Antes de tudo vale a pena ler TO-DOS os posts feitos pelo Sylvain Justum no Hypercool que viu os melhores desfiles lá mesmo, ao vivo e em cores!!! Nesta análise quando há um desfile visto pelo querido amigo, o link é para os comentários dele.
Agora que já fiz o balanço do verão 2011 para o Portal Senai de Design, posso falar sobre o que achei de mais significativo. Quem acompanha o blog percebe que estou interessado em grandes blocos temáticos, buscar temas que vão se repetindo para ver por onde a moda masculina caminha.
O que mais me chamou a atenção é que o otimismo está de volta. Depois de um inverno sóbrio e sizudo, o verão se não explode em cores, está mais leve, muito mais solto e até certo ponto sexy.
Conheça quais as principais direções que foram desfiladas em Paris
EXPEDIÇÕES
Não há uma explosão de cores, mas de sobreposições não só de peças, mas de etnias. Eu gosto desta forma pós moderna como a moda lida com a geografia e a história.
Antonio Marras da Kenzo se inspirou no explorador frances Pierre Savorgnan de Brazza na sua viagem para o Congo e conseguiu atualizar de uma maneira única o velho estilo safari, com estampas delicadas e mais azul acizentado do que cáqui:
Já John Galliano busca nas viagens guerreiras de Napoleão para sobrepor uma mistura de Oriente, Italia e África, retomando aspectos de roupas militares que ele tanto ama.
Rei Kawabuko na sua Comme des Garçons faz o improvável de forma admirável misturando judeus ortodoxos, África e tartans escoceses, mostrando que na moda as fronteiras geográficas e culturais podem conviver em delicada harmonia.
O Japão foi um dos pontos de partida de Nicolas Ghesquière para Balenciaga. Os kimonos e os hakamas ganharam a interpretação arquitetonica para diluir um pouco suas origens.
LEVEZA
Se depender de Paris, está na hora de dizer adeus para as gravatas. São chic e casuais os lenços no pescoço e bem mais relax do que andar engravatado no verão, como viu-se na coleção de Hermès, onde teve até uma interessante versão de uma gravata lenço.
Ou usados como foulard tradicional mesmo em Junya Watanabe.
Mesmo que o shape slim fit estivesse bem presente, foi bom ver os shapes mais soltos, as calças mais largas, muito bom para arejar literalmente o verão, como em Kris Van Assche
E na coleção de Miharayasuhiro
SEXY
Depois de emplacar o Deep V Neck, o decote masculino, agora o foco é nos ombros de fora. Não é só a nossa velha conhecida camiseta que apareceu com força, como também coletes, camisas sem mangas e até paletós. Em Kenzo veio na malha de tricô:
Eu achei que este dia nunca chegaria. Eu ODEIO sapatenis, acho cafona mesmo. Ele está para o homem, assim como a “pata de bode” (aquelas botas de rave) está para a mulher.
Então, aquele calçado que surgiu com os Casual Friday’s, já que eles não são tão esportivos quanto um tenis e nem tão formais quanto um sapato, além de dizerem por aí, que são ultraconfortáveis, são o sucesso de venda de muitas marcas por aí. Aliás, o pólo calçadista de Franca é reconhecido exatamente por este modelo.
Estava fazendo uma pesquisa sobre tendencias de sapatos masculinos para o inverno 2010 e eis que me deparo com vários modelos de sapatenis bem legais, desejáveis e usáveis. Nada como um bom design para salvar a vida daquilo que para mim estava pra lá de condenado.
Dá uma olhada e veja se eu não tenho razão? Na minha opinião, os melhores são os modelos inspirados nos tradicionais Oxford, além daqueles que deram uma simplificada no cabedal, sem aquela quantidades de cores e costuras tão tradicionais neste tipo de calçado.
Quem sabe, as marcas de lá podem se inspirar e deixar os sapatenis mais simples e elegantes???
Posted by Ricardo Oliveros on Jun 30, 2009 in Arte, últimas
Quando estudava Arquitetura amava Lina Bo Bardi e Tadao Ando. Quando estudava Teatro e Dança amava Pina Bausch e Kazuo Ohno. Afinidades eletivas. Eu costumo dizer que a Dança me permitiu ver a Arquitetura, assim como esta me fez entender a Moda.
Na época da Unicamp lá por 1984 quando me apresentaram o trabalho do Tanztheater Wuppertal eu ficava sonhando em fazer uma audição para Pina Bausch, afinal pretensão um dia todo mundo tem.
Mas a vida nos leva por outros caminhos. Anos depois, após a apresentação da performance Saindo do Armario, a Erika Palomino me chamou para fazer um editorial para Key inspirado em Pina Bausch. Lá estavam as flores no chão, o vestido vermelho, o casal que dança com melancolia sua uma relação.
Quando nossos ídolos morrem, um pouco de nossos sonhos vão juntos. Agora é reler o lindo livro do Fabio Cypriano lançado em 2005 pela Cosac Naify, “Pina Bausch” e relembrar de seu último espetáculo no Brasil, “Para crianças de ontem, hoje e amanhã”.
Escolhi este vídeo Coffee with Pina por Lee Yanor, de uma simplicidade surpreendente mostra Pina Bausch num café em Paris e um solo de suas coreografias com uma bailarina de vestido vermelho.
Outro elemento constante é a interação com o público, servindo vinho, café, dando abraços… A sra. gostaria que não houvesse limites entre palco e platéia?
BAUSCH - Eu sou muito tímida, há sempre um limite. O que é bonito sobre encenar um espetáculo é que cada performance é diferente da outra. Ela nunca pode ser repetida novamente, sempre será única. E eu acredito que público e dançarinos são apenas uma coisa, por isso adoro performances ao vivo. Ao mesmo tempo, é sempre um recomeço. Depois que fazemos com que ela tenha acontecido, precisamos conseguir torná-la viva novamente no dia seguinte. Uma vez feita, há sempre que recomeçar. E eu gosto de vir aqui e sentir cada um, mas de uma maneira muito respeitosa. E eu sempre sinto algo especial nesse tipo de relação. Há algo muito mais além do que simplesmente servir vinho. Vinho ou café são símbolos de proximidade, além de haver também um certo humor disso ocorrer num teatro. Mas eu mesma tenho meus limites, sou mesmo muito tímida.
Ontem Gloria Kalil esteve no Roda Viva. É sempre bom ouvir o que ela tem para dizer e não foi diferente desta vez. Além da mediação e apresentação de Heródoto Barbeiro estavam na bancada Lidia Goldenstein, Cristiane Mesquita, Paulo Lins e Eliane Trindade.
Tem coisas que quem acompanha de perto já são até clássicos dela, mas que vale a pena ser repetidos como:
“”Uma pessoa é elegante quando ela tem um comportamento elegante, não é só o que ela veste. Vestir é uma maneira de você se apresentar. A roupa fala o tipo que a pessoa é, mas depois disso você tem que se apresentar. Elegância é a forma de se vestir com a maneira de se comportar”.
Aqui ela fala mais sobre a etiqueta:
Agora sobre a importancia de divulgar informações sobre moda e etiqueta:
Aqui sobre o ternos e os políticos:
A única coisa que não concordei foi “é chato ver homem na passarela. Não tem graça. Os homens mais lindos, os meninos mais lindos que você possa imaginar… Aquilo não muda e a roupa não muda”.
Muda sim, Gloria. Tudo bem que é a mudança está nos detalhes, mas ainda assim, muitas vezes dão um banho em tantas marcas que insistiram este ano em drapeados, tomara-que-caia, maios impossíveis…
Há muitos anos escrevo sobre os desfiles do Ronaldo Fraga. O primeiro que escrevi foi em 2000 ainda na ZipNet. Era uma Casa de Criadores, e o tema era A Carta. Na verdade ele escreveu uma carta para Jum Nakao dizendo que queria fazer uma coleção inspirada nele. O resultado foi Fraga lendo Jum e Jum lendo Fraga.
Eu fiquei tão impressionado com a atitude, com o desfile e acabei fazendo um texto apaixonado. A Suzy Capó não acreditou no texto que de jornalístico não tinha nada e mesmo assim publicou, só que assinado.
No dia seguinte fui cobrir os outros desfiles e alguém avisou que o Ronaldo queria conhecer o autor daquele texto. Fiquei meio sem jeito, e ele com toda a generosidade, agradeceu muito o texto.
Teve vezes que eu não estava trabalhando com moda, mas como já tinha sido picado pelo bicho da moda, pedi um convite para o Vicente Negrão. Por coincidência ele estava ao lado da Mercedes Tristão, que não teve dúvidas e me deu um convite.
Desde então, dificilmente perdi um desfile dele. Mesmo quando eu não estava cobrindo e nem tinha blog, mandava o texto para ele por email. Assim, fomos construindo uma relação de amizade que tem data marcada duas vezes por ano.
Três vezes recebi elogios que guardo no coração. O primeiro foi por telefone e como eu não estava, ele deixou um recado na secretária eletrônica. O Vitor Angelo não deixou que eu apagasse a mensagem. E ficava lá: Ricardo, é Ronaldo Fraga…
O segundo foi quando ele esperou quase 6 meses para dizer o quanto ele ficou emocionado com um texto meu sobre o desfile dos velhinhos, porque ele disse que queria dizer isso pessoalmente.
O terceiro veio agora via Facebook e eu quase cai para trás: “amigo mais que amado, no futuro irei publicar todas as linhas que escreves sobre o meu trabalho…sempre tão generosas, inteligentes e incentivadoras!!! Ter um texto escrito po ti já vale o peso de ter que fazer uma coleçao. terno abraço, ronaldo”.
Afe, não é para me gabar, mas isto vale ter assistido os 108 desfiles numa temporada.
Não escrevo isto para dizer: “olha como eu sou bom”, e sim, que sirva de exemplo para um monte de gente que está começando a escrever sobre moda. Seja sincero, seja honesto com o que escreve, mande para os estilistas que você gosta e acompanha. Um dia, para além dos veículos que você escreve, você vai ser reconhecido por aqueles que você respeita.
Deu certo comigo, mas sempre com muita insistencia e perserverança. Eu não sei sobre o amanhã. Não sei se vou estar num veículo de moda ou não. Mas com certeza, vou continuar a escrever. Com ou sem convite!!!!
Costanza Pascolato, a maior pensadora de moda do Brasil segundo Vitor Angelo e Alcino Leite esteva ontem no Bate Papo do UOL para falar sobre o lançamento do seu terceiro livro “Confidencial”, no dia 06 de julho.
“Ele não é exatamente uma biografia, mas como todo me perguntam o que faço para continuar sendo ativa e elegante, eu na verdade nem me acho tão elegante assim. Depois que lido com muita cor na fábrica e fico no aprefeiçoamento do que virá e parece que quando estou usando uma cor já estou ultrapassada. A edição foi da Marcia Cabral
Eu sou uma pessoa esforçada, disciplinada. Como neste livro tem bastante coisa falando sobre disciplina achei que iriam me achar uma chata, mas ao longo do tempo esta disciplina é uma grande vantagem.
Foi um trabalo muito amoroso, porque foi editado como sou. Então é uma mistura do que aprendi ao longo do tempo, se sou assim é porque aprendi um monte de coisas e tomei cuidado de ficar somando tudo isto. E não sei por que alguém gostaria de ser eu, pois ela pode ser ela no melhor dos mundo. Eu tentei colocar eu mesma, o que é um produto, então vou trabalhar este produto como se fosse um bolo com ingredientes legais, batendo a massa até ficar legal. Então cada pessoa pode pegar o que tem de melhor e de pior e ir corrigindo ou ir olhando para o que é melhor”.
Perguntaram se o brasileiro é elegante ou copia muito:
“A mulher brasileira tenta mais do que o homem na idade adulta. Ela é muito mais cuidada do que o homem, não pára diante de nada, se for para fazer ginástica ela faz, o cabelo é impecável. Em poucos povos do mundo a mulher é tão bem tratada como a brasileira. O homem está começando a se tratar mais. Hoje vemos casais em que a mulher está muito elegante, bonita e bem tratada e o homem de camisa e calça branca… Então o homem ainda precisa fazer uma forcinha. Hoje não tem uma moda que não seja um pouco bastarda, uma mistura de tudo, porque a informação é universal. O que estou sendo como produtora de matéria-prima para roupas é que o Brasil está rapidamente alcançando uma espécie de autonomia não só nas cores e tendências, mas também disso. No Brasil peças conhecidas lá fora e são copiadas no mundo inteiro, tem tanga asa-delta americana ou francesa, mas vieram do Brasil. E como vivemos uma vida muito menos formal do que em outros países do mundo, usam menos roupa, são menos formais”.
Uma ótima pergunta foi: há tanto tempo se dedicando à moda, como a senhora vê o atual momento da moda brasileira? acredita, como disse Didier Grumbach em palestra recente no brasil, q não existe mais moda local?
“Está errado, ou seja, tem que distinguir as coisas. Claro que não fazemos uma moda “tucano” e “coqueiro”, o que é uma bobagem mutio grande. E nunca fizemos artesanatos, tem tímidos artesanatos pelo Brasil afora. O ideal seria a integração da indústria com o artesanato. Poderia haver mais integração. Mas existe uma preferência nacional por certos modelos, certos tipos de roupas _falando ao que se usa na realidade, não falo de passarela. Mas estamos em um processo avançado no estilo de moda. O brasileiro gosta de moda, se interessa, é uma coisa a flor da pele. A mulher é muito feminina neste país, então é a que puxa este cordão”.
Em outra parte do chat, ela continua a falar sobre identidade da moda brasileira, que também comentou na entrevista do Vitor:
“Precisamos assumir com mais coragem. Somente um país com bastante cultura e segurança de moda, que não tenha medo de ousar em ser diferente. O que achei mais legal da semana de moda foi a ousadia de alguns estilistas que brincaram com algumas coisas que poderiam ser bregas, que fossem mal-interpretadas. Nós nos emocionamos com coisas bem feitas. Não somos preconceituosos com a nossa regionalidade. O que falta é dinheiro e ter coragem. Temos que nos estruturar mais, ter mais poder para podermos fazer as coisas melhores e arriscarmos mais. Uma coisa é a imagem de passarela e outra é a escolha do que se vai colocar na loja”.
Esta eu já sabia, pois ela me comentou certa vez que como se sentia meio isolada do mundo na fábrica Santa Constanza, ela adorava ler os blogues:
“É impossível acompanhar todos, mas adoro blogs. Eu fiz uma coluna na Vogue em 1995 sobre blogs. Daí os brasileiros começaram e foi muito rápido. É difícil saber onde estão todos os blogs, não acompanho todos. Blogs de moda em português eu conheço quase todos”.
Sobre moda x grana:
“No livro “Confidencial” tem capítulos que diz que a falta de dinheiro te deixa muito mais criativa. Eu já estive falida, rica, vivi todos os lados. Tinha o conhecimento, o olhar e lembro que nas época em que tive menos dinheiro, sem ser palpérrima, eu via que tinha muito mais imaginação, procurava com mais afinco o que eu gostava e em qualquer lugar. Para nós que somos da moda fomos as primeiras a comprar nas Lojas Marisa, C&A etc. que estão muito melhores do que já estiveram, cresceram muito. Então temos uma moda muito mais democrática, está ao alcance de todos. Temos brechó etc. há infinitas possibilidades”.
Ela não é mesmo incrível???
A Geovanna Morcelli do UOL acabou de me passar o código do vídeo com a entrevista completa!!! Tks a lot!!!
Posted by Ricardo Oliveros on Jun 29, 2009 in dicas, últimas
Recebi este email com pedido de publicação via Lalai. Mesmo não sendo um assunto de moda, achei que publicar no blog é ajuda que me pediram e não custa nada. Faça o mesmo você também e divulgue!!!!
Até abril desse ano, quando a Ministra Dilma Rouseff foi diagnosticada
portadora de Linfoma, um tipo de câncer muito mais comum do que se
imagina, as pessoas sabiam pouco ou quase nada sobre o assunto.
Uma pesquisa do DataFolha, realizada em 2008, revela que 66% dos
brasileiros nunca sequer ouviu falar nisso, e dados obtidos pela Abrale só
confirmam as estatísticas: de 895 pacientes em tratamento, 87% não faziam
a menor idéia do que era o Linfoma antes de contrairem a doença.
Apesar do burburinho que se formou em volta do assunto, provocado pelo
diagnóstico da Ministra (e, atualmente, da autora da TV Globo, Glória
Perez), pouca gente faz idéia, por exemplo, que o Linfoma mata mais que 3
mil pessoas por ano, o que corresponde a uma média de 8 pessoas por dia.
Outra informação curiosa, que só quem sofre com a doença sabe, é que o SUS
não possui tratamento adequado para o Linfoma e que a lista de
medicamentos para esse tipo de câncer não é atualizada há mais de 10 anos
pelo gorverno. Além disso, muitos médicos da rede pública desconhecem como diagnosticar e tratar os pacientes, o que diminui substancialmente as
chances de descobrir a doença a tempo de curá-la.
Em poucas palavras, quem não tem dinheiro para arcar com um tratamento em hospital particular como, felizmente, está fazendo a Ministra Dilma, acaba por não ter acesso aos medicamentos mais modernos - como o MabThera - que, combinados com a quimioterapia, garantem índices muito maiores de recuperação.
Quando diagnosticado a tempo e tratado com os medicamentos certos, os
pacientes com Linfoma tem 95% de chance de cura.
A esperança é que, quem sabe agora, o governo comece a olhar para esse
assunto com outros olhos e recupere os 10 anos de atraso no tratamento da
doença.
Resumindo, o que é o Linfoma:
O Linfoma é um tipo de câncer que se desenvolve principalmente nos
linfonodos (gânglios) do sistema linfático, um dos responsáveis pela
defesa natural do organismo contra infecções. Existem dois tipos: o de
Hodgkin e o não-Hodgkin, que correspondem respectivamente a 20% e 80% dos casos no Brasil e no mundo.
Como é feito o diagnóstico?
O sintoma mais comum é o aumento indolor dos linfonodos, principalmente no pescoço, mediastino (região entre os pulmões e o coração), axilas, abdômem ou virilha. A pessoa pode também ter febre, suor noturno, perda de peso e coceiras.
E afinal, qual o jeito certo de tratar a doença?
Hoje em dia, o tratamento que oferece a maior chance de cura para os
pacientes de Linfoma não-Hodgkin é uma combinação da quimioterapia
associada a anticorpos monoclonais, os chamados medicamentos inteligentes. Isso porque eles combatem as células doentes, preservando as sadias.
COMO CADA UM DE NÓS PODE AJUDAR
A única forma de ajudar quem não tem como bancar um tratamento particular a se curar do Linfoma, é divulgando o assunto e ajudando a mobilizar a população para que ela exija que o tratamento adequado esteja disponível para toda a população.
A problema é que o assunto, de um mês para cá, começou a cair no
esquecimento. E para que haja uma resposta do governo, precisamos mobilizar a opinião pública.
Posted by Ricardo Oliveros on Jun 29, 2009 in últimas
Eu escrevo sobre moda publicamente há mais de 10 anos. Comecei no site do Morumbi Fashion, depois pelo extinto Supersite da Zip Net, escrevi no UOL, L´Officiel, Portal Senai de Design, Revista de Domingo e de Moda da Folha, Key, SPFW Journal, Caras e Playboy. Sai e voltei do mundo da moda para fazer incursões no mundo da arte, minha outra paixão.
Sou arquiteto por formação, mas estudei jornalismo por 2 anos e não completei o curso. Ou seja, não sou jornalista formado, mas isso não impediu que colaborasse para vários veículos.
Com este blog ficou mais fácil expressar aquilo que penso com integridade impar. Isso não quer dizer que não sou integro quando escrevo em outro lugar e sim que sei respeitar os códigos internos, a linguagem e a direção de cada veículo.
Aqui não. Escrevo exatamente como penso e vejo as coisas, sem me preocupar muito com a linguagem. São sempre depoimentos muito pessoais.
Nesta temporada de moda escrevi muito sobre os desfiles inaugurando o sobe e desce das marcas que desfilaram no Fashion Rio e SPFW e a cobertura online no Twitter.
Mas este ano, que teve um sabor especial de superação, já que um dia antes do Fashion Rio fui mandado embora da PLAYBOY por telefone. Na Semana Abril de Moda participei de uma mesa sobre blogues e há certa altura fiz uma declaração sobre as diferença de escrever no blogue e na revista.
Alguma pessoa presente no debate e com problemas de auto afirmação resolveu fazer um telefone sem fio para a área de marketing da Abril dizendo que eu insinuei no debate que os editoriais da PLAYBOY estavam comprometidos com os anunciantes. A pessoa me passou um atestado de burrice que não enguli até hoje.
Para esta pessoa mesquinha e fraca não desejo mal nenhum, já que a própria existencia dela já é de uma pobreza sem par, que não merece que eu deseje mais do que isso.
Eu tenho plena convicção que nunca falei tal coisa, tanto que depois de ser demitido me pediram para assinar a autorização do uso de imagem do debate e o fiz sem problemas, provando para a editora que não tenho receio nenhum daquilo que disse no debate.
Muitas pessoas que estavam presentes no debate ficaram chocados com os motivos da demissão. Mas fazer o quê? A puxada de tapete existe em qualquer lugar. Todavia tem sempre um elogio oculto nesta ação. Se a gente incomoda alguém ao ponto dela querer te tirar de um cargo, deve ser porque eu estava fazendo sucesso.
Para meu lugar, como já havia previsto, vai minha amiga e colaboradora em 3 edições, Olivia Hanssen. Escolha sensata, já que ela provou entender muito bem o homem da PLAYBOY.
Acho sim que tem um problema que não é de talento, mas de gênero. Assim como as melhores editoras de moda feminina são mulheres por razões muito específicas como um homem não entender tão intimamente o mundo feminino, também penso que as mulheres editoras de moda masculina sempre vão ter um olhar parcial deste universo.
Mas desejo toda a sorte do mundo para a Olivia, que ela saiba continuar fazendo uma moda de qualidade como o fiz neste último ano.
A todos meus colaboradores diretos e indiretos meu muito obrigado. A todos da redação que foram solidários nesta hora difícil meu carinho mais do que especial sempre.
As assessorias de imprensa e marcas que resolveram confiar no meu trabalho e no respeito como foram mostradas, meus agradecimentos, já que algumas resolveram nunca emprestar suas peças porque acharam melhor não ter sua marca associada a revista de mulher pelada.
E assim cumpro mais uma etapa de trabalho na minha vida e pronto para começar outra, com a mesma garra de sempre.
É semana de moda que não acaba mais, não é mesmo? Começaram os desfiles de moda masculina em Paris e acabei de “ver” os de Milão. Para o Sylvain Justum do Hypercool nem valia a pena ter visto. Eu discordo, e ele mesmo ao publicar um post do Alcino Leite no blog Última Moda, acabou me dando o mote da análise da moda que foi apresentada na cidade italiana:
“Existe ainda no meio da moda brasileira _inclusive entre a crítica_ uma grande ojeriza com a imagem do homem maduro (e falo daquele de 30 anos ou mais), que é associada à caretice e à velhice. Tem gente na plateia dos desfiles que parece ter ânsias de vômito diante da exibição de um terno bem talhado, se este não for na cor laranja e com bordados de toy-art. Com medo de parecerem antiquadas, as marcas que criam para homens traçam um raciocínio simplista, que consiste em associar a moda masculina à roupa para garotos.
O fato de os homens serem menos ousados que as mulheres nas escolhas de seus looks não implica que não haja nada a acrescentar ao design masculino de roupas. Fosse assim, não haveria uma semana de moda masculina em Milão, seguida de outra em Paris. Mirassem apenas os adolescentes, as grandes grifes internacionais voltadas para homens (ou também para homens) quebrariam em dois tempos”.
Quando comecei a olhar os desfiles, realmente a primeira vista tudo é muito sóbrio, sem grandes arroubos criativos, sem aquelas grandiosas imagens de moda que sobram no feminino.
Já escrevi um sem numero de vezes que a moda do homem evolui nos detalhes. É neles que percebemos as mudanças e os desejos de cada época. E sim, temos pequenas mudanças, mesmo em tempos de crise, que vale a pena serem notadas.
Desta vez, preferi dizer que há desejos na temporada, poque algumas coisas não se confirmaram, não foram adotadas integralmente, não chegaram as ruas, ou seja, não se configuraram como moda.
Outras, como a moda casual já seguem firmes e fortes no guarda roupa adulto, mas ainda causam confusão na hora de muito marmanjo escolher, principalmente na hora de trabalhar.
Foi bom notar, que nossas parcas passarelas masculinas continuam antenadas, apesar da distância de investimento, qualidade de tecidos e retorno que nossas marcas tem.
Então, vamos lá!
DESEJO DE CONFORT CLOTHES
Na mesma linha da “confort food” que prega uma comida mais simples e que fez bem pra alma, a moda também entra de sola neste padrão. O bom e velho básico em estilo easy, que nao complica em nada a vida. A silhueta é mais solta e folgada com aspecto bem confortável como as calças de gancho baixo e largas. Por aqui vimos isso aos borbotões na maioria de marcas que desfilaram masculino, mas que tem na Osklen seu ícone máximo:
Em Milão, este desejo apareceu na maioria das marcas, especialmente em Versace:
DESEJOS DE ESPORTE
É uma variante do desejo de conforto, já que tem certas qualidades da roupa esportiva, que cada vez mais fazem cruzamentos desejáveis na hora de injetar algum sangue novo nos poucos elementos que o homem dispõe para vestir.
O surf que já tinha dado seu ar da graça no desfile da Redley, na sua abertura com os long johns coloridos, usados sob bermudas…
…também apareceram na Calvin Klein:
Mas não foi só o surf, tiveram os casacos de snowboard, bermudas de ciclistas (também na CK), muito nylon e agasalhos de jogging, até em versão brilho como apareceram na Osklen…
…e na japonesa Undercover
A Undercover ainda fez uma outra leitura mais diluída das calças de jogging deram as caras mais urbanas com a barra das calças fechadas, usadas com blazer:
Modelo semelhante também visto na Bottega Veneta:
DESEJOS DE RELEITURA DO CLÁSSICO
A cada temporada temos as releituras do clássico na tentativa de dar um ar renovado para aquilo que já estamos cansados de ver.
No Brasil, Alexandre Herchcovitch fez isso com maestria:
Assim como a VRom com seus coletes-suspensórios:
Nos desfiles milaneses isto foi visto nas deliciosas camisetas-paletós de Jil Sander:
Ou nas camisestas-coletes+camisa numa leitura entre formal e informal da Prada:
DESEJOS DE LONGOS
A silhueta mais alongada é um desafio que vai e volta de tempos em tempos. Nesta temporada os comprimentos mais longos na parte de cima começaram a ser vistos na linda coleção de João Pimenta:
E o que parecia somente um exercício de modelagem sofisticada em viés, foi tomando outras formas em Neil Barret…
Jil Sander…
Versace…
Undercover
DESEJOS DE TRANSPARÊNCIAS
Depois do decotão V Deep Neck que conseguiu pegar, as transparências tentam mais um vez emplacar. Aqui no Brasil, marcas tão diferentes como João Pimenta, Osklen, VRom, Mario Queiroz e Rerserva apostaram que um dia o homem vai usar:
A estratégia usada por grandes marcas em Milão foi usar a transparência em peças clássicas como os paletós da Calvin Klein:
além de camisas e jaquetas:
A Prada também acha possível até em calças:
DESEJOS DE BRILHO
Não sei para você, eu até usei transparências sobrepostas do João Pimenta nesta temporada, agora brilho eu sempre acho mais difícil. Até acho interessante de ver na passarela como está logo acima em roupas esportivas. Mas continuo não gostando de tecidos muito brilhantes, como este de John Varvatos.
DESEJOS DE BOLSAS DE MÃO
Agora independente se vai pegar ou não, eu adoro uma bolsa e sei o quanto é difícil encontrar um bom modelo. Mais raro ainda são as bolsas de mão masculinas.
Nesta temporada, a maioria das marcas apresentatram modelos maiores, que eu espero que a Zara copie correndo!!!