que o multiculturalismo dá as caras, a Cantão agora com a direção criativa de Renata Simon, faz com que ela procure seu caminho próprio. Deveria começar evitando ter a Fernanda Lima como modelo, afinal ela não é mais uma menininha, público alvo da marca.
Tem um pouco de tudo que a Cantão fez nos últimos anos e a tentativa de um feminino menos utilitário e um pouco mais romântico, sem ser bobo. Algumas peças funcionam, mas ao ver a coleção inteira não tem a força de antes, a qual fazia a gente feliz de ver.
Ainda está numa frase de transição, vamos esperar pela próxima coleção para ver no que vai dar!
Printing ![]()
A cada ano a marca mineira elege uma marca internacional de referência. Já tivemos Prada e agora Marni. Digo e repito: não precisa mesmo porque tem excelente acabamento, tecidos incríveis, bordados preciosos. Falta a coragem de soltar a mão e acreditar no talento que tem.
Maria Bonita Extra ![]()
A Maria Bonita Extra já teve dias melhores, inclusive nas próprias mãos da Ana Magalhães, quando foi destaque com suas camisetas transparentes no verão passado. Agora parece que aquela garota esperta, mas comportada, ficou meio velha usando coisas como tafetá dourado, casaquetos durinhos, babados empertigados… Pelamor! Melhor os momentos longos meio esvoaçantes, bem mais fáceis, por incrível que pareça.
Aussländer ![]()
Depois da coleção meio medo, meio Hellraiser de inverno, a carioquissima Aussländer resolveu pegar carona no sol dos festivais de verão europeus para dar continuidade sua moda ultrafácilfácil, quase uma versão Topshop ou H&M brazuca, sem os precinhos de lá, claro! Acho que está mais pra 284, mesmo!
Alessa ![]()
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